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Mundo

Alemanha aponta erros dos EUA na caça a Bin Laden

Terrorista teria "comprado sua liberdade". Conferência em Berlim discute desafios da política de segurança e perspectivas da indústria bélica. Terrorismo e conflitos internacionais esquentam mercado de armas.

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August Hanning, chefe do serviço secreto alemão

O presidente do Bundesnachrichtendienst (BND), serviço secreto alemão, August Hanning, apontou falhas do governo norte-americano na caça ao terrorista Osama Bin Laden, suposto mentor dos ataques aos EUA em 11 de setembro de 2001.

"O erro fundamental já foi cometido em novembro de 2001, quando se encarregou milícias afegãs de prender Bin Laden perto de Bora Bora. Na ocasião, o terrorista pôde comprar sua liberdade por muito dinheiro e, em seguida, montar uma infra-estrutura própria na fronteira entre Afeganistão e Paquistão", declarou Hanning, durante a Conferência sobre Política de Segurança e Indústria da Defesa, que acontece em Berlim.

Moderne Nachrichten-Grafik beim arabischen Fernsehsender Al Jazeera mit Osama bin Laden

Osama Bin Laden: terrorista continua sendo procurado

Os EUA têm insistido em que, na época, não estava claro se Bin Laden realmente se encontrava nos túneis da fortaleza afegã Bora Tora. Notícias divulgadas no fim de março passado, no entanto, confirmaram essa suspeita. Hanning também rebateu advertências dos EUA de que a ameaça decorrente de armas biológicas não deve ser subestimada. "A possibilidade do uso de armas biológicas por terroristas não assusta os peritos internacionais. Não há indícios recentes de que isso possa ocorrer", afirmou.

Crises aquecem mercado de armas

A ameaça do terrorismo é um dos desafios à política de segurança discutidos em Berlim. Os peritos estão preocupados também com a crescente corrida armamentista decorrente dos atuais conflitos nacionais e internacionais, principalmente na Ásia e África. Só na Ásia, apontam pelo menos dez focos de crise: Afeganistão, Índia/Paquistão, Nepal (maoístas), China/Taiwan, Butão, Mianmar, Laos, Tailândia (secessão), Sri Lanka e Indonésia.

Isso explicaria também por que o mercado armamentista asiático é considerado "o mais quente do mundo" no momento, não só devido às discussões sobre o fim do embargo europeu de armas à China. Segundo um estudo do Centro de Estudos da Segurança Ásia-Pacífico (APCS), entre 1990 e 2002 os países da região compraram equipamentos militares no valor de 150 bilhões de dólares. Só o Taiwan teria comprado armas no valor de 26 bilhões de dólares, nos anos 90, quase exclusivamente dos EUA.

Um levantamento publicado pelo jornal econômico Handelsblatt, organizador da conferência de Berlim, aponta os EUA como maior exportador de armas entre 1999 e 2003 (29,6 bilhões de dólares), seguidos pela Rússia (26,2 bi), França (6,4), Alemanha (5,2), Reino Unido (4,2), Ucrânia (2,2), Itália (1,7), China (1,5), Holanda (1,2) e Canadá (1,2 bilhão de dólares).

Os dez maiores importadores de armas, no mesmo período, foram a China (11,8 bilhões de dólares), Índia (7,8), Grécia (4,4), Turquia (3,5), Reino Unido (3,3), Egito (3,2), Taiwan (3,1), Coréia do Sul (2,9), Paquistão (2,5) e Arábia Saudita (2,4 bilhões de dólares).

Reformas da Otan e Bundeswehr

No momento, o mercado chinês é o mais cobiçado, mas o fim do embargo da UE não traria grandes negócios para a indústria armamentista da Alemanha. "A política armamentista alemã em relação à China é e permanecerá restritiva", afirma Klaus Friedrich, perito de comércio exterior da Confederação Alemã dos Construtores de Máquinas e Equipamentos (VDMA).

Mais promissores para a indústria alemã prometem ser as reformas da Bundeswehr (Forças Armadas) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). "A adaptação da Otan e da União Européia bem como a transformação da Bundeswehr são as duas faces da mesma moeda", disse o ministro alemão da Defesa, Peter Struck.

Em Berlim, foi criticado também o protecionismo dos mercados nacionais europeus na área da defesa. Assim, tudo indica que empresas alemãs terão preferência na privatização de serviços das Forças Armadas. O grupo Dussmann, por exemplo, deve passar a operar parte das 300 cozinhas da Bundeswehr, que gasta 700 milhões de euros por ano para alimentação das tropas.

Ainda nesta semana, o ministério alemão da Defesa deve anunciar uma decisão sobre o Herkules, maior projeto de privatização da Bundeswehr, em discussão há três anos e que envolve a área de tecnologia da informação militar. Analistas prevêem que um consórcio formado pela Siemens e a IBM tem boas chances de ganhar a concorrência.

Um outro projeto em discussão em Berlim é o desenvolvimento do sistema de defesa antimísseis (Meads) pela Alemanha. O Bundestag (Parlamento alemão) ainda não decidiu se o governo deve investir 900 milhões de euros já na fase de projeção do sistema, cujo custo total, dependendo da fonte, varia entre 2,75 e 12 bilhões de euros.

As discussões sobre as reformas tanto da Otan quanto da Bundeswehr, intensificadas desde o 11 de setembro de 2001, parecem estar chegando à fase decisiva e devem ter conseqüências drásticas para a indústria bélica da União Européia.

Segundo um estudo da Comissão Européia, a política restritiva de importação dos países-membros da UE para proteger seus mercados de armas, avaliados em cerca de 30 bilhões de euros, custa até três bilhões de euros por ano aos contribuintes europeus. A UE prevê que a derrubada de barreiras alfandegárias e a cooperação mais estreita entre os países-membros reduziria os gastos militares e traria, de tabela, maior concentração e mais competitividade internacional para a indústria bélica européia

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