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Cultura

Aloa Input e o novo som estranho da Baviera

Influenciados por uma nova geração de bandas americanas, o Aloa Input junta referências psicodélicas, do krautrock e do folk experimental para criar uma sonoridade pop original no álbum de estreia, "Anysome".

Em agosto de 2003, o jornalista David Keenan usou o termo New Weird America (Nova estranha América, na tradução do inglês) pela primeira vez. Em seu texto, ele descrevia o subgênero de música indie e psicodélica também chamado de psych folk para se referir a artistas como Animal Collective, Devendra Banhart e Grizzly Bear.

Dez anos depois, uma banda da Baviera lançou um disco que levanta a questão: seria Munique o novo Brooklyn? "Nosso vocalista [Florian Kreier] escreveu 'New Weird Bavaria' de brincadeira na nossa página do Myspace, em referência ao movimento americano. O termo descreve nossa música, um tipo de pop estranho feito na Baviera", explicou o baterista do Aloa Input, Cico Beck, em entrevista à DW Brasil.

Anysome, o disco de estreia do Aloa Input, soa como se os americanos do Animal Collective formassem uma banda de krautrock e fizessem um tributo ao clássico Pet Sounds, dos Beach Boys.

"Animal Collective foi nosso ponto de partida, mas eles têm um som mais complexo. Não soamos como eles. Nossas primeiras músicas eram muito diferentes das que estão no álbum. Temos muita influência de krautrock e de bandas dos anos 1960, principalmente de Beach Boys, o que fica muito evidente nos vocais", disse o baterista.

Cover CD Aloa Input Anysome

Anysome, o disco de estreia da banda muniquense

Outra grande referência para o Aloa Input é o The Notwist, seminal grupo de Munique formado no final dos anos 1980. "A estética do som deles influenciou muita gente. Eles são uma grande banda, conhecida por todo mundo que faz música em Munique", completou.

A nova cena "estranha" da Baviera inclui ainda bandas como Angela Aux, Joasihno, G.E.F., The Marble Man, The Dope e Candelilla. De estilos não similares, elas têm uma maneira parecida de canalizar diferentes referências e reescrever a história da música pop local.

Pequenos momentos, grandes surpresas

Figuras atuantes da cena musical de Munique, Cico Beck, Marcus Grassl e Florian Kreier se conheceram há cerca de quatro anos. "Acabamos percebendo que tínhamos o mesmo tipo de música em nossas cabeças." Há cerca de um ano e meio, eles formaram o Aloa Input.

"No começo, conversamos muito sobre a música que queríamos fazer. Somos uma banda que falou muito antes de tocar a primeira nota." Depois de muita conversa, o Aloa Input começou a compor, ou seja, cada um foi para o seu quarto e começou a gravar. Com a ajuda de Stefan Dettl, da LaBrassBanda, amigo de infância de Kreier, eles ficaram uma semana num estúdio no campo, nos arredores de Munique.

"Hoje muitas bandas gravam, mas não tocam juntas. Trouxemos as partes de casa e finalizamos juntos no estúdio. Mesmo com o álbum pronto e lançado, ainda não tínhamos tocado as músicas juntos", explicou Beck sobre o processo de criação, que levou um ano e meio e resultou em Anysome.

Apesar de tanta conversa, Beck não considera nem a banda nem o álbum conceituais. "O único conceito é que não há conceito. Não queríamos criar regras. Nossa música tinha que ser cheia de pequenos momentos onde as pessoas são surpreendidas", afirmou.

Biodiversidade sonora

Pressefoto Aloa Input Anysome

Alemães fazem "pop esquisito"

A diversidade sonora do Aloa Input resulta num pop esquisito na sua essência, mas agradável na audição. "Evitamos o caos na instrumentação. Queríamos achar um ponto em comum que guiasse todo o álbum", explicou Beck.

Isso fica evidente no nome da banda. Aloa vem do comprimento havaiano aloha. Input vem do ato de colocar dados num sistema ou computador. "Não acreditamos na genialidade de fazer o que nunca foi feito, mas na ideia de pegar diferentes informações e misturar na proporção ideal, como num coquetel. O resultado é nossa música."

Visualmente, essa ideia se traduz na capa de Anysome, uma colagem de animais e plantas numa selva que cresce no meio da cidade. Talvez uma visão idealizada de uma estranha Munique com vocais harmônicos da Califórnia, psicodelia pós-moderna de Nova York e sonoridade com a complexidade do krautrock e a despretensão do indie eletrônico.

Novos caminhos

Recentemente a banda começou uma nova fase, levando o som criado no estúdio para os palcos. Eles fizeram 20 shows na Alemanha e na Áustria. "Foi complicado porque nunca havíamos tocado juntos. Ficamos muito empolgados com o processo de reproduzir a parte eletrônica do álbum. Levou um tempo no começo, mas deu certo", contou Beck.

Em fevereiro, a banda volta para a estrada, em duas semanas de show por toda a Alemanha. "Está sendo divertido. Não fazemos música triste, então nossos shows têm sempre um clima animado." O Aloa Input pretende tocar em outros países europeus em 2014.

Tocar o álbum ao vivo também está mudando a perspectiva musical dos membros do Aloa Input. "Estamos mais confortáveis com nossos instrumentos. Acho que o novo disco vai ser menos pop e mais barulhento", disse Beck.

O novo álbum deve ser gravado numa ilha na Croácia durante a primavera europeia de 2014 e ainda não tem data de lançamento. "Hoje achamos que Anysome tem uma sonoridade muito boa, muito certinha. Mudaríamos um pouco isso. Deixaríamos o som diferente. Quando você toca ao vivo, nota mais as partes longas e hipnóticas. Nosso próximo disco vai mais nessa direção", adiantou o baterista.

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