Alemanha cortará ajuda ao desenvolvimento a emergentes | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 31.10.2009
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Economia

Alemanha cortará ajuda ao desenvolvimento a emergentes

Novo ministro alemão da Cooperação Econômica e Desenvolvimento, Dirk Niebel, diz que potências econômicas como China e Índia não preenchem mais critérios para receber ajuda ao desenvolvimento.

default

Alemanha pretende transformar ajuda ao desenvolvimento em parcerias

Poucos dias após assumir o Ministério alemão da Cooperação Econômica e Desenvolvimento, o político liberal Dirk Niebel anunciou nesta sexta-feira (30/10) um novo curso para a ajuda alemã ao desenvolvimento.

Em entrevista exclusiva à DW-TV, Niebel disse que, em primeiro plano, as novas estratégias do governo vão girar em torno "da concentração dos recursos disponíveis, da fusão da ajuda técnica e financeira e da concentração em determinados países parceiros".

Essa concentração da ajuda ao desenvolvimento a somente determinados países implica que, no futuro, programas financeiros de incentivo e cooperação técnica com emergentes, através de organizações competentes, não deverá mais existir na forma como ocorre atualmente.

China e Índia

Stephan Bethe, porta-voz do ministério de Niebel, declarou nesta sexta-feira (30/10), em Berlim, que, "nesse contexto, o ministro deixou claro que cortará a ajuda ao desenvolvimento à China. A cooperação financeira com a China já havia sido abolida pelo antigo governo. Agora, a cooperação técnica também deverá se encerrar. Para tal, o orçamento de 2009 ainda prevê 27,5 milhões de euros".

O ministério deixou claro que todos os compromissos anteriores serão cumpridos e que os projetos em andamento serão concluídos. Mas novos projetos com a China não deverão mais ser aceitos. Além disso, no futuro, os 68 milhões de euros destinados à cooperação econômica com a Índia também não deverão mais existir, afirmou o porta-voz.

Promessa eleitoral

Deutschland Entwicklungsminister Dirk Niebel

Decisão de Dirk Niebel provoca críticas da oposição

Conforme nota divulgada por seu ministério, Niebel declarou que, "apesar da crise financeira, cumpriremos nossa obrigação de ampliar paulatinamente a ajuda pública alemã ao desenvolvimento. Para a Alemanha, o combate à pobreza é mais importante do que nunca. Ou seja, concentraremos nossos recursos, empregando-os de forma eficaz onde houver maior necessidade". Em entrevista ao jornal alemão Bild, Niebel afirmou que "potências econômicas como Índia e China não cumprem mais tais critérios".

O ministro não informou uma data exata para o encerramento da ajuda. Com o anúncio, Niebel cumpre uma promessa de sua facção, o Partido Liberal Democrático (FDP), de cortar ajudas estatais à China na ordem de 70 milhões de euros anuais.

"Populista e de pouca visão"

O anúncio do ministro foi duramente criticado pela oposição. A bancada do Partido Verde na Alemanha classificou de "populista e de pouca visão" a primeira decisão do ministro no novo cargo. "A abrangente cooperação em todos os campos políticos com países emergentes é insubstituível na solução de problemas globais como a crise climática, financeira e alimentar", explicaram representantes do partido.

O deputado da Esquerda, Michael Leutert, acusou o ministro Niebel de incompetente. Nas áreas de proteção climática e política energética, tal cooperação, segundo Leutert, é sensata e eficaz. O parlamentar explicou que, justamente através da cooperação econômica, é que se torna possível influenciar processos de reforma sociais.

Recomeço

Respondendo às críticas, o porta-voz do ministério, Stephan Bethe, declarou que, para o ministro Niebel, o fim da cooperação econômica com países emergentes como China e Índia deverá significar também um recomeço.

"Além disso, o novo ministro vai desenvolver novos conceitos de cooperação com países emergentes. Já no acordo de coalizão do novo governo entre conservadores e liberais, havia sido anunciado que a cooperação com os emergentes deveria ser transformada em parceria", acrescentou Bethe.

Tal parceria estratégica deverá se concentrar principalmente nos setores da Justiça, direitos humanos e proteção climática: um novo terreno para o trabalho de cooperação econômica e desenvolvimento exercido pela Alemanha. Em nível europeu, no entanto, esta já é uma fórmula antiga. Na UE, também são fechados acordos de parcerias bilaterais, válidos por muitos anos, com países emergentes.

Autor: Richard Fuchs / Carlos Albuquerque

Revisão: Soraia Vilela

Leia mais