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Eleição na Alemanha

Alemanha e o perigo da crise de governabilidade

Após perder espaço nas pesquisas eleitorais, Angela Merkel tenta evitar grande coalizão com o SPD de Schröder. Ela diz que o país pode ficar ingovernável sem um direcionamento político claro.

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Os adversários: aperto de mão para fotógrafos

A vitória da candidata da aliança CDU/CSU ao governo alemão, Angela Merkel, que parecia certa até duas semanas atrás, parece estar lhe escorrendo por entre os dedos. Na Alemanha, o assunto da hora é o crescimento do atual chanceler federal, Gerhard Schröder, nas pesquisas eleitorais e a possível necessidade da formação de uma "grande aliança" que uniria os adversários históricos SPD e CDU. A união será necessária se nenhum dos dois partidos, juntamente com seus coligados, conseguir maioria absoluta no Parlamento.

Os alemães vão às urnas no próximo domingo (18/09). Os eleitores escolhem o chanceler federal apenas indiretamente, pois votam em um representante distrital e em um partido de sua preferência – metade das cadeiras do Parlamento é ocupada de acordo com voto no candidato distrital e o restante é dividido pela escolha da legenda. O partido que obtiver maioria (sozinho ou por meio de aliança) pode indicar o chefe de governo. A Alemanha tem 61,9 milhões de eleitores. Nas últimas eleições gerais, em 2002, a taxa de comparecimento foi de 79%, apesar de o voto não ser obrigatório.

Mudança repentina?

Wahl Fernsehduell Merkel - Schröder Live in Fernsehen

Debate: Schröder foi melhor

Mas, se a vitória estava nas mãos de Merkel, o que causou a repentina mudança de humor dos alemães? De acordo com analistas políticos, foram os erros estratégicos da aliança CDU/CSU. Entre os passos em falso da mulher descrita como a "Margaret Thatcher da Alemanha" estão a má performance no debate televisivo que foi ao ar há dez dias e a insistência em colocar Paul Kirchhof no cargo de ministro das Finanças, apesar dos protestos de muitos tradicionais eleitores do CDU.

Ex-juiz e especialista em impostos, Kirchhof é uma figura um tanto excêntrica. Ele propôs publicamente uma reforma radical na política tributária, que incluiria a criação de uma taxa de impostos fixa de 25%. Além disso, afirmou que o país precisa de uma intensa reforma tributária, que incluiria um sistema de poupança obrigatória. Ambas as propostas não constam do programa de governo do CDU. A equipe de Schröder logicamente transformou o eventual ministro das Finanças de Merkel em alvo de críticas.

Enquanto o CDU metia os pés pelas mãos, Gerhard Schröder – visto como boa-praça e carismático – teve um desempenho tranqüilo no confronto televisivo, que foi acompanhado por mais de 20 milhões de telespectadores. Além disso, ele conseguiu convencer muitos alemães de que a situação do país não é tão ruim assim. A economia tem dado alguns sinais de recuperação, apesar de o desemprego ainda não ter cedido – o país tem 5 milhões de pessoas sem trabalho, o maior índice desde 1945.

Resultado indefinido

Wahl Fernsehduell Merkel - Schröder Live in Fernsehen

Eleição: circo da mídia

As últimas pesquisas mostram a aliança CDU/CSU com 40,5% das intenções de voto, contra 34,5% do SPD de Schröder. No caso de alianças, cada partido contabilizaria mais 7 pontos percentuais referentes aos votos para o Partido Liberal (FDP) – que migrariam para a chapa liderada por Merkel – e do Partido Verde – que se aliaria com Schröder. Isso deixaria Merkel com 48,5% e Schröder com 41,5%. Sobrariam os votos do Partido de Esquerda, que tem cerca de 8% das intenções de voto.

Schröder teria a possibilidade de ganhar a eleição caso permitisse uma aliança com o Partido de Esquerda – entretanto, ele já afirmou que essa possibilidade não existe. Com a situação se mantendo do jeito que está, a tendência inevitável é a grande coalizão entre SPD e CDU. A candidata democrata-cristã já afirmou à imprensa que considera a aliança dos grandes partidos do país inviável a longo prazo. Segundo Merkel, a coalizão dos grandes levaria a um novo pedido de eleição extraordinária em pouco tempo.

Apenas uma vez na história da Alemanha ocorreu uma aliança entre CDU e SPD. A experiência durou três anos, de 1966 a 1969 – e a união, de acordo com analistas políticos, deixou boas heranças. Foi durante o governo da grande coalizão que as bases do crescimento da liberdade social na Alemanha foram criadas. Da mesma forma, o fim dos anos 60 também marcou a criação de uma política voltada para a Europa Oriental.

Mercado: todas as possibilidades

Börsen-Symbol Bulle

Mercado financeiro: Merkel é a preferida

Apesar da queda nas pesquisas, Angela Merkel é claramente a candidata preferida do mercado financeiro. As recentes incertezas sobre sua vitória deixaram investidores ansiosos. Um governo do CDU com maioria parlamentar é claramente o resultado preferido pelo mercado, de acordo com Lucy Hartiss, analista da consultoria Capital Economics. O CDU é associado com mais flexibilidade no mercado de trabalho, redução da burocracia, criação de um sistema de tributos simplificado e crescimento do investimento estrangeiro na Alemanha.

Entretanto, Schröder também não é visto como uma opção ruim: "Até porque foi neste governo do SPD que a economia começou a dar a virada positiva", avalia Hartiss. "Seria irônico se Schröder pagasse o preço eleitoral pelos custos de curto prazo das reformas econômicas que vão trazer benefícios de longo prazo", ressaltou a analista.

Ela faz coro com os cientistas políticos que avaliam positivamente a grande coalizão 1966–1969: "A história mostra que a grande aliança não é uma idéia ruim. A coalizão do fim dos anos 60 tirou a economia de uma recessão e implementou reformas nos setores econômico e financeiro", lembra Hartiss.

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