Alemanha dá sinal verde para experiência contra aquecimento global | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 27.01.2009
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Alemanha dá sinal verde para experiência contra aquecimento global

Governo alemão vai prosseguir com o projeto de "fertilização" do oceano com sulfato de ferro, estimulando o crescimento de algas que absorverão dióxido de carbono. Grupos ambientalistas tentam deter o projeto.

default

Navio de pesquisa Polarstern jogará sulfato de ferro no Atlântico Sul

A Alemanha deu sinal verde para um plano de "fertilização" do oceano com nanopartículas de sulfato de ferro. A experiência prevê a utilização de cerca de seis toneladas da substância para "fertilizar" uma área de 300 km² no Atlântico Sul, como medida pra combater o aquecimento global.

A iniciativa – uma parceria entre Alemanha e Índia - é considerada controversa por muitos especialistas. Devido a seguidos protestos de ambientalistas, o Ministério alemão da Educação e Pesquisa havia ordenado a suspensão do plano para submetê-lo a uma revisão urgente.

Redução do efeito estufa

"Depois de um cuidadoso estudo de especialistas, estou convencida que não há objeções científicas ou jurídicas a este projeto", disse em comunicado a ministra alemã da Pesquisa, Annete Schavan, nesta semana. O projeto prevê, mais especificamente, a utilização de sulfato de ferro para promover o crescimento de fitoplâncton; este, por sua vez, consome e armazena dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa.

Os opositores do plano temem que a técnica de "fertilização" possa ter consequências nocivas. O ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, afirmou que o experimento "abala a credibilidade alemã e o papel de vanguarda do país em proteção da biodiversidade".

Polarstern

A "fertilização" com nanopartículas de sulfato de ferro será feita pelo navio oceanográfico Polarstern, do Instituto Alemão Alfred Wegener de Investigação Polar e Marítima (AWI). No dia 7 de janeiro, aproximadamente 50 cientistas de diferentes países partiram da Cidade do Cabo, na África do Sul, a bordo do navio de pesquisas , para iniciar o experimento.

A intenção é que o fitoplâncton assimile o ferro e se reproduza rapidamente, absorvendo o dióxido de carbono da superfície da água. Depois de mortas, as algas microscópicas acabariam depositadas no fundo do oceano como sedimento, onde o CO2 absorvido permaneceria armazenado. Assim, o oceano absorveria mais dióxido de carbono do ar, reduzindo o efeito estufa.

A eficácia desse método, no entanto, é questionada. Em abril de 2007, a revista científica Nature publicou resultados de um estudo realizado nas proximidades das ilhas Kerguelen, no sul do Oceano Índico, revelando que a utilização do sulfato de ferro seria entre 10 e 100 vezes menos eficaz do que os processos naturais, pois cerca de 90% do ferro lançado no oceano acaba se dispersando, sem produzir os efeitos esperados.

Leia mais