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Alemanha

Alemanha sofre êxodo de estudantes internacionais

Estudo destaca lacuna entre necessidade alemã por mão de obra qualificada e dura realidade de ex-alunos na busca por empregos. Entre os motivos estão a falta de preparação das universidades e a barreira da língua.

Um estudo publicado recentemente pelo Conselho de Peritos das Fundações Alemãs de Integração e Migração (SVR) destacou o fosso entre a demanda por mão de obra qualificada na Alemanha – para preencher o espaço deixado por uma população cada vez mais velha – e as dificuldades encontradas pela maioria dos graduados estrangeiros em universidades e escolas técnicas.

A Alemanha realizou reformas nos últimos anos para reter os estudantes, entre elas a extensão do prazo que recém-formados têm para encontrar um trabalho: de 12 para 18 meses. "No entanto, apesar dessas reformas e da grande vontade dos graduados de ficarem no país, muitos estudantes internacionais não conseguem encontrar um emprego adequado", afirma o estudo.

O relatório constatou que quase 80% dos mais de 300 mil estudantes estrangeiros que atualmente realizam seus estudos no país têm certeza de que querem ficar na Alemanha para iniciar suas carreiras. Apesar disso, três em cada dez graduados disseram ter levado mais de um ano para achar um emprego adequado, enquanto mais de 10% permaneceram desempregados.

Outros 9% são forçados a continuar procurando por um emprego enquanto trabalham em tempo integral, seja por estarem infelizes ou porque seus empregos não condizem com a área de estudo em que se graduaram – condição para receberem o visto de 18 meses para procurar um trabalho.

Barreira da língua e falta de preparação

Outro estudo publicado esta semana pela Associação para a Promoção da Ciência na Alemanha afirma que 54% dos estudantes internacionais deixam a Alemanha após completarem os estudos. Os estrangeiros também são muito mais propensos a abandonar o curso do que seus colegas alemães (41% e 28%, respectivamente).

Baseado nessa pesquisa, o SVR chegou à conclusão de que o êxodo de talentos internacionais é resultado da má vontade dos empregadores, unida à preparação inadequada dos estudantes por parte das instituições de ensino.

A língua alemã é apontada como um dos maiores obstáculos para os estudantes. As universidades alemãs têm atraído milhares de estrangeiros, em parte devido à grande quantidade de cursos oferecidos em inglês, muitos dos quais não exigem sequer um curso introdutório de alemão.

O SVR afirma que as universidades preferem "focar seu apoio à carreira nas fases mais avançadas" dos programas de estudo e sofrem com "financiamento de curto prazo de assistência à carreira". O estudo diz ainda que as empresas alemãs, especialmente as menores, continuam a ter um "ponto cego" em suas estratégias de recursos humanos.

Ausländische Studierende in Deutschland

Estrangeiros precisam encontrar emprego na área de estudo e salário precisa atingir determinado patamar

Remando contra a maré

Mas mesmo que o estrangeiro fale alemão fluentemente, ainda existem obstáculos intransponíveis no mercado de trabalho, afirma Gugi Gumilang, da Indonésia, que se graduou em 2011 no curso de Ciências Sociais.

"Eu tive que remar contra a maré o tempo todo", afirma Gumilang. Tendo que procurar emprego na área numa época em que as empresas foram fortemente atingidas pela crise financeira internacional, ele acredita que as companhias alemãs enfrentam "um longo processo para contratar alguém de outro país". A maior parte decide que é mais fácil empregar um alemão ou outro cidadão europeu. "As pessoas da União Europeia têm melhor acesso aos empregos", afirma Gumilang.

No caso dele, não só o tempo para achar um emprego foi "curto demais", como também o salário se mostrou uma barreira. De fato, Gumilang recebeu uma proposta de trabalho em sua área de estudos, mas o salário que lhe ofereceram ficou abaixo do patamar estipulado pela lei alemã e ele teve seu visto de trabalho recusado.

Quando o visto para a busca de emprego expirou, Gumilang continuou a se candidatar para empregos na Alemanha a partir do exterior, mas os convites para entrevistas se esgotaram depois que ele teve que deixar o país.

Alemanha "dá tiro no próprio pé"

O canadense Thierry, graduado em composição musical, também se frustrou com as condições para receber o visto para busca de emprego. Em entrevista à DW, ele afirma que estar vinculado à área de estudos não corresponde à realidade de graduações como a dele, porque não lhe é permitido complementar a renda "instável" com um emprego de tempo parcial. "Deveria ser possível estudar literatura e trabalhar em outra área", sugere.

Ele diz que o sistema atual serve mais para áreas de estudos "comerciais" como engenharia, medicina ou ciências naturais – o que não só acaba afastando pessoas com habilidades de um mercado que precisa delas como contribui cada vez mais para ampliar o aspecto "capitalista" das universidades.

A Alemanha vai "dar um tiro no próprio pé" se continuar com essa política, diz o compositor.

Mas a lacuna entre a lei e o moderno mercado de trabalho não pode ser a única causa do problema, já que cerca de 40% dos estudantes internacionais na Alemanha em 2013 estavam estudando em áreas como ciências, engenharia, tecnologia e matemática – os diplomas "mais desejados" aos olhos dos empregadores.

Para o SVR, as empresas alemãs continuam mal informadas sobre a riqueza da mão de obra oferecida por estudantes internacionais e também são muito reticentes em contratá-los – forçando até mesmo engenheiros e cientistas com boa formação a abandonar a Alemanha para outros países mais acolhedores.

"Bolha de expatriados"

Isso não significa, porém, que estudantes estrangeiros na Alemanha devam se desesperar. A americana Sarah Mamer, que se graduou recentemente em linguística pela Universidade de Freiburg, conseguiu emprego um mês após finalizar a sua graduação, apesar de seus estudos terem sido realizados inteiramente em inglês.

Mamer afirma que o programa obrigava os alunos a realizarem um estágio, algo que ela viu como muito benéfico para uma posterior integração no mercado de trabalho. Ela acredita que seu sucesso se deve ao esforço próprio de procurar emprego e aprender alemão, mesmo que isso não fosse necessário em sua área de estudos.

A graduada dá alguns conselhos para os futuros alunos: "Eu acho que o mais importante é não se colocar nessa 'bolha de expatriados'", afirma Mamer, se referindo ao fato de que, para ela, muitos estudantes não se esforçam para aprender a língua ou participar da sociedade alemã.

"Eu não sou o caso típico", diz Mamer, acrescentando que a experiência de um estudante na Alemanha é "o que cada indivíduo faz dela".

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