Alemanha quer maior participação da iniciativa privada na ajuda ao desenvolvimento | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 14.05.2010
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Alemanha

Alemanha quer maior participação da iniciativa privada na ajuda ao desenvolvimento

Orçamento anual das Parcerias Público-Privadas para ajuda ao desenvolvimento sobe para 60 milhões de euros, beneficiando empresas alemãs que invistam em países emergentes. Programa é chamado develoPPP.de.

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Niebel: 'Empresas e países-parceiros saem ganhando'

Há décadas que o governo alemão fomenta as chamadas PPPs (Parcerias Público-Privadas) no âmbito da ajuda ao desenvolvimento. Uma das empresas beneficiadas atua no Brasil e se mostra satisfeita com o resultado.

Especializada no tratamento de água, a alemã Enviro Chemie encontrou um mercado promissor no Brasil. No Rio de Janeiro ela mantém uma central de tratamento com capacidade para tratar 40 milhões de litros de efluentes industriais por ano.

"Temos 22 pessoas trabalhando lá, todas locais. Trouxemos os especialistas alemães de volta. O trabalho com eles era muito caro e causava muitos atritos. Enviamos alemães para projetos de desenvolvimento e ampliação, mas o trabalho diário é feito pelos brasileiros", diz o gerente da Enviro Chemie, o suíço Gottlieb Hupfer.

A empresa está presente no Brasil desde 2002. Gottlieb diz que há uma grande carência no setor de tratamento de efluentes no Rio de Janeiro, mas mesmo assim teve, no início, dificuldades para encontrar clientes dispostos a pagar pelo serviço, caro para os padrões brasileiros.

Mais dinheiro para as PPPs

As palavras de Hupfer são água no moinho do ministro alemão da Ajuda ao Desenvolvimento, Dirk Niebel. O político do partido liberal FDP anunciou que deseja fortalecer a cooperação entre a sua pasta e a iniciativa privada, principalmente as pequenas e médias empresas. O programa se intitula "develoPPP.de".

Em 2009, o ministério fomentou 103 Parcerias Público-Privadas (PPPs), como são chamados os projetos em que governo e iniciativa privada trabalham juntos. Ao todo, já são mais de 1.800 cooperações, e o orçamento para o próximo ano subiu de 48 milhões para 60 milhões de euros.

"Costumamos encontrar as portas abertas justamente porque há poucos investidores dispostos a levar adiante um investimento em países difíceis. Geralmente também temos mais apoio das autoridades locais", comenta Niebel.

Ele ressalta que em primeiro lugar vêm os interesses dos países receptores, numa alusão às frequentes críticas, ouvidas na Alemanha, de que a coalizão entre conservadores e liberais prioriza os interesses das empresas alemãs. "Ambos saem ganhando: as empresas e os países-parceiros."

"Não somos senhores coloniais, mas parceiros para o desenvolvimento. Não haveria nenhum ganho para as empresas alemãs se os projetos delas não fossem aceitos e desejados pelos países parceiros", afirma o ministro.

Para Niebel, o desenvolvimento de uma economia de mercado no país-parceiro é uma maneira melhor de se combater a pobreza do que a simples distribuição de produtos e dinheiro.

Fã do Brasil

O aumento da verba para as PPPs é bem visto pela Confederação Alemã das Câmaras de Indústria e Comércio (DIHK). O responsável para políticas de desenvolvimento Heiko Schwiderowski diz que novos funcionários foram designados para prestar atendimento às empresas interessadas em investir nos mercados emergentes e em desenvolvimento.

A empresa de Hupfer é uma das que tiraram proveito do serviço. "O apoio não é só financeiro. Há também pessoal técnico, o contato com outras instituições, como embaixadas e câmaras de comércio e indústria, é facilitado. Os clientes, é claro, nós mesmos temos que encontrar. Mas um certo apoio vindo da Alemanha nos ajudou no Brasil", relata.

Ele se declara um fã do Brasil e diz que as dificuldades do início estão há muito superadas. "Fica-se surpreso com as diferenças culturais, com as enormes barreiras no setores alfandegário e de licenças para importação. Mas isso existe em qualquer país. Hoje, posso dizer que amo o Brasil e que meus funcionários vão para lá com prazer."

Autor: Marcel Fürstenau (AS)
Revisão: Augusto Valente

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