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Economia

Alemanha inaugura a maior fábrica de celulose da Europa Central

Fábrica no leste alemão custou mais de 1 bilhão de euros, gera mais de 1500 novos empregos e produzirá 550 mil toneladas de celulose de alta qualidade.

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Stendal produzirá celulose de fibras longas para papel

O chancelar federal Gerhard Schröder inaugura nesta sexta-feira (22/10) a maior fábrica de papel da Europa Central, em Arneburg, no Estado da Saxônia-Anhalt. Construída desde 2002 pelo grupo norte-americano-canadense Mercer Internacional, com participação de empresas alemãs, a nova planta vai produzir celulose de alta qualidade, destinada à fabricação de papel de impressão e higiênico.

Além de gerar cerca de 580 empregos diretos, garantirá mil postos de trabalho indiretos numa região castigada por altas taxas de desemprego, a Zellstoff Stendal GmbH (subsidiária da Mercer), revitaliza o setor da indústria de papel e celulose da Alemanha, que há 60 anos não construía uma fábrica completamente nova.

Quando funcionar a todo vapor, em 2005, a empresa produzirá meio milhão de toneladas de celulose de alta qualidade por ano. Isso representará um aumento de 65% da produção alemã do produto, que foi de 848 mil toneladas em 2003, como informa a Associação das Fábricas de Papel da Alemanha.

Cerca de 25% do custo total da obra de 1 bilhão de euros foram cobertos com subsídios da União Européia e dos governos federal e estadual. A maior parte do investimento – 830 milhões de euros – corresponde a créditos concedidos por um consórcio de bancos. As empresas societárias da fábrica entraram com 100 milhões de euros.

De olho no Leste Europeu

Zellstoffwerk in Stendal

Operadora Melanie Reich de olho na linha de produção de celulose

Segundo o diretor executivo da Stendal, Wolfram Ridder, o investimento não foi superdimensionado. Ele acredita que, devido à expansão da União Européia para o Leste Europeu e à atual importação anual de quatro a cinco milhões de toneladas de celulose pela Alemanha, há demanda suficiente para a produção. "O mercado mundial cresce 4% ao ano", diz.

O grupo Mercer Internacional detém 64% do capital da fábrica de Arneburg. Outros 29% estão nas mãos da alemã RWE Soluções Industriais e os 7% restantes são da Altmarkt Industrie. No final da década de 90, a Mercer já investira 360 milhões de euros na Rosenthal, em Blankenstein, na Turíngia, com capacidade para produzir 300 mil toneladas de celulose por ano.

A Rosenthal foi a primeira empresa alemã a extrair a celulose da madeira por meio da moderna tecnologia do sulfato, que impede a formação do cheio de ovo podre ao redor da fábrica.

Capacidade "modesta" e energia própria

O presidente da Associação das Fábricas de Papel da Alemanha, Michael Kessener, não acredita que a gigantesca Stendal avance como um rolo compressor no mercado alemão, destruindo empresas menores. "Tradicionalmente, os novos fabricantes oferecem seus produtos no exterior", diz.

A nova fábrica também não deverá influir muito nos preços mundiais da celulose, que giram em torno de 545 euros a tonelada. "Considerando a produção mundial de 100 milhões de toneladas, a Stendal tem uma capacidade modesta", diz Ridder

Segundo Kessener, a Alemanha é o maior produtor da Europa e ocupa o quinto lugar no ranking mundial, atrás dos Estados Unidos, China, Japão e Canadá. Somando os três mil diferentes tipos de papel fabricados no país, no ano passado, a produção alemã atingiu o volume de 19,3 milhões de toneladas, rendendo um faturamento de 13 bilhões de euros.

Zellstoffwerk in Stendal

Engenheiro de produção Steffen Ratzlow controla depósito de matéria-prima

A fábrica de Arnenburg consumirá três milhões de metros cúbicos de madeira por ano como matéria-prima. "Mas ninguém precisa ter medo de que haverá um desmatamento desenfreado. Nos novos estados alemães temos madeira de reflorestamento suficiente que nunca viu um machado", diz Michael Schenk, diretor da Companhia de Reflorestamento da Saxônia-Anhalt.

A maior parte das 1700 toneladas de resíduos de madeira resultantes diariamente serão reaproveitados numa usina de biomassa para gerar cerca de 90 megawatts de energia, dos quais 35 MW destinam-se à rede pública e restante servirá para o abastecimento da fábrica de celulose.

Florestas viram montanhas de papel

Segundo o Relatório Crítico do Papel 2004, financiado pelo Departamento Federal do Meio Ambiente, os alemães estão entre os maiores consumidores de papel do mundo, com um consumo per capita de 230 quilos por ano.

Organizações ecológicas acusam que a produção alemã de papel destrói florestas em outros países, enquanto as matas nacionais são poupadas e apenas 50% do papel usado é reciclado como matéria-prima. Na Alemanha, são derrubados 40 milhões de m³ de madeira por ano, embora 60 milhões de m³ fossem aproveitáveis de forma sustentável, dizem os ecologistas. Eles temem também uma degradação do Rio Elba, caso a Mercer exija a sua retificação para poder trazer madeira barata da Escandinávia por via fluvial.

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