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Economia

Alemanha, coopere!

Há alguns meses impera o rumor de que a Europa, especialmente a Alemanha, bloqueia as negociações entre a Argentina e o FMI. Na opinião dos argentinos, entretanto, o país já cumpriu a maioria das exigências impostas.

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Argentina quer recuperar credibilidade internacional

Cada vez que a Argentina informa que cumpriu os requisitos e se alegra com a perspectiva de um desfecho positivo das negociações, o Fundo Monetário Internacional (FMI) apresenta novas exigências. Agora, por exemplo, pediu que a Argentina programe um superávit comercial de 3,5% ao ano.

O ministro das Finanças argentino, Roberto Lavagna, revelou que esta exigência é inviável. Mesmo nos anos de bonança da economia argentina, no começo dos anos 90, o país jamais alcançou tal percentual.

A queda do poder aquisitivo e o desaparecimento de milhares de postos de trabalho impedem que se façam novos cortes sociais. Lavagna afirmou que, ao contrário dos governos anteriores, que concordavam com as exigências impostas pelo FMI sem refletir sobre sua viabilidade, o atual governo da Argentina pretende aceitar somente as exigências que acredita ser capaz de cumprir. O objetivo é recuperar a credibilidade argentina no mercado estrangeiro.

Alemanha, um osso difícil de roer

Em busca de apoio, o ministro das Finanças, Roberto Lavagna, fez um giro pela Europa. A principal meta da delegação é conseguir que os países europeus intercedam a favor da Argentina perante o FMI, para que a instituição aprove o plano argentino de renegociação de sua dívida pública externa.

A tarefa de Lavagna não é fácil. França, Espanha e Itália já demonstraram compreensão com a situação do país latino-americano e sinalizaram disposição em cooperar. Já a Alemanha parece ter adotado uma postura um tanto pessimista em relação à análise da situação argentina, embora o chanceler federal alemão Gerhard Schröder tenha assegurado seu apoio ao país frente ao FMI durante sua visita à Argentina em fevereiro deste ano.

Por outro lado, não se pode esquecer que durante a visita de Schröder se falou também e muito sobre as exigências de indenização por parte da Siemens. A Argentina cancelou um contrato milionário com a empresa alemã e até hoje corre o boato pelos círculos econômicos e do governo argentino de que este seria o motivo pelo qual Berlim não demonstra maior empenho em ajudar o país latino perante o FMI.

Outro aspecto relevante foi a declaração do ex-chefe do Banco Central Alemão, Hans Tietmeyer, dizendo que a Argentina era um país insignificante, o que em nada contribuiu para amenizar as tensas relações entre Alemanha e Argentina, embora a citação tenha sido desmentida posteriormente.

Um pouco mais de tempo

A Europa elogia a reabertura das contas correntes e das poupanças na Argentina, que haviam sido congeladas há cerca de um ano como medida de precaução contra a fuga em massa de capitais do país.

Os europeus também vêem com bons olhos as propostas para incrementar de forma escalonada os preços da eletricidade, do gás e da água, uma vez que as firmas privatizadas que administram estes serviços estão basicamente nas mãos de empresários franceses, espanhóis e italianos. Ao adotar tais medidas, Buenos Aires cumpre algumas das exigências impostas pelo Fundo Monetário Internacional e prova seriedade no tratamento da questão.

Apesar de a Argentina não ter conseguido honrar com o pagamento de uma dívida relativa a um crédito pendente com o Banco Mundial, que venceu há cerca de duas semanas, espera-se que o governo argentino e o FMI cheguem em breve a um acordo. Lavagna não cansa de repetir que seu país não deseja mais dinheiro e sim o rolamento da dívida.

O governo do presidente Eduardo Duhalde quer adiar até 2004 o vencimento da dívida de 18 milhões de dólares da Argentina com o FMI, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Até agora não há motivos para acreditar que tal solicitação seja estratégia para um futuro calote, pois somente este ano o governo argentino pagou dívidas no montante de 4 milhões de dólares.