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Economia

Alemanha e França redistribuem poder na EADS

Alemanha e França redistribuem responsabilidades na EADS, pondo fim à polêmica presidência dupla do conglomerado aeroespacial. Pendências em relação ao quadro de acionistas deverão ser esclarecidas depois.

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Thomas Enders e Louis Gallois terão tarefas novas

A Alemanha e a França encerraram sua disputa pela liderança do conglomerado aeroespacial e armamentista EADS. Com a decisão surpreendente de nomear um francês para a presidência da EADS e um alemão para a da subsidiária Airbus, o grupo europeu deixa de ter uma dupla chefia franco-alemã.

O francês Louis Gallois passa a presidir sozinho a EADS; o alemão Thomas Enders, assume o comando da Airbus. Ambos exerciam até agora a dupla chefia da EADS, sendo que a Airbus estava nas mãos de Gallois. O vice de Enders é o francês Fabrice Bregier, responsável pelo programa de saneamento da Airbus. O executivo Rüdiger Grube, membro do conselho de administração da DaimlerChrysler, foi nomeado presidir o conselho de administração da EADS.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, reunidos nesta segunda-feira (16/07) em Toulouse para selar essas medidas, se mostraram satisfeitos com a decisão. "Encontramos uma estrutura de liderança eficiente, equilibrada e justa. Trabalhamos muito para chegar a isso", declarou Merkel. A fim de que franceses e alemães se revezem nos três cargos, a decisão prevê um sistema rotativo com alternância de responsabilidades a cada cinco anos.

"Agora há um responsável para cada escalão", comentou Sarkozy: "Este é o êxito de um processo de decisão de anos; hoje é um grande dia para a EADS e para o eixo franco-alemão".

Adiadas pendências relativas a acionistas

Após terem selado a reestruturação administrativa e a redistribuição de cargos, alemães e franceses pretendem discutir pendências em relação ao quadro de acionistas. Segundo analistas econômicos, deverá ser criada uma ação especial ( golden share) com direito de veto para os governos alemão e francês.

Os maiores acionistas da EADS – a Daimler Chrysler, o grupo Lagardere, bem como os governos da Alemanha, França e Espanha – se mantêm compromissados com o grupo. Os demais cargos serão futuramente ocupados pelo princípio da competência, segundo ressaltou a empresa, mesmo que se mantenha a atual distribuição de países e acionistas fundadores.

Merkel und Sarkozy in Toulouse

Merkel e Sarkozy em Toulouse

Após o encontro com Sarkozy, em Toulouse, Merkel comunicou que a ampliação do capital é uma questão totalmente dissociada do pacto de acionistas. Embora isso ainda não seja urgente, pode ser que isso cause problemas nos próximos dois ou três anos, prevê Merkel.

Em 2010, vence a grande parte das despesas de dez bilhões de euros com o Airbus 350. Merkel não considera problemática uma eventual discrepância da participação do Estado francês na ampliação do capital da EADS, considerando que a Daimler Chrysler mostrou claro interesse em participar ativamente deste processo.

Na Alemanha, o resultado da longa negociação sobre a divisão de poder na EADS está sendo interpretado como uma vitória política de Angela Merkel. Afinal, a presidência da Airbus era cobiçada pela França.

Longa história empresarial em poucos anos

O conglomerado europeu do setor aeroespacial e de armamentos EADS surgiu da fusão da Daimler Chrysler Aerospace com a empresa francesa Aerospaciale Matra, selada em 1999. Ambas passaram a construir juntas aviões Airbus, helicópteros, mísseis Ariane e de outros modelos. Um ano depois, a indústria aeronáutica espanhola Casa entrou para o negócio. Temporariamente, a Airbus conseguiu superar a concorrente norte-americana Boeing, até que os atrasos na entrega do avião de grande porte A380 levaram o conglomerado a uma crise sem par.

Desde sua fundação, a EADS funcionou sob uma chefia dupla franco-alemã. Essa estrutura sempre foi alvo de severas críticas. Em 2006, panes na produção dos aviões de grande porte A380 e do modelo de longo alcance A350 causaram grandes prejuízos e obrigaram a empresa a adotar um rigoroso programa de saneamento, que culminou com a venda de fábricas e o corte de dez mil empregos. Esta crise foi decisiva para a reestruturação da chefia do grupo.

Tanto na distribuição de empregos e de cargos de responsabilidade do ponto de vista tecnológico, a política empresarial sempre observou o equilíbrio entre a participação alemã e francesa. A Daimler Chrysler detém, junto com um caonsórcio de bancos organizado pelo governo alemão, 22,5% das ações. Esta também é a participação conjunta do Estado francês e do grupo Lagardere. A Caisse de Depots, da França, detém 2,3%. O Estado espanhol controla 5,5%; o Vneshtorgbank, da Rússia, 5%; e o Emirado de Dubai, 3,1%. (sm)

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