Alemanha proíbe plantio de milho transgênico da Monsanto | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 14.04.2009
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Economia

Alemanha proíbe plantio de milho transgênico da Monsanto

O MON 810, milho transgênico plantado na Alemanha desde 2005, foi proibido pelo governo alemão por representar risco ao meio ambiente. Essa era a única planta geneticamente modificada que se cultivava até então no país.

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Outros cinco países europeus já proibiram o milho MON 810

O governo alemão proibiu a plantação da única planta geneticamente manipulada até então permitida no país, o milho MON 810. Existem razões para se suspeitar de que esse tipo de milho geneticamente manipulado produzido pela firma norte-americana Monsanto represente um perigo para o meio ambiente, disse a ministra alemã da Agricultura, Ilse Aigner, nesta terça-feira (14/04).

O Ministério da Agricultura proibiu a plantação e a venda de sementes desse tipo de milho com base em dois estudos realizados em Luxemburgo. As pesquisas revelaram que o MON 810 ameaça a existência de borboletas, organismos aquáticos e uma espécie de joaninha.

A ministra da Agricultura também argumentou sua decisão remetendo-se a cinco países-membros da UE que já haviam proibido o MON 810: Áustria, Hungria, Grécia, França e Luxemburgo. Na França, a Monsanto está contestando judicialmente a decisão governamental. Ainda não se sabe se a empresa tentará o mesmo na Alemanha.

A ministra da Agricultura ressaltou que se trata de uma decisão isolada e não de uma determinação que afete o tratamento a ser dado à engenharia genética agrícola no futuro.

Para a fase de plantio a começar nos próximos dias na Alemanha, 3,7 mil hectares estavam reservados para o milho transgênico, sobretudo no Leste do país. Os agricultores que já haviam comprado sementes terão que procurar outras alternativas. A área em que se plantavam sementes geneticamente modificadas até então correspondia a 0,2% dos milharais do país.

Só políticos liberais se opõem à decisão

Bundeslandwirtschaftsministerin Ilse Aigner

Ilse Aigner, ministra alemã da Agricultura e de Defesa do Consumidor

A decisão do Ministério foi bem recebida pelas bancadas social-democrata, verde e do partido A Esquerda no Parlamento alemão, bem como por associações ambientalistas. Críticas partiram sobretudo dos liberais, que – assim como o setor de engenharia genética – temem que a decisão enfraqueça a Alemanha como polo de pesquisa científica.

A Federação de Meio Ambiente e Proteção à Natureza (Bund) declarou que as suspeitas de que o milho modificado prejudique a fauna e a flora são tantas que uma proibição era imprescindível. Além disso, a organização também considera preocupante o perigo de os agricultores se tornarem dependentes das empresas de sementes e de seus produtos.

O Greenpeace exigiu que a ministra Aigner vote contra uma nova autorização do cultivo de milho geneticamente manipulado na União Europeia.

Milho genético proibido em cinco países europeus

Na Alemanha, o plantio do MON 810 foi introduzido em 2005 e suspenso provisoriamente durante 2007. Na época, o então ministro da Agricultura, Horst Seehofer, havia exigido da Monsanto um relatório sobre os efeitos ambientais do MON 810, cuja avaliação final foi concluída só agora.

Desde 1998, o MON 810 é a única espécie vegetal geneticamente manipulada cujo plantio comercial é permitido na União Europeia. O conglomerado norte-americano Monsanto introduziu no milho um gene derivado de uma bactéria do solo (Bacillus thuringiensis). Essa bactéria produz um veneno contra uma mariposa que ataca a planta.

A Comissão Europeia quer avaliar a proibição, pela Alemanha, do milho geneticamente modificado. A UE pode contestar a decisão de Berlim. Anteriormente, a Comissão havia invalidado a proibição de MON 810 na Áustria e na Hungria. Em março passado, no entanto, os 27 ministros do Meio Ambiente da UE rejeitaram a decisão da Comissão.

SM/rtrd/epd/dpa

Revisão: Roselaine Wandscheer

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