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Mundo

Alemanha exige que Turquia reconheça massacres contra armênios

Há 90 anos começou o "primeiro genocídio do século 20": a morte de 1,5 milhão de armênios no Império Otomano. Parlamento alemão exorta Turquia a admitir o crime e desculpar-se perante as vítimas.

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Armênios massacrados durante a 1ª Guerra

Os armênios têm uma longa história de dominações. Após séculos sendo sucessivamente governados por assírios, romanos, turcos e russos, esse povo fundou seu próprio Estado somente em 1991, com o colapso da União Soviética. O país ao leste da Turquia tem 3,2 milhões de habitantes, e os armênios são a minoria étnica mais forte na Geórgia (400 mil). A diáspora abarca desde o Oriente Médio até a América do Norte, onde pelo menos 600 mil encontraram nova pátria.

No final do século 19, viviam 2,5 milhões de armênios no Império Otomano, hoje Turquia. Após o início da Primeira Guerra Mundial, o reino otomano passou a considerá-los elementos estrangeiros perigosos, aliados da Rússia e da Inglaterra. E assim iniciou-se o que, do ponto de vista armênio, foi "o primeiro genocídio do século 20": entre 1915 e 1917 a Turquia expulsou quase 1,8 milhão deles, em direção à Síria e ao Iraque. As deportações começaram em 24 de abril de 1915, na capital armênia, Yerevan.

Papel da Alemanha nos massacres

Segundo historiadores, 1,5 milhão de cristãos armênios morreram durante a deportação, em parte por doenças ou fome, enquanto a Turquia sustenta que o número de mortos não passou de 200 mil. A Comissão de Direitos Humanos da ONU classificou como genocídio os atos de crueldade contra o povo armênio, uma decisão que já foi ratificada por 15 nações, entre eles a França, Suíça e Holanda. Já a Alemanha tem assumido uma linha mais cautelosa, sobretudo devido aos 2,5 milhões de cidadãos turcos que residem no país.

Por ocasião dos 90 anos do início do massacre, o Parlamento alemão (Bundestag) aprovou uma resolução, onde evita o termo "genocídio", substituindo-o por "expulsão e massacres". O documento elaborado pela União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU) e modificado por uma comissão parlamentar, porém, exige da Turquia que aceite as ações contra o povo armênio como parte de sua história e se desculpe diante dos descendentes das vítimas.

Nessa resolução, a Alemanha reconhece uma participação limitada nos massacres durante a Primeira Guerra: "O Bundestag se desculpa diante do povo armênio". Na época, o país era aliado do Império Otomano, que antecedeu a República da Turquia. "Em parte por aprovação, em parte pela falha em adotar medidas efetivas, houve uma co-responsabilidade alemã no genocídio", admitiu Gernot Erler, do Partido Social Democrata (SPD).

Conseqüências para as relações teuto-turcas

O embaixador turco na Alemanha, Mehmet Ali Irtemçelik, condenou a resolução, acusando "inúmeros erros fatuais". Além disso, ela teria sido redigida "em acordo com esforços de propaganda de armênios fanáticos". Irtemçelik interpreta as expulsões como um ato de "autodefesa", já que durante a Primeira Guerra Mundial milícias armênias atacaram o exército otomano atrás das fronteiras, acreditando que se tornariam independentes dentro em breve.

Armenien - Gedenken in Eriwan

Cerimônia na capital Yerevan em memória das vítimas do massacre de 90 anos atrás

Determinados clãs, eles próprios vítimas de massacres por parte dos armênios, aproveitaram-se das relocações para realizar atos de vingança. Essa "catástrofe" haveria custado a vida "centenas de milhares" de armênios, explica o diplomata turco.

Segundo ele, não consta das tarefas dos parlamentares julgar acontecimentos históricos. Mehmet Irtemçelik advertiu quanto às conseqüências da resolução parlamentar para o relacionamento teuto-turco. O documento chega num momento delicado, já que as negociações para o ingresso da Turquia na União Européia estão marcadas para outubro.

Diante da pressão internacional, o chefe de governo da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, enviou recentemente uma carta ao chefe de Estado da Armênia, Robert Kotcharian, propondo a criação de uma comissão conjunta para investigar os massacres.

Vários líderes políticos europeus têm exigido da Turquia "um exercício de memória", afirmando que a questão armênia é um dos assuntos que Ancara deve resolver antes da abertura das negociações de ingresso na União Européia.

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