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Cultura

Alemanha redescobre o espírito de Humboldt

Editora Andere Bibliothek, dirigida pelo escritor Hans Magnus Enzensberger, resgata o espírito de Alexander von Humboldt com o lançamento de três grandes obras do pesquisador.

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Alexander von Humboldt: mais atual que nunca

Ainda não se chegou ao ponto de ter o pesquisador Alexander von Humboldt (1769–1859) estampado em camisetas e chaveiros, mas a Alemanha talvez não esteja longe disso. Com o lançamento de três densas obras do "sábio universal", sob os auspícios de ninguém menos que o escritor Hans Magnus Enzensberger, o legado de Humboldt vem sendo redescoberto pela mídia alemã. Instaurando no país o que, sob os domínios da cultura pop, poderia ser selado até de uma "moda Humboldt".

Mania de Humboldt?!

Enzensberger mit Neuedition von Humboldt Werken

Hans Magnus Enzensberger com edição de obra de Humboldt

Um termo, aliás, quase sacrílego para envolver aquele que foi um profundo conhecedor de Botânica, um exímio desenhista, um estudioso da Astronomia, um analista das formas, um cientista, pensador e, acima de tudo, antropólogo e etnólogo por excelência. Muitos antes que estas denominações fossem usadas a cada esquina.

É provável, contudo, que Humboldt, com seus "olhos de raio X" (Enzensberger), não tivesse vez no mundo de saberes especializados de hoje. "Não há praticamente nenhum assunto no qual Alexander von Humboldt não possa ser envolvido: ele é a autoridade moral e política, para a qual se pode apelar até hoje, de forma ilimitada, contra qualquer espécie de escravatura, racismo ou xenofobia", publica a revista Lettre sobre o pesquisador.

Antítese da barbárie

Embora alguns coloquem Humboldt na gaveta da conquista empreendida pela metrópole em relação à colônia, como representante de uma visão de mundo eurocêntrica, outros acreditam que ele tenha sido o precursor da ecologia e do que hoje se chama de desenvolvimento sustentável. De uma forma ou de outra, seu nome vem sendo usado como antítese da barbárie provocada pela Alemanha no século 20. E seu legado vem à tona como símbolo da defesa dos excluídos.

Afinal, Humboldt atacou com veemência o anti-semitismo já presente no século 18 e não hesitou em condenar as atrocidades do sistema escravagista nas Américas Central e do Sul, quando por aí viajou durante cinco anos. Aristocrata (que gastou praticamente toda a fortuna herdada da mãe em suas viagens pelo mundo) e democrata (desinteressado pelo poder e ávido pelo saber); antinacionalista e irônico (em paragens prussianas não necessariamente marcadas pelo bom humor), Humboldt escreveu um capítulo da história alemã que, em pleno século 21, se lê com prazer.

Elogios da mídia

"O aventureiro genial – Um alemão exemplar?" pergunta o semanário Der Spiegel. "Parece que chegou a hora de encontrar o bom alemão. Inventá-lo não é necessário", opina o diário taz. "Como nenhum outro, Alexander von Humboldt está para o que há de melhor na Alemanha, para nossas forças e capacidades. Um desses nos seria útil hoje, no ano de 2004", observa um autor alemão em texto publicado pelo diário suíço Neue Zürcher Zeitung.

"Uma vida com brio", estampa o Die Welt, enquanto o semanário Die Zeit confirma o pesquisador "como o alemão mais conhecido em todo o mundo", embora praticamente ignorado em casa. E até o popular Bild resolveu resgatar o espírito humboldtiano: "O alemão suave que conquistou o mundo".

Obras inéditas

Buchcover Alexander von Humboldt Ansichten der Kordilleren

Capa do volume «Visões das Cordilheiras e Monumentos dos Povos Indígenas da América»

Um dos principais motivos de tamanha ânsia em busca dos rastros de Humboldt é o lançamento no país (acompanhado de uma enorme campanha publicitária) de três de suas grandes obras: as quase mil páginas de Cosmos. Ensaio de uma Descrição Física do Universo ( Kosmos. Entwurf einer physischen Weltbeschreibung) – também lançado em CD; Visões das Cordilheiras e Monumentos dos Povos Indígenas da América (publicado orignalmente em francês sob o título Vues des Cordillères et Monuments des Peuples Indigènes de l’Amérique) e Visões da Natureza ( Ansichten der Natur).

Todas editadas cuidadosamente pela Andere Bibliothek (Outra Biblioteca), sob a coordenação de Hans Magnus Enzensberger. Em um projeto paralelo, vida e obra do pesquisador são apresentadas detalhadamente em um portal que leva seu nome.

Resgate de uma tradição

O projeto Humboldt incorpora o resgate necessário de um pensamento tão em desuso, que não vive de citações vazias e não tem por meta copiar cegamente o mainstream. Uma corrente de pensadores, que segundo as observações do autor Karl Schlögel na revista Lettre, vai das descobertas de James Cook e Georg Forster, passando pelas reflexões lúcidas de Georg Simmel e Walter Benjamin, até chegar às teorias pós-coloniais de Edward Said e Dipesh Chakrabarty.

"Por todos os lados há colegas de Alexander von Humboldt, mesmo que eles não se autointitulem como tais. Tornou-se trivial o fato de que nós – talvez pela segunda ou terceira vez – nos encontramos na era da globalização. Mais difícil é entender o que isso significa, o que o global tem a ver com o local e o que o conhecimento específico in loco tem a ver com as leis mundiais". Certamente uma tarefa para Alexander von Humboldt.

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