Alemanha busca estratégia contra a crise de alimentos | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 22.04.2008
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Economia

Alemanha busca estratégia contra a crise de alimentos

Ministra de Cooperação Econômica sugere moratória dos biocombustíveis e fim dos subsídios para exportação de produtos agrícolas no combate à falta de alimentos.

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Ministra alemã quer apoio direto aos agricultores dos países pobres

O governo alemão pretende apresentar nos próximos meses uma estratégia para fazer frente à crise mundial e à escalada de preços dos alimentos. Para isso, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, determinou a constituição de grupos de trabalho em vários ministérios.

Heidemarie Wieczorek-Zeul

Wieczorek-Zeul: alimento é mais importante do que transporte

A ministra de Cooperação Econômica, Heidemarie Wieckzorek-Zeul, apresentou nesta segunda-feira (21/04) um plano de nove pontos. Ela reivindica, entre outras coisas, o fim do uso de cereais e oleaginosas para a produção de biocombustíveis.

Segundo a ministra, "o direito à alimentação tem mais peso do que o direito à mobilidade". A moratória duraria até que fossem desenvolvidas tecnologias que se comprovassem mais eficientes do que matérias-primas agrícolas.

Segundo o Instituto Internacional de Pesquisas de Políticas de Alimentos (Ifpri), de Washington, a demanda por biocombustíveis foi responsável por um aumento de 25% no preço dos cereais em 2007. O diretor-geral do instituto, Joachim von Braun, também defende a moratória.

Braun assinala que mais de 20 países em desenvolvimento já suspenderam suas exportações de alimentos para poderem atender à demanda interna, o que causou novos desequilíbrios no mercado mundial. Os países em desenvolvimento se prejudicam de forma mútua, salientou. Braun defende o uso de biotecnologia e de tecnologia genética para o aumento da produção agrícola.

Já o secretário-geral da ONG Ação Agrária Alemã, Hans-Joachim Preuss, adverte ser ilusão que a manipulação genética possa aumentar a produtividade e que, em conseqüência, os agricultores ganhem mais dinheiro. Segundo ele, métodos convencionais seriam mais eficazes, como o uso de variedades já desenvolvidas e o emprego de melhores sistemas de irrigação.

Incentivo desleal às exportações

Wieczorek-Zeul quer o aumento, o mais rápido possível, da produção de alimentos nos países pobres. Para isso, ela sugere o apoio direto aos pequenos produtores nos países em desenvolvimento e o fim de medidas protecionistas como as subvenções ou mesmo a proibição de exportações.

Horst Seehofer soll Agrarminister werden

Horst Seehofer: política deve preocupar-se mais com produção de alimentos

O incentivo às exportações faz com que alimentos importados estejam em vantagem em relação à produção local, argumenta ela. Também o ministro alemão da Agricultura, Horst Seehofer, voltou a exigir mudanças na política agrícola. A única saída da crise, segundo ele, é produzir mais alimentos, para que a comida "seja pagável".

Equilíbrio entre oferta e demanda

Apenas um terço da área cultivável no mundo é plantada, salientou o ministro alemão da Agricultura. Para restabelecer o equilíbrio entre oferta e procura, Horst Seehofer defende que "a produção de alimentos deve voltar a ser o foco central da política".

Seehofer apóia a manutenção dos subsídios da União Européia à produção agrícola, mas é contra as subvenções à exportação. Planos neste sentido estariam sendo analisados em Bruxelas.

Para o ministro da Agricultura, os biocombustíveis desempenham um papel muito pequeno no atual debate sobre o aumento de preços de alimentos. Apenas 1% dos 1,5 bilhão de hectares cultivados no mundo estariam sendo usados para o cultivo de matérias-primas para biocombustíveis.

Por outro lado, Seehofer reivindica que seja proibida a importação de biocombustíveis produzidos em áreas em que tenham sido derrubadas florestas tropicais.

Franz Fischler, ex-comissário de Agricultura da União Européia, considera um exagero deixar de produzir biocombustíveis como reação à crise de alimentos. Para ele, a especulação é responsável por 20% a 30% dos aumentos dos preços.

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