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Alemanha

Alemães deveriam liberar mais informações sobre nazistas, diz historiador

Em entrevista à DW-WORLD, o historiador americano Timothy Naftali diz que os alemães deveriam pressionar mais o seu governo para obter informações sobre a presença de nazistas no centro do poder alemão depois de 1945.

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Adolf Eichmann em seu julgamento em Jerusalém. Ele foi executado em 1962

A Agência Central de Inteligência (CIA) norte-americana liberou recentemente 27 mil páginas de arquivos operacionais da era pós-Segunda Guerra Mundial. Durante o período, os Estados Unidos encobriram a identidade de ex-nazistas e os usaram como espiões contra a antiga União Soviética durante a Guerra Fria.

Timothy Naftali é um dos quatro acadêmicos do chamado Grupo de Trabalho sobre Crimes de Guerra Nazistas e Arquivos do Governo Imperial Japonês, encarregado pelo governo norte-americano de examinar e interpretar o material liberado.

Numa conferência de imprensa no começo desta semana, o historiador disse que os registros mostram que a CIA e a antiga Alemanha Ocidental cooperaram para encobrir o paradeiro do criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann em 1958 – época em que Israel desistiu de procurá-lo por falta de pistas.

Os arquivos colocados recentemente à disposição do público também mostram que a CIA e a Alemanha Ocidental suprimiram parte do diário de Eichmann que poderia ter comprometido Hans Globke, o conselheiro para segurança nacional do então chanceler federal alemão Konrad Adenauer. Globke ajudou na concepção das Leis de Nurembergue durante o regime nazista (as leis de perseguição aos judeus). No governo de Adenauer, ele era a principal ligação com a CIA e com a Otan.

DW-WORLD: Quais foram as maiores surpresas que vieram à tona com os documentos da CIA?

Timothy Naftali

Timothy Naftali, relator dos arquivos da CIA

Timothy Naftali: Através da análise de outros documentos previamente liberados, obtivemos algumas informações, em 2004, que mostravam a amplitude com que a organização Gehlen (o protótipo do serviço de inteligência alemão que os americanos fundaram sob o comando de Richard Gehlen, que havia sido chefe da espionagem de Hitler na frente oriental) recrutou alguns nazistas com passado criminoso.

O que me surpreendeu foi a amplitude da falta de supervisão, por parte do governo norte-americano, sobre a organização comandada por Gehlen. Desta vez, eu achei a informação sobre Eichmann muito interessante, mas não de todo surpreendente por saber que a perseguição a Eichmann não fazia parte da política norte-americana.

Era política oficial deixar a perseguição de nazistas para os alemães?

Após o fim dos julgamentos de desnazificação, era realmente política dos Estados Unidos deixar esse trabalho para os alemães... Era uma forma de reconhecer a soberania alemã.

É certo que a CIA e o governo alemão ocidental se esforçaram para proteger o responsável pela segurança nacional no governo Adenauer, Hans Globke. Não era sabido que ele havia sido membro ativo do regime nazista?

Bundeskanzler Dr. Konrad Adenauer

Konrad Adenauer, primeiro chanceler federal do pós-guerra

Eu não posso entender o estado de alarme – evidente no governo alemão, pelo menos no serviço de inteligência alemão-ocidental – após a prisão de Eichmann. Afinal de contas, Globke estava envolvido, na época, numa controvérsia pública com um homem chamado Max Merten, que alegava que Globke havia participado na decisão do destino dos judeus de Salônica, na Grécia.

O que Eichmann poderia ter acrescentado que poderia haver alterado a posição de Globke na questão? Eu não sei. Eu apenas posso confirmar o estado de alarme, evidente no documento.

É muito difícil fazer história internacional a partir de um dos lados... É mesmo uma vergonha que o governo alemão se recuse a liberar suas informações sobre esse assunto. Eu não posso entender por que Berlim não pode liberar os arquivos do BND (Serviço Federal de Informações) sobre Eichmann. Por que não? Eu gostaria de saber sobre o que o governo alemão-ocidental tinha contra Eichmann e sobre as decisões feitas em primeiro escalão entre Adenauer e Globke sobre o que fazer com Eichmann. Essa é a grande questão.

O historiador comenta ainda a omissão

da sociedade civil alemã.

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