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Mundo

Alemanha busca apoio e mandato permanente

O ministro alemão Joschka Fischer reivindicou diante da Assembléia Geral uma ampla reforma da ONU e um mandato permanente para a Alemanha no Conselho de Segurança. O que foi prontamente rechaçado pela Itália.

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Fisher em Nova York: questão de reforma e não de prestígio

"Como o Brasil, a Índia e o Japão, também a Alemanha está disposta a assumir a responsabilidade ligada a um mandato permanente no Conselho de Segurança", afirmou o ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, no seu discurso frente à Assembléia Geral da ONU, nesta quinta-feira (23/09), em Nova York. Diante dos representantes de 191 países, Fischer ressaltou a urgência de uma profunda reforma na estrutura da Organização das Nações Unidas. Nesse contexto, ele sublinhou a reivindicação alemã de um mandato permanente no Conselho de Segurança.

A ofensiva da Alemanha, juntamente com outros três países – o Brasil, o Japão e a Índia, não recebeu apoio irrestrito, nem mesmo entre os europeus. Pelo menos para parte dos atuais 25 países-membros da União Européia, cultivam uma outra idéia: uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU para a UE como bloco. O representante poderia ser o espanhol Javier Solana, um dos nomes cotados para ser o futuro ministro das Relações Exteriores da UE. Contudo, a sugestão, que é vista com bons olhos por uns, causa verdadeiros arrepios em outros.

Defesa e ataque

Silvio Berlusconi

Premiê italiano Silvio Berlusconi

Do grupo de defensores da idéia faz parte, por exemplo, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi. Apavorado com a idéia de que além de França e Reino Unido, também a Alemanha tivesse sua cadeira (e a Itália não), o premiê arregaçou as mangas. Enviou um documento ao presidente norte-americano, George W. Bush (seu inegável aliado), com o pedido de que este fizesse de tudo para evitar qualquer espécie de reforma nas Nações Unidas que pudesse prejudicar os interesses italianos.

O representante da política oficial de Roma, ministro Franco Frattini, também discursou frente à Assembléia Geral nesta quinta-feira (23/09), rechaçando imediatamente a reivindicação alemã. Sem mencionar explicitamente a Alemanha, Frattini afirmou não acreditar "que os problemas do Conselho de Segurança possam ser resolvidos através da admissão de novos membros permanentes, através de nomeações e mandatos nacionais que não poderão mais ser anulados".

E os italianos não estão sozinhos. Também os Países Baixos preferem apostar na idéia de uma cadeira para a UE do que na vaga para a Alemanha. A intenção seria um "assento rotativo", preenchido através de um sistema de rodízio por todos os 25 membros do bloco. Uma sugestão severamente criticada pela equipe de Javier Solana, que é atualmente o delegado da UE para questões de política exterior.

Londres e Paris

Gipfel in Berlin Tony Blair und Jaques Chirac

Tony Blair e Jacques Chirac

Para varrer a idéia de uma cadeira européia de uma vez por todas, França e Reino Unido – que não têm o menor interesse em tal representação comum, por já serem membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – dão total e completo apoio às aspirações alemãs.

Segundo uma pesquisa realizada pela edição alemã do diário Financial Times, 15 países-membros da UE concordam com os propósitos de Berlim. Isso significa que o ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer, teria, pelo menos à primeira vista, uma maioria européia a seu favor.

Decisões multilaterais

UN Sicherheitsrat, UN-Sicherheitsrat

Singh, Koizumi, Lula e Fischer em Nova York

Após uma conversa de 35 minutos com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o premiê japonês Junichiro Koizumi e primeiro-ministro indiano Manmohan Singh, Fischer ressaltou, na última quarta-feira (22), que a reivindicação dos quatro países "é uma questão de reforma e não de prestígio de ser ou não um membro permanente", tendo defendido decisões "efetivas e multilaterais" na organização.

Joschka Fischer acentuou a importância do já chamado "Clube dos 4" – Alemanha, Brasil, Japão e Índia – na luta por cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.

"É de importância primordial que, em um mundo com oito bilhões de habitantes, ninguém se sinta excluído. E que não apenas alguns poucos países ricos tenham perspectivas de desenvolvimento, mas que estas sejam possíveis a partir de uma base sólida. A forma como isso será gerenciado no futuro e como instituições efetivas vão funcionar está em primeiro plano", observou Fischer após a reunião.

Longo caminho

Un Sicherheitsrat, UNO - Irakresolution

Conselho de Segurança da ONU

Das aspirações iniciais de seu Partido Verde, de conceder cadeiras no Conselho de Segurança da ONU a regiões do planeta e não a Estados separadamente – Fischer tampouco se despediu. Entretanto, até que uma reforma destas proporções seja mesmo levada a cabo, podem se passar vários anos. O atual projeto de mudanças já vem sendo arrastado há mais de uma década.

É provável que muita água ainda tenha que correr até que as estruturas antiquadas e viciadas de uma organização criada há quase 60 anos possam, enfim, ser saneadas. Ainda esta semana os representantes do "Clube dos 4" irão se reunir mais uma vez, com o objetivo de estabelecer estratégias comuns a serem defendidas. Provavelmente um longo é árduo caminho pela frente.

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