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Alemanha

Alemães reconsideram passado colonial

Movimento usou grupos de jovens para propagar idéias colonialistas, mesmo depois da derrota alemã na Primeira Guerra Mundial. Historiador relembra clichês e preconceitos disseminados por décadas no país.

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Placa lembra genocídio praticado pelos alemães na Namíbia

Muitos dos hoje sexagenários alemães participaram, várias décadas atrás, de grupos juvenis organizados, como o Wandervögel (Aves Migratórias), um dos mais conhecidos no país. Seu objetivo inicial eram as incursões à natureza dentro da Alemanha; estendendo-se mais tarde a exóticos países distantes.

A motivação e fascinação dos jovens havia sido explorada nas primeiras décadas do século passado pela propaganda colonialista. Esta tendência prosseguiu mesmo depois da derrota alemã na Primeira Guerra Mundial e a conseqüente perda das colônias alemãs.

O historiador Jürgen Reuleck, 65 anos, da cidade de Giessen, é um dos muitos que cultuaram o mito das colônias além-mar, uma tradição passada através da memória oral de geração para geração.

Auge durante o Terceiro Reich

Quando jovem, Reuleke e seus amigos também integraram os tradicionais grupos juvenis organizados. O objetivo comum era emigrar para uma terra distante, o que acabou não se realizando. Hoje, ele pesquisa a história do movimento juvenil alemão, uma atividade que marcou profundamente parte de sua geração.

"O movimento juvenil foi uma forma bastante peculiar de auto-organização dos jovens. Sua integração se deu especialmente por três motivos: naquela época havia colônias alemãs, depois veio a guerra, e por fim a perda destas". Mesmo sem dispor de colônias, o movimento tentou incutir idéias colonialistas nos jovens, por ver neles os colonizadores do futuro.

Só que a propaganda colonialista, que atingiu seu apogeu durante o Terceiro Reich, não visava apenas os grupos juvenis organizados, conta Reuleck. As histórias de aventuras eram publicadas em revistas, por exemplo, para atrair leitores comuns, principalmente os masculinos.

Glorificação do " exótico" e altas doses de preconceito

Revistas como Jambo apresentavam exóticos mundos distantes e, ao mesmo tempo, enfocavam a relação "branco contra negro", tematizando a curiosidade, a busca pela aventura, os animais selvagens, enfim, tudo o que se queria ver, explica o historiador.

Esta memória oral da "fascinação pelo desconhecido" foi cultuada pelas gerações seguintes. Reuleke levou isso tão a sério, que na década de 60 do século passado viajou em grupo à Turquia, à Síria e ao Iraque. E foi somente nos anos 70 que começou a questionar suas impressões colonialistas.

"Até aí, era tudo muito óbvio. As imagens de que o negro é burro, não tem perspectivas, é preguiçoso. Ou seja, preconceitos que o branco usa para explorá-lo. Este era o cerne da ideologia colonialista que ainda hoje povoa muitas cabeças por aí", acrescenta.

Revisitar a h istória oficial

Hoje, Reuleke e seus companheiros de juventude procuram confrontar-se com as idéias que lhes foram incutidas, para refletir sobre a forma de interpretação da época em relação a episódios como o massacre dos hereros ou a repressão aos rebeldes Mayi Mayi no Congo.

"O que os jovens aprenderam naquele tempo não foi a terrível brutalidade com que os militares alemães agiram, mas que eles teriam sido heróis por reprimirem uma rebelião. Nossos conhecimentos, hoje, nos permitem interpretar de outra maneira as lendas inventadas naquela época", conclui o historiador Reuleck.

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