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Alemanha

Alienados? Nem tanto...

Ao contrário do que se pensa, os jovens na Alemanha não estão indiferentes à guerra. Eles saem às ruas, trocam informações e já fizeram até um vídeo para protestar contra a ameaça de um conflito armado no Iraque.

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Jovens alemães protestam contra a guerra

Cerca de 80% dos jovens alemães entre 14 e 19 anos estão dispostos a participar de manifestações contra uma possível guerra no Iraque, conforme resultado de uma enquete realizada pelo Instituto Polis. Isso prova que a garotada não está indiferente aos últimos acontecimentos. De acordo com a ONG Attac, o número de escolares que se unem pelo espírito antiguerra é cada vez maior no país.

Em Stuttgart, Dortmund e Braunschweig, por exemplo, foram os jovens que deram peso às manifestações de rua. Sem eles, o protesto popular realizado dia 15 de fevereiro em Berlim não teria sido tão expressivo. "Os jovens estão com medo do futuro", concluiu Martina Gille, do Instituto Alemão da Juventude, com sede em Munique.

Vontade de influenciar

Essa tendência foge do padrão habitual. A garotada nunca foi muito engajada em questões políticas e são poucos os que têm contato com sindicatos ou partidos políticos. Gille afirmou que a rigidez das estruturas e a hierarquia dessas organizações afastam o interesse da galera.

"Os jovens resolvem se engajar quando percebem que podem exercer certa influência", garantiu Arthur Fischer, um dos autores do Estudo Shell, que analisa o comportamento juvenil. Essa seria a explicação para o comportamento menos alienado perante a iminência de uma guerra.

Participação atuante

A juventude alemã participa também ativamente do movimento pacifista pela internet. Pela rede, são programados protestos, encontros e ainda promovidos bate-papos com questões instigantes. "E se os alemães fossem para o Iraque como escudos humanos? Isso iria monopolizar a imprensa", sugeriu uma colegial.

O fato de a maioria ser contra a guerra não significa que seja contra os Estados Unidos. Rüdiger Wersich, do Centro de Pesquisa Norte-americana, em Frankfurt, garantiu que os jovens sabem separar a política de Bush do povo americano. Com razão. "Eu acho que é preciso diferenciar os EUA como país, da política americana", analisou um estudante de Colônia.

Projeto inédito

Jovens da Alemanha, Iraque e Estados Unidos realizaram um vídeo coletivo onde a guerra é abordada a partir de experiências e anseios próprios. O tema central é a possibilidade de um conflito armado e seu impacto nesses três países.

O documentário de 37 minutos intitulado Hallo Krieg ("Oi, Guerra") contém depoimentos como o de um jovem iraquiano de 19 anos que relata sua vivência durante a Guerra do Golfo. "Após os bombardeios as pessoas pareciam carne moída, sem cabeça e braços". Uma adolescente curda revela que sente "uma raiva enorme" de Saddam Husseim.

Já uma garota americana criticou o fato de o ditador iraquiano ter incutido no povo o ódio contra os americanos. Por outro lado, ponderou, "será que nós alguma vez oferecemos aos iraquianos a possibilidade de nos conhecer melhor?" O vídeo é apenas uma parte do documentário que continuará sendo trabalhado, enquanto perdurar o conflito.

Essas e outras iniciativas atestam a ânsia dos jovens alemães de que a paz mundial seja mantida. É a adolescente Sophie que resume: "Guerra não é solução porque muita gente morre. E ponto final!"

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