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Esporte

Alemães desejam fim do impedimento passivo

Revista esportiva ouve jogadores, treinadores, juízes e usuários de sua página de internet. Somente os árbitros defendem a manutenção da atual regra.

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Para o zagueiro Nowotny (dir.), "o impedimento passivo complica ainda mais uma regra já complicada"

A maioria dos jogadores, treinadores e torcedores da Alemanha reprova a tolerância com o impedimento passivo, em vigor nas regras do futebol desde 1995. Os árbitros, porém, defendem sua manutenção. Uma amostra da opinião dos alemães foi colhida pela revista esportiva Kicker através de enquetes.

Desde de 1995, os juízes devem marcar o impedimento de um jogador somente quando ele participa da jogada de ataque, tira proveito de sua posição de impedimento ou bloqueia a atuação de um adversário. "A orientação é, na teoria, completamente aplicável e lógica, porém, na prática, ela tem gerado sempre problemas", avalia a Kicker, que colocou o assunto na berlinda depois dos dois polêmicos gols do Freiburg contra o Bayer Leverkusen.

Treinadores insatisfeitos – Os técnicos são os que mais desejam ver o retorno da velha regra. Dos 18 treinadores de clubes da primeira divisão do Campeonato Alemão, 16 (ou seja, 89%) querem o fim da distinção entre impedimento ativo e passivo.

Técnico do Bayern de Munique, Ottmar Hitzfeld acha que a regra exige demais da arbitragem. "Nenhum ser humano consegue realizar o que se espera de um bandeirinha", acredita Hitzfeld. "Os juízes ficam sob pressão e cometem erros com freqüência. E os jogadores não sabem onde estão", critica Wolfgang Wolf, do Wolfsburg.

Jogadores idem – A Kicker escutou também os capitães dos times da Bundesliga e, dos 18, dez são contra o impedimento passivo e dois acham que o caso é passível de reavaliação. Cinco não vêem problema na regra e um disse que, para ele, tanto faz.

"O impedimento passivo complica ainda mais uma regra que por si só já é complicada", justifica Jens Nowotny, do Bayer Leverkusen. Para Stefan Reuter, do Borussia Dortmund, "com freqüência fica muito difícil para um juiz decidir se há ou não impedimento passivo". Nico-Jan Hoogma, do Hamburgo, faz coro pelo fim da distinção: "O impedimento passivo é interpretado diferentemente pelos árbitros e provavelmente não se conseguirá jamais um tratamento igual por eles."

Não à volta ao passado – Já Richard Golz, do Freiburg, e Marcel Witeczek, do Borussia Mönchengladbach, acham bom se rediscutir o tema e propõem: "Talvez fosse o caso de aplicar o impedimento passivo somente fora da área." Dentro dela, não haveria distinção. Tomasz Waldoch, do Schalke, também aceita repensar sua posição, mas "no momento sou a favor de manter como está". Outros quatro também não vêem motivos para mudança na regra.

Entre os sete juízes procurados pelo semanário esportivo, a opinião foi unânime. "Não podemos eliminar o impedimento passivo. O futebol perderia muito de sua atratividade, porque um em cada dois impedimentos teria de ser apitado. E isto contraria o objetivo de tornar o futebol mais ofensivo e atraente. Se pararmos o jogo em todos os impedimentos, logo logo as arquibancadas estarão vazias", julga o árbitro Hellmut Krug, um dos mais respeitados da Alemanha.

Meta cumprida? – A figura do impedimento passivo foi criada exatamente para evitar que a presença de um jogador em posição irregular anule uma jogada de ataque, mesmo que ele não participe dela. Proibido, o impedimento passivo interromperia, injustamente, muitas oportunidades de gol.

Os números, porém, mostram que a tolerância não resultou em mais gols. Nos três últimos anos antes da mudança regra, marcaram-se 893, 895 e 923 gols no Campeonato Alemão. Após a introdução da tolerância com o impedimento passivo, as redes balançaram, em média, menos: 831, 911, 889 e 866.

Torcida contra tolerância – Isto não significa, no entanto, que os dois fatos tenham relação direta de causa e efeito. Mas a torcida alemã parece favorável a que o impedimento seja simplesmente proibido e pronto. Na enquete online realizada pela Kicker em sua página na internet, 80,1% dos votantes opinaram pelo fim da diferenciação.

Uma mudança da regra a curto prazo está fora de cogitação, pois não há qualquer requerimento neste sentido junto ao International Board, responsável pela regras do futebol. O órgão reúne-se anualmente em assembléia ordinária, sendo sua próxima reunião no dia 16 de março. Qualquer novo requerimento só será apreciado na assembléia do ano que vem.