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Mundo

Alemanha rechaça mas Itália mantém acusação de chantagem

Num discurso nada diplomático, embaixador italiano acusou G-4 de chantagear países pobres. Berlim rechaçou com veemência, mas Roma afirma ter provas.

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Marcello Spatafora fala na Assembléia Geral da ONU

"Nós temos provas, caso contrário não teríamos trazido o assunto à baila", declarou em Roma um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores italiano. "Mas não vamos citar nomes, porque não estamos interessados numa briga."

A briga, de qualquer forma, já se acirrou desde que o embaixador da Itália nas Nações Unidas, Marcello Spatafora, acusou, na Assembléia Geral da terça-feira (26/07), os países do chamado Grupo dos Quatro de chantagear alguns membros da ONU com a ameaça de cortar a ajuda ao desenvolvimento a eles destinada, se não aprovassem seu projeto de ampliação do Conselho de Segurança.

"São incriminações insustentáveis", declarou em Berlim Jens Plötner, porta-voz do Ministério do Exterior. O embaixador da Alemanha na ONU, Gunter Pleuger, também já rechaçara o ataque de Spatafora. "Não é neste nível que queremos promover um debate político."

Mesmo diplomatas do grupo Unidos para o Consenso, liderado pela Itália, se distanciaram das denúncias de Spatafora. "Elas não têm o menor fundamento", declarou também um porta-voz da missão do Japão junto à ONU.

Corte de ajudas financeiras

Kombo G-4 Außenminister

Os ministros do Exterior do G-4

No começo desta semana, segundo Spatafora, um "país financiador" pertencente ao G-4 teria informado o governo de um determinado país sobre o corte de 385 mil euros destinados ao financiamento de um projeto. O embaixador italiano não citou nenhum nome, mas, entre os países que compõem o G-4 – Alemanha, Japão, Brasil e Índia – só a Alemanha e o Japão são considerados "financiadores". E o país atingido pelo "castigo" seria co-autor de uma resolução do grupo Unidos para o Consenso. Ou seja, viriam ao caso, entre outros, a Colômbia, a Costa Rica, o México e o Paquistão.

"Comportamento não-ético"

Em seu discurso, criticado por muitos diplomatas da ONU, o embaixador italiano comparou o comportamento do G-4 com o presumível escândalo de corrupção no antigo programa da ONU de ajuda ao Iraque, Petróleo por Alimentos.

O comportamento "inadmissível e não ético" do Grupo dos Quatro seria uma vergonha e uma ofensa à dignidade de todos os países-membros da ONU. Ao mesmo tempo, Spatafora instou o presidente da Assembléia Geral, Jean Ping, e o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, a uma sindicância do caso.

Terceiro projeto de ampliação do CS

O pronunciamento de Spatafora deu-se no contexto da apresentação à Assembléia Geral de um terceiro esboço de projeto de ampliação do Conselho de Segurança, de autoria do grupo Unidos para o Consenso, integrado também pela Argentina, Canadá, Espanha e Turquia.

Este terceiro esboço exclui a criação de novos assentos permanentes, prevendo apenas uma ampliação do grêmio para 25 membros por meio da introdução de mais dez cadeiras rotativas a serem ocupadas em ritmo de dois anos. Roma, em especial, é contra a instituição de mais assentos permanentes: se a Alemanha conseguisse seu intento, a Itália seria o único grande país da Europa Ocidental sem participação permanente no Conselho de Segurança.

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