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Mundo

Alemanha prioriza crise migratória em orçamento para 2016

No debate orçamentário para o ano que vem, ministro das Finanças afirma que país vai conseguir lidar com afluxo de refugiados sem contrair novas dívidas. Dados divulgados acusam aumento do PIB e otimismo dos empresários.

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Ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble

O Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão) começou nesta terça-feira (24/11) um debate de quatro dias sobre o orçamento do país para 2016. Com gastos previstos de 316,9 bilhões de euros, o ministro das Finanças Wolfgang Schäuble declarou que enfrentar a crise dos refugiados será prioridade, mesmo à custa de um orçamento equilibrado.

"Nós podemos cumprir essa tarefa no próximo ano sem contrair novas dívidas", garantiu. Primeiro cabe definir o que é necessário para cumprir esse desafio, "a questão de se conseguiremos isso com dívidas ou não, tem prioridade secundária". Entretanto isso não significa "que vamos poder arcar com tudo em todas as outras áreas", alertou Schäuble.

Ele frisou repetidamente aos demais ministros que, antes que se contraiam novas dívidas, primeiro os orçamentos de cada pasta serão reduzidos. E admitiu que no enfrentamento da crise dos refugiados "vai-se avançando de acordo com o que se vê". Ninguém sabe o número dos que chegarão à Alemanha no próximo ano. "Esperemos que haja um recuo", comentou o chefe de pasta.

Berlim negociou com os governos estaduais e municipais uma ajuda fixa no valor de 670 euros por mês para cada refugiado; cerca de 3 bilhões de euros serão transferidos em adiantamento. Porém o valor exato gasto com cada migrante só poderá ser calculado no final de 2016, confirmou Schäuble.

O bom ritmo da economia e as baixas taxas de juro originaram um superávit de mais de 6 bilhões de euros este ano. O excedente seria usado para reduzir dívidas, mas agora será realocado como reserva para o próximo ano, para que o orçamento de 316,9 bilhões de euros seja aplicado sem recursos adicionais.

Empresários mantêm otimismo

Os dados divulgados nesta terça-feira pelo Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha (Destatis) trouxeram uma boa notícia: o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2015 registrou uma alta de 0,3% em comparação aos três meses anteriores. O principal motor da expansão no terceiro trimestre foi o consumo interno, tanto público (+1,3%) quanto privado (+0,6%).

Em contrapartida, os investimentos em setores como equipamentos e automóveis caíram 0,8% em relação ao trimestre anterior. Na construção civil, a queda foi de 0,3%. O comércio exterior alemão acusou uma retração, com as exportações de produtos e serviços crescendo apenas 0,2% em comparação ao segundo trimestre. A importação, por sua vez, registrou uma forte alta de 1,1%.

Mesmo com os atentados terroristas em Paris e a desaceleração da economia chinesa, a confiança dos empresários alemães se mantém. Segundo o estudo do instituto de pesquisas econômicas IFO, de Munique, igualmente divulgado nesta terça-feira, o "índice do clima empresarial" subiu surpreendentemente de 108,2 pontos em outubro para 109 pontos em novembro.

Apesar do 13 de Novembro

Tanto o nível da confiança empresarial atual como as expectativas para os próximos seis meses dos diversos setores examinados – incluindo indústria, comércio e construção civil – apresentaram melhora em relação à pesquisa anterior. Especialistas contavam com uma deterioração do índice, depois do breve recuo em outubro.

Segundo Hans-Werner Sinn, presidente do IFO, a economia alemã não foi afetada pela crescente insegurança mundial. "Nem mesmo os ataques em Paris geraram um impacto negativo nos dados." As empresas tampouco se deixaram influenciar pelo fraco crescimento dos países emergentes, como a China. O especialista do instituto Klaus Wohlrabe assegurou que o comércio com a Europa e os Estados Unidos continua equilibrado.

Na opinião do economista-chefe do banco alemão de desenvolvimento KfW, Jörg Zeuner, o otimismo dos consumidores e os investimentos destinados ao enfrentamento do afluxo migratório dão impulso à demanda interna.

"Se a recuperação da Europa continuar prosseguindo, como é a nossa expectativa, e se houver pelo menos uma estabilização do crescimento decepcionante dos países emergentes, as exportações e os investimentos das empresas também vão melhorar", declarou Zeuner à agência de notícias DPA.

FC/dpa/afp/dw

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