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Economia

Alemães discutem o futuro dos carros no país

Motoristas pagando impostos pela emissão de gases poluentes de seus automóveis. O que ainda é motivo de discussão na Alemanha, já é realidade em outros nove países da União Européia.

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Emissão de gases poluentes deve virar parâmetro para cobrança de impostos na Alemanha

Reconhecendo os perigos das mudanças climáticas e seguindo a nova tendência da União Européia, o ministro alemão dos Transportes, Wolfgang Tiefensee, propôs uma mudança radical nas leis que regem os impostos sobre a circulação de veículos. Ele quer que as taxas passem a ser cobradas não só pela potência dos motores, mas também pelo grau de emissão de gases poluentes. Os elogios à proposta, vindos de todos os partidos, mostram que a proposta é mais do que oportuna.

Wolfgang Tiefensee Verkehrsminister

O ministro alemão dos transportes, Wolfgang Tiefensee

Se ela for inteiramente aceita e a emenda na lei for feita, o setor automobilístico passará a ter que contribuir nas negociações sobre taxas de emissão de gases-estufa que ocorrem na UE. Até agora, o setor ainda não foi atingido pelas leis do bloco. As tentativas anteriores de diminuir a emissão de substâncias poluentes no trânsito foram em vão. Já se percebeu há muito que a promessa feita pelas próprias empresas automobilísticas – de, até 2008, atingir um limite máximo de emissão de CO2 de 140 gramas por quilômetro – não será cumprida.

Diminuir emissão de gases-estufa no trânsito é importante para as metas da UE

O comissário do Meio Ambiente da UE, Stavros Dimas, queria obrigar as indústrias de automóveis a um limite de 120 gramas de CO2 por quilômetro a partir de 2012. Ele recuou após protestos: agora, os fabricantes só estão obrigados a baixar as emissões a um limite de 130 gramas.

A ousadia dessa imposição se explica pelo fato de o comissário não ter voz ativa em questões como a cobrança de impostos. Segundo Gerd Lottsiepen, do automóvel clube VDC, a UE só conseguirá atingir seus objetivos ambientais com uma legislação de impostos sobre circulação de veículos que leve o meio ambiente em consideração. É por isso que o comissário europeu para o Meio Ambiente já faz campanha para esse tipo de imposto há bastante tempo.

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Stavros Dimas, o comissário europeu do Meio Ambiente

A proposta de Tiefensee foi recebida com entusiasmo em Bruxelas. O comissário da Indústria, Günter Verheugen, declarou à DW-TV acreditar que o exemplo alemão pode levar muitos outros países-membros a fazerem o mesmo.

Sucesso da reforma na legislação não é garantido

A Alemanha não é o primeiro país a tentar adotar esse tipo de medida. Parâmetros como a qualidade da descarga dos automóveis, grau de utilização de combustível ou nível de produção de dióxido de carbono ( ver link abaixo) já são usados em nove países da UE para o cálculo dos impostos sobre circulação de veículos. Mas, segundo Uwe Kunert, especialista em transportes do Instituto Alemão de Pesquisas Econômicas (DIW), na maioria dos países o dióxido de carbono ainda é um fator secundário no cálculo dos impostos.

Os países que já passaram a utilizar esses parâmetros para calcular seus impostos são: Portugal, Áustria, Holanda, Dinamarca. Inglaterra, Bélgica, França, Chipre e Suécia. Apesar do passo à frente dado na direção de uma atmosfera terrestre mais saudável, Kunert não acredita que haja motivo para euforia. Segundo ele, esses países ainda enfrentam muitas dificuldades trazidas pela reforma na legislação fiscal referente ao setor automobilístico, e os resultados ainda não são tão aparentes como se esperava quando da implementação.

Qualidade de vida, preço e publicidade

VW Lupo FSI

Lupo: o modelo da Volkswagen para os ambientalitas

Na Alemanha, o sucesso da reforma depende do preço com que os novos motores, menos perigosos para o meio ambiente, entrarão no mercado. Uma tentativa da Volkswagen, o Lupo que usava apenas três litros de gasolina para rodar cem quilômetros, chegou a preços tão altos nas lojas e era tão pouco divulgado publicitariamente que foi uma fracasso de vendas. A publicidade na Alemanha fica reservada para os carros enormes, potentes – e com altos níveis de emissão de CO2.

A concorrência estrangeira está muito à frente da Alemanha no quesito construção de modelos menos prejudiciais ao meio ambiente. Segundo os números da Liga Alemã para o Meio Ambiente e a Natureza (BUND), para preencher os pré-requisitos da UE para 2012, os fabricantes alemães terão que diminuir, em média, sete gramas de componentes de CO2 na descarga de seus motores, enquanto os franceses só precisarão baixar seus níveis em três gramas.

Esses esforços são importantes para evitar gastos na ordem dos trilhões, causados pela mudança climática. Esse aviso foi dado por um relatório de números assustadores apresentado pelas Nações Unidas. É bom, então, que a Associação da Indústria Automotiva apóie a reforma proposta por Tiefensee. Parece que as empresas reconheceram os sinais dos tempos: carros que ajudam a proteger o meio ambiente são sim utilizados e é possível ter lucros com eles – e não foram só os franceses que mostraram essa possibilidade.

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