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Migração

Alemanha vai enviar de volta refugiados do Afeganistão

Ministro do Interior justifica decisão afirmando que Alemanha contribui para segurança e desenvolvimento do Afeganistão e que também pessoas de regiões seguras do país tentam asilo. "Isso é inaceitável", afirmou.

O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, anunciou nesta quarta-feira (28/10) uma política de refugiados mais rigorosa para os imigrantes afegãos. Ele afirmou que a maioria dos requerentes de asilo do Afeganistão será enviada de volta ao seu país de origem.

"O número de repatriações, regressos voluntários e deportações subirá significativamente", disse De Maizière. O ministro alemão justificou sua posição afirmando que a Alemanha tem contribuído para a melhora da segurança no Afeganistão, enviando soldados e ajuda humanitária e de desenvolvimento.

"A segurança no Afeganistão, obviamente, não é tão elevada como em outros lugares", admitiu De Maizière, mas certamente há regiões seguras, afirmou. Ele acrescentou que não vai propor que o país seja classificado como sendo "de origem segura", como foi feito com os países dos Bálcãs, e que os pedidos de asilo continuarão sendo analisados de forma individual.

Hoje muitos afegãos podem permanecer na Alemanha porque vêm de regiões inseguras do país. Porém, esse critério precisa ser revisto, afirmou o ministro. "As pessoas que vêm como refugiadas do Afeganistão não podem esperar que todas elas permanecerão na Alemanha", disse.

Os afegãos formam o segundo maior grupo de imigrantes que chegam à Alemanha, situação que De Maizière chamou de inaceitável. Entre eles, segundo o ministro, há muitos membros da classe média e moradores de Cabul, que "deveriam ficar e ajudar a reconstruir o país".

De Maizière afirmou também que o governo afegão compartilha dessa posição. Porém, em entrevista à DW, o ministro afegão para refugiados, Sayed Hussain Alimi Balkhi, afirmou que pediu às autoridades alemãs para que acolham mais refugiados e não mandem ninguém de volta. O pedido teria sido feito durante um encontro em Genebra, na Suíça. Como motivo, o ministro citou a precária situação de segurança no país.

A Alemanha anunciou, recentemente, uma extensão da permanência de tropas alemãs no âmbito da tentativa da Otan de manter o Afeganistão um Estado estável. Entre janeiro e setembro, aproximadamente 52 mil afegãos efetuaram um pedido de asilo na Alemanha.

Bálcãs: praticamente inelegíveis para asilo

No que diz respeito aos requerentes de asilo dos Bálcãs, De Maizière espera que o processamento dos pedidos seja efetuado mais rapidamente e disse que dezenas de milhares serão deportados até o fim de 2015.

Os requerimentos de asilo serão rejeitados sem análise detalhada depois de a Alemanha ter adicionado Albânia, Kosovo e Montenegro à lista de "países de origem segura", tornando os migrantes praticamente inelegíveis para o asilo político.

De Maizière acrescentou que 11 mil pessoas já foram deportadas este ano, enquanto outras 27 mil pessoas deixaram a Alemanha voluntariamente após receberem um apoio financeiro.

Caos na fronteira

O ministro do Interior alemão expressou claramente também o seu descontentamento com a vizinha Áustria. "Observamos que refugiados, sem aviso prévio e após anoitecer, estavam sendo levados para a fronteira com a Alemanha", disse. "Houve intensos contatos. A Áustria concordou em retornar a um processo ordenado. Espero que isso ocorra imediatamente."

Além disso, De Maizière comunicou que cinco oficiais da polícia alemã foram enviados à Eslovênia para ajudar a força de segurança local a lidar com o elevado número de refugiados que estão atravessando o país alpino.

PV/epd/afp/dpa/rtr/dw

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