Alemães só querem três países do Leste Europeu na UE | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 23.10.2002
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Alemanha

Alemães só querem três países do Leste Europeu na UE

Divulgado relatório sobre a receptividade em relação aos futuros países–membros da União Européia. Na Alemanha, a resistência contra a aceitação do Leste Europeu é maior do que no resto da comunidade.

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Bandeiras nacionais ainda falam mais alto que UE

A Comissão Européia realizou em abril e maio deste ano uma enquete para sondar a opinião dos europeus sobre o ingresso dos países do antigo bloco socialista na comunidade e sobre o euro. Após a divulgação dos principais dados da enquete, no início de julho, a Comissão apresenta agora um relatório detalhado sobre os resultados nos diversos países.

Se fosse depender da vontade dos alemães, a expansão da União Européia para o Leste do continente seria bem reduzida: só três países receberam mais "sim" do que "não" na enquete. O futuro país-membro mais bem aceito pelos alemães, com 53% de votos favoráveis, é a Hungria, que conta na Alemanha com uma receptividade bem maior do que no resto da União Européia.

"Sim" a húngaros, tchecos e malteses

Além disso, os alemães favorecem o ingresso de Malta e da República Tcheca. "Pelo simples fato de que conheço a República Tcheca e sei que ela preenche os critérios, desconhecendo razões que deponham contra seu ingresso", justifica uma entrevistada.

Quanto à Polônia, o ceticismo já é bem maior: 45% dos alemães são contra a aceitação do país vizinho na União Européia, enquanto 40% favorecem seu ingresso. No entanto, no leste da Alemanha, onde a receptividade em relação aos novos membros geralmente é bem maior do que na parte ocidental do país, a Polônia tem mais votos favoráveis que desfavoráveis.

Em compensação, o ceticismo dos alemães do oeste é bem maior: "Não tenho tanta ceteza de que a Polônia tenha condições de ingressar. Acho que a questão das subvenções agrícolas ainda vai causar briga", diz um outro entrevistado. Há, no entanto, quem encare com a maior naturalidade a incorporação da Polônia na comunidade: "Eu nem mencionei a Polônia, pois é evidente que ela já pertence à Europa. Temos contato com o país há tanto tempo... Não só relações econômicas: muitos poloneses vivem entre nós, desde antes da guerra, de modo que, para mim, eles já estão dentro".

"Não" à Polônia, Bulgária, Romênia e Turquia

Os alemães do leste também aceitariam de bom grado o ingresso de Chipre e da Eslováquia, uma tendência igualmente reconhecível no resto da Europa. Os países bálticos, por sua vez, também têm um certo prestígio. Apesar de a Estônia, Letônia e Lituânia contarem com a antipatia de 42% dos alemães entrevistados, para 37% das pessoas este países seriam bem-vindos na UE: "Acho que, apesar das dificuldades, eles sempre se esforçaram por avanços democráticos e econômicos. Além disso, eles já estão ligados geograficamente à Escandinávia, representando uma boa chance de criar um espaço europeu em torno do Mar Báltico".

Os últimos países na lista de preferência dos alemães são a Bulgária, a Romênia e a Turquia. Em todos os casos, 50% dos alemães são contra seu ingresso na União Européia. "Não teria nada contra a entrada da Bulgária e da Romênia", afirma uma entrevistada, "embora não tenha certeza se este seria o momento certo, considerando sua própria situação econômica. Estive lá neste verão e sinceramente não sei se as enormes dificuldades econômicas seriam solucionadas ou apenas acorbertadas com seu ingresso na UE. Quanto à Turquia, de jeito nenhum, até que se resolva o problema com os curdos."

Em geral, a receptividade da expansão da comunidade diminuiu nos últimos meses na Alemanha. Apenas 43% dos alemães são favoráveis ao ingresso dos novos países-membros; no fim do ano passado, eram 47%. A Alemanha é o país da União Européia onde se encontra a maior resistência contra a abertura da comunidade para o Leste do continente.

Acostumados com a carestia do euro

O que cresceu foi a aceitação da moeda européia: dois terços dos alemães estão satisfeitos com o euro, bem mais do que os 60% registrados pouco antes de a moeda começar a circular. No entanto, muitos ainda reclamam de que os preços subiram com a reforma monetária. "Em princípio, acho uma coisa boa, mas sinto que os preços subiram mesmo. Não me agrada como certas lojas e restaurantes lidaram com o euro. Às vezes tenho a impressão de que eles só trocaram o nome da moeda, marco para euro, mantendo os mesmos números e duplicando – portanto – os preços."

Há, no entanto, quem já tenha se conformado com a carestia provocada pelo euro. "Eu acabei me acostumando com os preços mais altos. Acho a idéia muito boa. Ao viajar, dá para perceber como é prático ter uma única moeda." (sm)