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Economia

Alemanha está atrasada na banda larga

Especialistas dizem que Alemanha é "país em desenvolvimento" na internet de banda larga, ocupando um dos últimos lugares na União Européia. Governo pede mais investimentos e concorrência no setor.

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Em se tratando de acesso rápido à internet, a Alemanha é uma tartaruga. Pelo menos é esta a impressão deixada pela chamada "cúpula da banda larga", durante a CeBIT 2005, de 10 a 16 de março em Hannover. "A Alemanha precisa avançar nesse setor, em que está atrasada na comparação internacional. Entre os 25 países-membros da União Européia, ocupamos um dos últimos lugares", disse o presidente da Cisco alemã, Andreas Dohmen.

"É um pouco triste ver a Alemanha sendo citada junto com Portugal ou Grécia", acrescentou a analista Ariane Afrough, da consultora IDC. Ela ressaltou que a Alemanha ainda se destaca com um grande número de usuários, "mas isso se deve ao mercado nacional (a T-Online é o maior provedor de internet da Europa) e não ao estágio de desenvolvimento da banda larga no país".

Segundo a IDC, apenas 13% dos lares alemães dispõem de ligações DSL, enquanto esse percentual na Coréia do Sul supera os 70%. A média européia é de 20%, segundo um estudo da Forrester Research.

"Homens apaixonados pela tecnologia"

Os analistas da Forrester Niek van Veen e Lars Godell compararam os 19% de crescimento do mercado alemão de banda larga em 2003 com os 81% de crescimento na Europa Ocidental no mesmo ano. "Na Alemanha, foi um crescimento anêmico em 2003 e 2004", afirmaram. Segundo eles, o mercado alemão ainda é determinado por "homens apaixonados pela tecnologia, não se desenvolvendo além desses pioneiros do consumo".

Telekom in Hannover

Símbolo da Deutsche Telekom na CeBit 2005

Um dos motivos do atraso na banda larga alemã, segundo os peritos, é a falta de uma alternativa séria para concorrer com a tecnologia da ex-monopolista Deutsche Telekom. "Países com alto índice de uso da banda larga, em geral, têm uma boa mistura de várias tecnologias. Além de DSL, também usam a TV a cabo e a fibra óptica para transmissão de dados, que são bem mais potentes. Falta uma concorrência entre as tecnologias de acesso na Alemanha", disse Dohmen.

Segundo Afrough, a venda das redes de TV a cabo foi a última esperança de gerar uma concorrência ao DSL da Deutsche Telekom, mas isso também fracassou. Somente agora, com a possibilidade de revenda de acessos (reselling) de DSL, começam a surgir firmas que disputam o mercado da Telekom, o que já provocou uma queda dos preços.

Negócio lucrativo

Mas não é só o preço que determina a demanda de acessos de banda larga, e sim também os serviços oferecidos. Dohmen considera a internet de banda larga lucrativa, principalmente para venda de músicas e vídeos, mas também para telefonia via rede (VoIP). Ele explica que essa tecnologia permite aos provedores oferecer um pacote de serviço triplo: acesso à internet, telefone e TV, de uma só mão, a preços baixos.

"A Telekom terá um forte interesse em oferecer novos serviços. E com issso haverá crescimento do mercado", disse o presidente da Sun Microsystems alemã, Marcel Schneider. A Telekom planeja, por exemplo, oferecer programas de escritório para serem usados via internet, sem que precisem ser instalados nos PCs individuais.

A Forrester prevê que, daqui a cinco anos, 44% dos lares alemães terão um acesso de banda larga, superando inclusive a média européia de 41% prevista para 2010. Essa previsão baseia-se no provável aumento das vendas da Telekom, numa queda de preços, mais campanhas de marketing sobre a banda larga e na oferta de novos serviços com essa tecnologia.

O ministro da Economia, Wolfgang Clement, criticou a falta de concorrência e pediu mais investimentos da indústria neste setor, na esperança de que isso ajude na recuperação econômica do país. A meta do governo é que em 2010 metade dos alemães tenham acesso de banda larga em casa. Clement também pediu mais transparência na política de preços das empresas que prestam esse serviço.

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