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Mundo

Aliança salafista busca maior influência no Egito

Fundação de novo partido marca interesse dos salafistas em ampliar atuação política. Embora os radicais islâmicos nem sempre se mantenham unidos, seu poder no país ainda é significativo.

Emad Abdel Ghaffur, ex-presidente do partido egípcio Al Nour (A Luz), anunciou no início do ano no Cairo que pretende abrir "um novo capítulo" na política do país. Pelo que tudo indica, ele está farto das divergências internas na luta pelo poder que assola seu antigo partido há meses. Sobretudo, paira a questão a respeito do futuro papel dos clérigos em relação às decisões políticas no país: enquanto os xeques pleiteiam a liderança dentro do partido, uma ala mais pragmática da facção defende maior independência dos religiosos.

Ghaffur, considerado pragmático, declarou seu desligamento do partido que é categorizado como ainda mais conservador que o Partido pela Liberdade e Justiça, da Irmandade Muçulmana, que atualmente governa o país. No lugar do Al Nour, Ghaffur passa a liderar a partir de agora o recém-fundado partido Al Watan (A Pátria), que já conta em suas fileiras com mais de cem ex-membros do Al Nour.

Ägypten Parteien Salafisten im Parlament in Kairo

Salafistas: politicamente ativos após a queda de Mubarak

Mais partidos salafistas

Com isso, amplia-se o leque de partidos dos salafistas no Egito: além do Partido das Luzes (Al Nour) e dos sensivelmente menores Partido da Auntenticidade e Partido pela Reconstrução e Desenvolvimento, a partir de agora os eleitores egípcios poderão também optar pelo Partido da Pátria.

Paralelamente, o político ultraconservador Hasem Abu Ismail, religioso que prega em programas de televisão e que tentou se candidatar à presidência do país no ano passado, também anunciou a fundação de um novo partido. "As duas novas facções querem formar uma parceria para, juntas, defenderem os valores salafistas", analisa Günter Meyer, professor de Geografia Econômica e diretor do Centro de Pesquisa sobre o Mundo Árabe, em Mainz, na Alemanha.

Para Hamadi El Aouni, cientista político da Universidade Livre de Berlim, as novas facções não devem trazer novos impulsos políticos ao país. Um partido salafista "a mais ou um a menos" não irá transformar o cenário político do Egito, diz ele. "São apenas nomes, não programas políticos", completa El Aouni. "Ao contrário dos partidos seculares, que se degladiaram antes das eleições parlamentares, as facções salafistas formam uma unidade", acrescenta o especialista Günter Meyer.

Influência, apesar de divergências

A Aliança Islâmica, formada pelos três partidos salafistas mais antigos, recebeu em torno de 25% dos votos nas últimas eleições parlamentares no país, posteriormente declaradas inválidas. Tanto El Aouni quanto Meyer acreditam que, no próximo pleito, a ser realizado em algumas semanas, esses partidos vão obter uma boa votação, apesar das divergências internas e brigas pelo poder.

Hamadi El Aouni salienta que a miséria econômica do país vem a calhar para os salafistas. "Eles conseguem mobilizar seus partidários. E estes podem ser facilmente mobilizados", analisa o cientista político. Desde o início dos tumultos no país, a população egípcia sofre em decorrência dos altos índices de desemprego, da pobreza e da insegurança. "É fácil comprar o voto de alguém em troca de um litro de azeite ou de um saco de farinha. E os salafistas fazem isso – não espontaneamente, mas de forma organizada", completa El Aouni.

Lebensmittel in Ägypten

Altos preços de alimentos: egípcios passam por período de crise econômica

Política e propaganda

Ao contrário da também islâmica Irmandade Muçulmana, os salafistas eram considerados pelo governo do ex-presidente Hosni Mubarak não políticos, uma vez que a participação em processos políticos é contrária à doutrina religiosa salafista, segundo a qual apenas o alcorão e a suna, ou seja, os dizeres dos profetas, são fontes confiáveis para guiar a crença e a ação.

Desde a queda de Mubarak, a postura de muitos salafistas mudou sensivelmente neste sentido. "Agora os islâmicos estão no poder", diz El Aouni ao se referir à Irmandade Muçulmana, que também defende um papel mais acentuado do islã na política e na sociedade. "E não somente do ponto de vista político, mas também econômico e estrutural. Isso significa que eles agora têm possibilidades que não tinham antes", conclui o especialista.

E os salafistas fazem uso dessas novas possibilidades. "Eles trabalham com diferentes métodos, dispondo de pregadores profissionais, jornais, emissoras de televisão e rádio. Ou seja, de uma série de plataformas de propaganda realmente eficientes. Além disso, os salafistas têm muitos recursos e recebem apoio financeiro do exterior, principalmente dos países do Golfo", observa El Aouni. Logo, eles provavelmente não abrirão nenhum capítulo realmente novo na história política do país, pois a maioria dos partidários desta corrente defende simplesmente um retorno ao islã original dos precursores religiosos.

Autora: Anne Allmeling (sv)
Revisão: Francis França

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