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Alemanha

Alemanha a caminho da reforma no sistema de ensino

Pesquisa alerta: a pré-escola é importante dentro de um sistema de ensino. Segundo especialistas, o Estado deve oferecer mais vagas em creches e maternais e enviar as crianças o quanto antes para as escolas primárias.

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Poucos maternais e falta de atividades nos jardins-de-infância

Mais maternais, melhor formação de educadores e um ensino mais estruturado na infância são algumas das recomendações da equipe de sete especialistas que se debruçaram durante dois anos sobre um projeto de reforma do sistema educacional alemão.

O presidente da comissão, Thomas Rauschenbach, defende que o Estado passe a oferecer vagas nos jardins-de-infância para crianças a partir de dois anos de idade, ao contrário do que acontece hoje – vagas apenas a partir dos três anos. A partir de 2010, os pais deverão contar com vagas para seus filhos em maternais já a partir do nascimento. A necessidade é maior, acima de tudo, no oeste alemão, a região com menor número de vagas para crianças pequenas.

Escolas em tempo integral

Märchen Kinder Vorlesen

Outro alerta da comissão, que recebeu do governo a incumbência de sugerir novos rumos para o sistema educacional do país, é uma ampliação do número de escolas em tempo integral.

As propostas, observa Rauschenbach, não devem ser entendidas como uma intromissão do Estado em questões que dizem respeito à família, numa alusão direta à ideologia que reina em determinados círculos no país, de que uma criança, até completar os três anos de idade, não deve freqüentar a escola.

Neste caso, ela é mantida em casa – na grande maioria das vezes, em companhia da mãe, que, por sua vez, se vê impedida ou com dificuldades de exercer qualquer atividade profissional.

Mudança de cenário

Renate Schmidt

Renate Schmidt, ministra da Família

Outro ponto a ser modificado, segundo a comissão, é a redução da idade das crianças que iniciam a escola primária. Pois as exigências das crianças e dos jovens, analisa Rauschenbach, mudaram nas últimas décadas, com um sensível aumento de influências externas e complexas exercidas pelo meio ambiente. "Os pais nunca assumiram completamente sozinhos a tarefa de criar uma criança.

No passado, sempre houve um número de pessoas que auxiliavam na educação – tios e tias, avós, irmãos mais velhos. Houve uma mudança sensível neste sentido e precisamos reagir a isso", comenta a ministra alemã da Família, Renate Schmidt.

Filhos de imigrantes

Ausländer in Kreuzberg

Berlim: crianças descendentes de estrangeiros em jardim-de-infância

Os especialistas vêem a necessidade urgente de incentivar as crianças o quanto antes, inclusive aqueles que, para o governo, "não estão em condições" de auxiliar seus próprios filhos no aprendizado prematuro. A referência é aos filhos de imigrantes no país, que muitas vezes chegam à escola, aos seis ou sete anos de idade, sem falar alemão ou com dificuldades para entender o idioma.

Apenas no Estado da Renânia do Norte-Vestfália, 120 mil crianças descendentes de imigrantes foram enviadas à escola no último ano. Destas, 21 mil precisaram freqüentar de início um curso de alemão. No decorrer das aulas, o grau de dificuldade das crianças foi também bastante variado.

Silke Müller, diretora de uma escola em Bonn, observa que há uma série de preconceitos em relação a línguas estrangeiras, embora "o domínio de um outro idioma não seja necessariamente negativo". Para Müller, quando as crianças dominam perfeitamente uma outra língua, elas aprendem o alemão com rapidez.

"Por isso,aconselhamos pais estrangeiros a falar corretamente a língua materna em casa, mantendo-se atentos a que os filhos aprendam esse idioma corretamente. O problema é quando essas crianças falam em casa uma mistura, por exemplo, de alemão com turco", diz a educadora.

Posição desfavorável no ranking europeu

Kind mit Sonnenhut

Poucos maternais no país

A importância da pré-escola vem sendo cada vez mais discutida no país. Ao contrário de outros países da União Européia, os educadores alemães não precisam de um diploma universitário para exercer a profissão, mas apenas de uma formação profissional de três anos. "Os educadores nos nossos jardins-de-infâncias se vêem ainda como simples babás", comentou recentemente uma alemã no semanário Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung.

Em comparação a outros países europeus, a Alemanha ocupa uma posição nada favorável no ranking de sistemas educacionais, o que explica os desastres registrados pelos testes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), realizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Crianças nas nursery schools britânicas ou as écoles maternelles francesas têm muito mais capacidade de lidar com números e com o alfabeto, enquanto a Bélgica, a Itália e a Holanda possuem um programa de ensino definido, segundo o qual as crianças devem aprender na pré-escola a contar e em vários casos a ler.

Na Hungria e na Noruega, os jardins-de-infância dão às crianças e aos pais até mesmo várias opções dentro de uma mesma área, como por exemplo a possibilidade de escolher nas aulas de música entre o aprendizado de um instrumento ou a leitura de notas. Aos caixas do governo as mudanças previstas para o sistema educacional alemão devem custar em torno de 2,7 bilhões de euros.

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