Alemanha teve pior desempenho econômico desde 1993 | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 18.01.2002
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Economia

Alemanha teve pior desempenho econômico desde 1993

PIB do país cresceu apenas 0,6% em relação a 2000. Déficit público preocupa e pode originar advertência da União Européia. Na UE, só Finlândia cresceu menos.

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Desde a recessão de 1993 que a economia alemã não crescia tão vagarosamente. O Produto Interno Bruto (PIB) do país aumentou em 2001 apenas 0,6%, segundo dados provisórios do Departamento Federal de Estatística (Destatis), divulgados em Wiesbaden na última semana.

A Alemanha encontra-se assim entre os lanternas da União Européia, cujo PIB total cresceu 1,7%. Segundo o presidente da instituição, Johann Hahlen, somente a Finlândia cresceu menos.

Em 2000, a taxa de crescimento da economia alemã ainda fora de 3%. E, no início de 2001, as previsões eram de alta de 2,5% a 3%.

Os dados relativos para o PIB ao quarto trimestre do ano passado serão divulgados apenas em março, mas o presidente do Destatis, Johann Hahlen, conta com um "zero vermelho" nas comparações com o terceiro trimestre e o mesmo período do ano anterior. Analistas falam até em retração de -0,3% a -0,7%. Se eles estiverem certos, a Alemanha terá entrado em recessão, pois terá registrado crescimento negativo por dois trimestres consecutivos.

O Ministério das Finanças admitiu, em Berlim, que o dinamismo da economia alemã sofreu uma desaceleração considerável, mas atribui o fato à fraqueza geral da conjuntura econômica mundial. O ministro Hans Eichel declarou-se convicto de que a economia voltará a crescer na Alemanha, no decorrer deste ano.

O otimismo é compartilhado pelo chanceler federal, Gerhard Schröder, que espera "para breve" uma recuperação da economia e estabilização do mercado de trabalho, embora ele próprio acredite num aumento do número de desempregados em janeiro e fevereiro.

Déficit público – No ano passado, as despesas públicas ultrapassaram as receitas em 53,8 bilhões de euros, cota correspondente a 2,6% do PIB do país. A Alemanha aproxima-se, portanto, perigosamente do teto de 3% estabelecido pelo Tratado de Maastricht.

Os dados divulgados pelo Destatis causaram preocupação junto à Comissão Executiva da União Européia. O endividamento público está ultrapassando as estimativas de 1,1% apresentadas pelo governo alemão, segundo Gerassimos Thomas, porta-voz do órgão executivo da comunidade, sediado em Bruxelas. A Comissão calcula o déficit alemão em 2,7%, acreditando que o "doente da Europa" ainda se mantenha dentro do limite estipulado.

O programa orçamentário da Alemanha será apreciado pela Comissão Européia em 30 de janeiro. Não está excluída a possibilidade de que o órgão faça então uma advertência à Alemanha – e também a Portugal -, como previsto no Acordo da União Monetária. Bruxelas assegurou, contudo, ainda não ter tomado nenhuma decisão a este respeito.