Alemanha extrairá metais do fundo do Pacífico | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 26.07.2011
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Ciência e Saúde

Alemanha extrairá metais do fundo do Pacífico

Desde 2006, a Alemanha possui licença para explorar um pedaço do solo do Oceano Pacífico. Da área rica em matérias-primas deverão ser extraídos cobre, níquel e cobalto a partir de 2021.

Nódulos de manganês no fundo do Oceano Pacífico

Nódulos de manganês no fundo do Oceano Pacífico

Estima-se em 62 milhões de toneladas as reservas de nódulos de manganês no chamado cinturão de manganês do Pacífico. Mas o metal em si, que compõe quase 30% dos nódulos, não é o que mais interessa à indústria dos países desenvolvidos. O foco está no cobre, no níquel e no cobalto presentes nos nódulos.
Em 2001, alguns países começaram a reservar pedaços do solo do Oceano Pacífico, porém a Alemanha ficou de fora da primeira leva. O país entrou na disputa internacional pelos recursos minerais da região apenas em 2006.

A área hoje sob concessão alemã tem 75 mil quilômetros quadrados – quase o tamanho do estado da Baviera – e fica ao norte do Equador, entre o Havaí e o México. "Arrendamos o local. Ele não é propriedade da Alemanha", explica Thomas Kuhn, geólogo do Instituto Federal Alemão de Geociências e Recursos Naturais.

Infografik Lizenzgebiet Manganknollengürtel im Pazifik

Licenças de exploração de nódulos de manganês no Ocenoa Pacífico (em alemão)

No ano passado, Kuhn esteve na região do cinturão do manganês com uma equipe de cientistas alemães a bordo do navio de pesquisa Sonne (Sol), durante seis semanas. "Minha função era cuidar de uma câmera sobre um carrinho, com a qual registrávamos imagens do fundo do mar", conta. Com um equipamento para coleta de amostras chamado Kastengreifer, a equipe extraía nódulos de manganês do fundo do mar.

A região foi mapeada durante as duas primeiras expedições. "Com uma sonda, traçamos um mapa completo da topografia do fundo do mar", diz Kuhn. A sonda determina a profundidade do mar de acordo com o tempo que pulsos sonoros emitidos levam para serem refletidos de volta até a superfície. Os nódulos de manganês da área alemã ficam a até 4.800 metros de profundidade.

Pedras negras


Deutschland Wissenschaft Meeresforschung Manganknollen in verschiedenen Größen

Nódulos de manganês em diversos tamanhos (a primeira caixa no alto está vazia)

A Alemanha é um país pobre em recursos naturais, dependente das importações. Cobre, níquel e cobalto chegam a ser 100% importados. "Todo passo rumo à independência é bem-vindo", diz Eugen Weinberg, especialista em commodities do banco Commerzbank. Mas a Alemanha ainda precisa ter paciência, pois, por enquanto, possui apenas uma licença para investigar o território arrendado no Pacífico. O contrato de exploração entrará em vigor somente em 2021.

Na área alemã no cinturão, há cerca de 8 milhões de toneladas de cobre e 10 milhões de toneladas de níquel – o que supriria a demanda do país por cobre por seis anos e a por níquel por até 80 anos. Enquanto o cobre é utilizado principalmente na indústria elétrica e mecânica, o níquel é empregado no refinamento de aço.

Deutschland Wissenschaft Metallvorräte Kastengreifer

O Kastengreifer, usado para explorar o fundo do mar

Os nódulos de manganês no solo do Pacífico não são uma descoberta recente, estando no alvo de cientistas alemães há 30 anos. Mas, naquele tempo, não se dava muita atenção às "pedras negras", pois os preços dos metais despencaram no início dos anos 1980 e uma exploração tecnicamente complexa não valia a pena para a indústria.

No entanto, as pesquisas realizadas naquela época não foram em vão. Inúmeros mapas do solo marinho foram traçados e amostras dos nódulos de manganês foram analisadas – o que, segundo Kuhn, deu uma certa vantagem ao seu grupo de pesquisa.

Patrimônio da humanidade

O solo oceânico e seus recursos são patrimônio comum da humanidade, de acordo com a Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Direito do Mar, realizada em 1982 e em vigor desde 1994. Isso significa que, fora as regiões de mar territorial e as zonas econômicas, o solo marinho não é propriedade de ninguém.

ISA administra o fundo do mar em águas internacionais

ISA administra o fundo do mar em águas internacionais

Mas essa terra de ninguém tem um administrador: a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA, na sigla em inglês) – organização autônoma criada em virtude da Convenção da ONU sobre Direito do Mar de 1982, com sede na Jamaica. Desde 2001, a ISA decide sobre reivindicações de Estados e empresas privadas que pedem licenças de exploração, concedidas por 15 anos. Atualmente, sete países e um consórcio possuem o direito – entre eles Índia, Rússia, China e Coreia do Sul.

Os primeiros licenciados já poderão começar a exploração a partir de 2016. Mas, segundo Kuhn, isso não preocupa os demais países. Ainda não está totalmente claro se a exploração de fato terá início daqui a cinco anos, pois não há uma tecnologia de exploração segura que possa garantir que o manganês seja extraído do fundo do mar continuamente e de maneira confiável por mais de 20 anos. "Apesar dos esforços dos sul-coreanos e dos indianos, que querem desenvolver a tecnologia de exploração, só se conseguiu testar os sistemas a 2 mil metros de profundidade. Estamos longe dos 5 mil metros", diz Kuhn.

Uma licença de exploração pode ser solicitada por qualquer um que prove possuir "capacidade técnica e financeira para explorar a área durante 15 anos", explica Michael Lodge, do ISA. Mas explorar o solo marinho do Pacífico não é de graça: cada licenciado precisa desembolsar 250 mil dólares.

Custo ambiental

A exploração dos nódulos de manganês vem acompanhada de riscos e efeitos colaterais. Sobre o solo marinho, não há apenas as "pérolas negras", mas também algas e animais. Biólogos marinhos e organizações ambientais preocupam-se com os danos que a exploração comercial possa trazer ao meio ambiente.

"A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos teria que ter demarcado áreas de conservação e de proteção permanente maiores", critica Stephan Lutter, da organização ambiental WWF. "Há o risco de os países emergentes e empresas privadas passarem por cima das normas ambientais para servir aos lucrativos mercados de metais preciosos no curto prazo", alerta o especialista.

Autora: Rayna Breuer (lf)
Revisão: Alexandre Schossler