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Cultura

Alice Caymmi mostra sonoridade própria em "Rainha do raios"

Expoente da terceira geração dos Caymmi, cantora modernizou clássicos que fizeram história, surpreendeu na escolha do eclético repertório do segundo disco e agradou com composições próprias.

Não poderia haver título mais adequado para o segundo disco de Alice Caymmi: Rainha do raios. Neta de Dorival, filha de Danilo e sobrinha de Nana, a cantora de 24 anos modernizou clássicos que fizeram sua história, surpreendeu na escolha do eclético repertório e agradou com duas composições próprias.

O disco, lançado em setembro, marca uma mudança profunda em relação ao primeiro álbum, de 2012. "O primeiro disco nasceu meio do nada. Pensei que tinha que começar esse negócio. Compilei um material que estava trabalhando desde a adolescência e entrei no estúdio. Aquelas palavras não condizem mais com quem eu sou hoje. Mudo muito rápido", disse a cantora em conversa com a DW Brasil.

Alice está desbravando com sucesso um caminho difícil: de fazer a MPB que reverencia seu passado, mas olha para o futuro. A expoente da terceira geração da emblemática família Caymmi nunca quis fugir ao destino da família. A música sempre foi algo muito vivo em sua vida.

"Minha voz sempre foi minha qualidade, a coisa mais valiosa que eu carrego em mim. Nunca tentei negar isso. Sou formada em teatro e meu primeiro teste foi para um musical. Percebi que o que valorizavam em mim era a minha voz", diz a artista.

Mesmo com o peso de ser a voz da nova geração de uma das mais importantes famílias da música brasileira, a cantora disse que nunca se deixou paralisar pelo medo ou por pressões externas. "Se eu começasse a ter medo, não me mexia".

Para Alice, o legado mais importante que seu avô deixou foi a benção em sua carreira. "Antes dele morrer, ele me deu uma grande aprovação verbal. Ele ouviu algumas das minhas músicas e adorou que eu estava fazendo meu próprio negócio. Ele me elogiou à beça. Foi isso que ele deixou para mim".

Alice Caymmi

"Minha voz sempre foi a coisa mais valiosa que eu carrego em mim"

Rainha da tempestade

O último disco nasceu de um encontro com o produtor Diogo Strauss, músico carioca ligado à cena eletrônica da cidade. "Foi uma parceria muito melhor do que esperávamos. Nos conhecemos desde a adolescência. De repente, vi que ele estava mudando, fazendo coisas muito interessantes. Quando sugeri trabalharmos juntos, ele me convidou imediatamente para ir na sua casa e fizemos uma música", conta a cantora.

O resultado dessa parceria foi Iansã. A composição de Caetano Veloso e Gilberto Gil, lançada em 1972 na voz de Maria Bethânia foi o primeiro retrato de uma artista que estava encontrando seu caminho e usando suas qualidade a seu favor.

A regravação foi um sucesso na internet, e o disco começou a tomar forma. Seu título foi tirado da letra da canção. "Tem um orixá que é a rainha das tempestades. Ela é a verdadeira rainha dos raios. No disco, sou uma versão moderna dela".

Em Rainha dos raios, ela ainda deu seu toque pessoal a duas outras músicas de Caetano: Jasper e Homem, essa com uma apropriação poderosa do eu masculino do baiano e com um moderno e criativo arranjo. Outro clássico que ganhou nova roupagem foi Meu Mundo Caiu de Maysa. Sem medo de ousar, ela se apropriou com sucesso das palavras do MC Marcinho na dramática Princesa.

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