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Cultura

Alemães se fantasiam para o fim da saga Star Wars

Vestido de Jedi, Darth Vader, R2D2 e outros personagens, Alemanha assiste à estréia do Episódio III: A Vingança dos Sith, o último filme da consagrada série iniciada há quase três décadas.

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Pré-estréia movimentou o país

Febre no Brasil, febre na Alemanha. Febre mundial, a saga Star Wars, de George Lucas, iniciada em 1977, apresenta ao público alemão a partir desta quinta-feira (19/05) o último filme de sua série – Episódio III: A Vingança dos Sith.

A pré-estréia, na quarta-feira, em Berlim e em outros centros do país, atraiu a atenção nacional. Mas poucos privilegiados, vestidos a caráter, tiveram acesso às salas de cinema que projetaram o filme.

BdT: Die Schauspielerin Natalie Portman ist in Berlin, Premiere Star Wars

'Princesa Amidala' esteve presente

O diretor e alguns protagonistas, como Christopher Lee, Natalie Portman e Hayden Christensen, acompanharam a projeção em um cinema da Potsdamer Platz – diversas cenas foram interrompidas pelos aplausos e vibração dos espectadores.

Em Colônia, na Renânia do Norte-Vestfália, apenas 550 pessoas conseguiram ingressos. Formaram-se filas de Dart Vaders, Jedis, R2D2's e outros personagens da série.

Na Alemanha, o filme será mostrado em mais de mil salas de cinema, e as entradas estão quase esgotadas. "Esperamos que seja o filme de mais êxito do ano", disse um porta-voz da distribuidora Twentieth Century Fox.

30 anos de guerra espacial

O capítulo final da série oferece ao público respostas para perguntas que não se calaram durante as últimas três décadas: Como Anakin Skywalker se converteu em Darth Vader? Por que Obi Wan vive como um eremita perto da granja de Luke? Por que o Mestre Yoda vive em seu planeta pantanoso?

US-Regisseur George Lucas in Berlin zur Premiere seines Film Star Wars

George Lucas: criticado por uns, adorado por outros

Tais respostas fecham o círculo entre os três primeiros filmes e a última trilogia. "Terminou a tragédia de Darth Vader", declarou George Lucas, que aproveitou para dar um conselho ao público alemão: "O egoísmo não tem sentido".

A saga Star Wars termina quase 30 anos depois de ser iniciada, no final da década de 70. Gerações inteiras atravessaram como crianças os anos da primeira trilogia e agora, como adultos, assistem ao final da série com os seus filhos. Uma espécie de fenômeno social para os que seguem a "filosofia Jedi" de honra à justiça contra a tentação do lado obscuro do poder.

Star Wars Combo

Combo, em Episódio III: 'A Vingança dos Sith'

Máquina de narração e merchandising

Star Wars "é uma mitologia sintética, estranhamente a-religiosa, que gira em torno de um nefasto nada chamado poder", afirma a revista Der Spiegel. Mas a saga também sempre foi, antes de mais nada, uma máquina de merchandising. Só os produtos licenciados já renderam nove bilhões de dólares, fora os US$ 3,5 bilhões arrecadados com os cinco filmes anteriores nas bilheterias de cinema. "Pode ser difícil, nas próximas semanas, voltar das compras sem trazer um produto Star Wars para casa", prevê a revista.

Já o diário Frankfurter Allgemeine Zeitung tem uma avaliação mais otimista . "Todos os que quiseram ver em George Lucas, após os dois últimos filmes da série, um diretor frio e calculista, que só tem senso para efeitos de computador e não para melodramas, vão pensar diferente após verem a conclusão de sua obra", escreve o crítico de cinema do jornal.

Mito cinematográfico e neurose

O semanário Die Zeit recorreu ao psicanalista Sigmund Freud para tentar explicar o mito que envolve a obra de Lucas. "Diz-se que a narração é uma função da neurose e, por outro lado, o melhor remédio para combatê-la. A neurose, por sua vez, costuma ser descrita como bloqueio ao desenvolvimento: a vítima não consegue se livrar de vez de algo ou alguém. Narrar seria uma forma de superar o problema. Assim, cria-se uma ordem simbólica, fechando-se o cerco às suas perturbações. É uma medicina precária: o que promete cura e recomeço, pode facilmente agravar a doença, gerando uma nova dependência. Após a neurose, o paciente pode se emaranhar na narração de sua doença. Especialmente, se ela for propagada via multimídia, de modo onipresente, e protegida por uma comunidade fiel como culto contra a blasfêmia e a heresia. É o que acontece com uma máquina de narrar como a Star Wars", afirma o semanário.

A saga – acrescenta o Die Zeit – não ocultou sua origem na neurose e não conseguiu superá-la ao longo de seus 30 anos. "Em compensação, fascinou pessoas de diferentes culturas e gerações e, de tabela, rendeu alguns bilhões de dólares. [...] Foi com o primeiro filme da série que, em 1977, muitas pessoas descobriram o cinema. Para outros, esse ridículo filme infantil que, no entanto, tinha uma enorme energia inovadora, representava a morte do cinema moderno."

A obra de George Lucas é polêmica e seu prometido fim causa melancolia em muitos cinéfilos. "Não que seja necessário se despedir de um sonho e, sim, porque, apesar de todas as caixas de surpresa repletas de efeitos digitais, uma coisa fica evidente: no mercado mundial da cultura pop não se pode narrar algo que não tenha nada a ver com velhas neuroses ou novas guerras", conclui o Die Zeit.

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