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Mundo

Aliança contra a fome na Cúpula Ibero-Americana

Chefes de governo de 22 países reunidos em Salamanca, na Espanha, procuram saídas para a pobreza na América Latina. Lula tenta minorar conseqüências do embargo à carne brasileira.

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Ministros do Exterior em Salamanca

A luta contra a pobreza e a corrupção, assim como a criação de um sistema de emergência e solidariedade em caso de catástrofes naturais, são os temas centrais da 15ª Cúpula Ibero-Americana, iniciada nesta sexta-feira (14/10) em Salamanca. Participam do encontro chefes de Estado e governo de 19 países latino-americanos – dentre os quais o presidente Lula –, assim como de Andorra, Espanha e Portugal.

Antes da conferência, o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, declarara que, diante dos 100 milhões de latino-americanos vivendo abaixo da linha da pobreza, ele iria conclamar uma "aliança contra a fome". Zapatero propôs ainda a procura de mecanismos para negociar a troca de parte da dúvida externa desses países por investimentos no sistema de ensino.

Outros temas na agenda do encontro são: o problema da imigração; o fortalecimento das instituições democráticas na América Latina através do combate à corrupção; garantias para a indenpência dos meios de comunicação; e uma maior participação das mulheres na política. Outro tópico importante é o incentivo à educação como "motor para o progresso econômico na América Latina".

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Jose Luis Rodriguez Zapatero

Zapatero quer cúpula de acordos e negociações em Salamanca

A Aliança Ibero-Americana existe desde 1991, mas até agora seus encontros anuais de cúpula têm primado por atritos e inefetividade, além da eterna dúvida se Fidel Castro compareceria ou não. Os impulsos para os participantes latino-americanos permaneceram quase nulos. Zapatero promete mudar essa imagem: a 15ª será uma cúpula dos acordos e negociações, livrando a aliança da estagnação.

Sem dúvida: a Espanha utiliza o encontro mais uma vez em prol da própria política externa, e cuida zelosamente para continuar o mais importante interlocutor na Europa, sobretudo para os pequenos países americanos. Porém, Günther Malhold, da Fundação Ciência e Política (SWP), sediada em Berlim, confirma: "A cúpula deste ano, na Espanha, marca um recomeço estrutural".

Com a criação do Secretariado Geral para a Aliança Ibero-Americana, Zapatero dispõe agora de um eficiente instrumento político, comandado pelo ex-diretor do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Enrique Iglesias. Segundo o professor Wolfgang Muno, da Universidade de Mainz, Iglesias é um "peso-pesado político e sua atuação poderá ser extremamente positiva para a aliança".

Alternativas para o neoliberalismo selvagem

O recomeço da Aliança Ibero-Americana é impulsionado pela mudança de governo na Espanha e em alguns países da América Latina. Muno analisa: "Seria demais dizer que existe uma liga dos presidentes de esquerda na América do Sul, porém há alguns pontos em comum. Sobretudo na crítica à Área de Livre Comércio das Américas, com que sobretudo a Venezuela e o Brasil estão insatisfeitos."

Ainda segundo o perito da Universidade de Mainz, também os presidentes latino-americanos de centro-esquerda se uniram na busca de uma alternativa ao neoliberalismo puro. Neste ponto, a Europa assume uma função-chave, com o chefe de governo espanhol ocupando um papel de mediador e impulsionador.

Segundo o jornal espanhol El País , o documento final da cúpula destacará a cooperação e projeção internacional da Ibero-América, com base na expansão do ensino, progresso técnológico, estabilidade trabalhista e progresso social.

Lula defendendo a carne brasileira

Lula unter Druck

Lula tenta reduzir os estragos nas relações comerciais com a UE

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também participa da conferência de dois dias em Salamanca. Seu giro de seis dias pela Europa, iniciado em Portugal, representa uma bem-vinda pausa em meio às pressões nacionais em torno da crise do PT e ao debate sobre renúncias e cassações.

Após a cúpula, Lula segue para Roma e Moscou. Ele aproveita esta viagem para minorar os estragos econômicos causados pelo escândalo da febre aftosa, que levou a União Européia a suspender as importações de carne do Brasil.

Esse embargo atinge 60% das exportações brasileiras do produto. A Rússia é também um importante parceiro do Brasil, havendo importado 385 mil toneladas de carne entre outubro de 2004 e setembro de 2005.

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