1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Alemanha não vê justificativa para guerra no Golfo

(am)10 de janeiro de 2003

A análise do relatório de armas do governo de Bagdá não justifica uma eventual ação militar contra o Iraque. Esta é a opinião manifestada por Gunter Pleuger, embaixador da Alemanha na ONU.

https://p.dw.com/p/37RO
Gunter Pleuger: É preciso esperar o próximo relatórioFoto: AP

Após a apresentação da análise preliminar de Hans Blix, os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas reivindicaram uma intensificação dos controles de armas no Iraque. O embaixador alemão foi um pouco além disto, manifestando a opinião de que nada justifica, no momento, uma ação militar contra o Iraque.

Segundo o chefe da equipe, Hans Blix, os inspetores da ONU operam há cerca de dois meses no Iraque e até agora não encontraram qualquer indício de "armas fumegantes". Ele manifestou, contudo, a impressão de que o relatório apresentado por Bagdá teria deixado de responder a inúmeras questões.

Até o dia 27 de janeiro, Blix e o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El Baradei, deverão apresentar ao Conselho de Segurança da ONU um novo relatório detalhado sobre o dossiê de armas do Iraque.

Compasso de espera

Gunter Pleuger reafirmou a posição da Alemanha, de que é indispensável um completo desarmamento do Iraque. "Agora, é o próprio Iraque que tem de dar os passos necessários para que isto ocorra de maneira pacífica", disse Pleuger.

Segundo o embaixador alemão, o governo de Berlim concorda inteiramente com a opinião manifestada pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, de que os inspetores das Nações Unidas puderam exercer suas atividades no Iraque sem qualquer restrição até agora. Por esta razão, afirmou Gunter Pleuger, não há justificativa para uma ação militar, pelo menos até 27 de janeiro, quando será apresentado um amplo relatório das inspeções.

Pleuger não quis manifestar-se sobre a necessidade de uma segunda resolução da ONU para a legitimação de uma eventual guerra contra o Iraque: "Temos de esperar, para ver se será convocada uma sessão do Conselho de Segurança, com o objetivo de tomar uma nova resolução. Isto ainda não está decidido e não se pode prever sob que circunstâncias políticas isto ocorreria."

Schröder defende nova resolução

Já o chefe do governo alemão, Gerhard Schröder, considera indispensável uma segunda resolução das Nações Unidas, antes de qualquer ação militar contra o Iraque. Segundo comentários divulgados pela imprensa alemã, o chanceler teria defendido tal opinião de forma peremptória, durante uma reunião a portas fechadas com os membros da bancada social-democrata no Parlamento alemão.

Em Kassel, durante um comício do seu partido (SPD), o chanceler federal alemão também expressou preocupação em relação ao risco de uma guerra no Iraque. Em especial o aumento do preço do petróleo poderá ter graves conseqüências econômicas não apenas para a Alemanha. De acordo com Schröder, um conflito militar no Golfo teria efeitos negativos sobre toda a conjuntura econômica mundial.

Por isto, afirmou o chanceler, a Alemanha fará tudo o que for possível para lograr uma solução pacífica para a crise iraquiana. O governo de Berlim não arredará pé da sua posição, de que nenhum soldado alemão participará de uma eventual intervenção militar no Iraque, disse ainda.

Construir um suporte

Também o presidente da Comissão de Defesa no Parlamento alemão, Reinhold Robbe (SPD), manifestou seu ceticismo a respeito da legalidade de uma ação militar contra Bagdá, já que os inspetores das Nações Unidas não encontraram até agora qualquer prova da produção de armas de extermínio em massa no Iraque.

Em entrevista publicada pelo jornal Financial Times Deutschland na edição desta sexta-feira (10/1), Robbe afirmou que os argumentos do governo americano tiveram uma forte contestação através da avaliação do dossiê iraquiano por parte do chefe dos inspetores da ONU, Hans Blix.

"Não sei de que maneira o Conselho de Segurança poderia construir um suporte, a fim de justificar as metas visadas há meses pelo presidente americano George W. Bush", declarou Reinhold Robbe.