Alemães se opõem à exigência de juízes profissionais feita por Blatter | Leia as principais notícias sobre o futebol internacional | DW | 07.12.2011
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Futebol

Alemães se opõem à exigência de juízes profissionais feita por Blatter

Presidente da Fifa, Joseph Blatter, ameaça não chamar juízes alemães para a Copa de 2014, no Brasil, se a Alemanha não profissionalizar a arbitragem. Declarações geram críticas de dirigentes esportivos no país.

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Blatter: "Esse problema os alemães têm de resolver"

O recente anúncio do presidente da Fifa, Joseph Blatter, de só chamar juízes profissionais para a Copa do Mundo, foi recebido com críticas na Alemanha, país onde os árbitros também exercem outras profissões.

"No que depender da Fifa, só utilizaremos árbitros profissionais na Copa do Mundo de 2014", afirmou Blatter em entrevista ao jornal alemão Bild. Ele já havia feito declaração semelhante ao site da Fifa.

"Não é possível que o juiz, no dia seguinte ao jogo, tenha que retornar à sua escrivaninha", disse o dirigente suíço. "Os árbitros precisam de segurança e contratos profissionais sólidos. Além disso, dessa forma são mais respeitados pelos torcedores e pelos jogadores", afirmou Blatter.

"Se você comete dois ou três erros, não é mais chamado para apitar jogos. Você é pago por jogo. E o árbitro começa a temer por sua existência", acrescentou. "Esse é um problema que os alemães têm que resolver. Os italianos, franceses e ingleses já fazem a coisa da forma certa."

Resistência alemã

Herbert Fandel Zivil

Fandel: árbitros profissionais têm desempenho pior

A cobrança de Blatter enfrenta resistência maciça na Alemanha, onde, tal como no Brasil, os árbitros não são profissionais, mantendo, paralelamente, uma segunda fonte de renda. "Temos que nos perguntar se essa é mesmo a cura para todos os males", comentou Herbert Fandel, presidente da comissão de arbitragem da Federação Alemã de Futebol (DFB), lembrando que Blatter já havia feito a mesma ameaça após a Copa de 2010.

"A análise mostrou que o desempenho mais fraco foi apresentado justamente pelos árbitros que eram profissionais em seus países", argumentou Fandel. O ex-árbitro da Fifa discorda de Blatter. "Cada um dos árbitros na Alemanha tem a possibilidade de organizar sua vida como bem entende e de ter uma segunda fonte de renda", afirmou. "Isso diminui a pressão sobre os juízes", explicou.

Segundo Fandel, o árbitro que, no final do campeonato, tiver que fazer uma pausa devido a contusões ou outros problemas físicos sofre mais pressão do que aqueles que dispõem de uma segunda profissão.

O presidente da DFB, Theo Zwanziger, também manifestou ceticismo em relação à exigência de Blatter. "Eu fiquei sabendo que o presidente da Fifa quer falar comigo nos próximos dias para que os alemães adotem os juízes profissionais. Uma discussão muito atual, na qual há opiniões bem distintas. A questão não é se alguém é amador ou profissional. A questão é se ele é bom. E aí é possível ter opiniões diversas", declarou Zwanziger à emissora Hessischer Rundfunk.

O ex-jogador Karl-Heinz Rummenigge, presidente do conselho diretivo do Bayern de Munique, também não concorda com Blatter. Ele não acha que a profissionalização dos juízes vá necessariamente torná-los melhores e considera também a carreira curta dos árbitros como um empecilho à profissionalização. "Se o juiz profissional só pode atuar até os 45 anos, o dinheiro que ele ganhou não vai ser suficiente para mantê-lo até o final da vida", disse Rummenigge.

MD/sid/dpa
Revisão: Alexandre Schossler

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