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Brasil

Alemães assistem a "Wood & Stock" debaixo de chuva

Longa-metragem com os personagens do cartunista Angeli tem estréia internacional no prestigiado Open Air Filmfest de Weiterstadt, que chega à sua 30° edição.

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Cartaz do festival de Weiterstadt

A mostra internacional de cinema mais charmosa da Alemanha serviu na madrugada deste sábado (12/08) como plataforma de lançamento no exterior de Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock'n'Roll, filme do diretor Otto Guerra baseado nos personagens do cartunista Angeli. Fechando a segunda noite do Open Air Filmfest de 2006 em Weiterstadt, a poucos quilômetros de Frankfurt, a película veio provar que também se produzem bons filmes de animação no país de Cidade de Deus.

Como no festival de Woodstock, que abalou os Estados Unidos no verão de 1969 e inspirou Angeli na criação dos personagens hippies Wood e Stock, a exibição do longa brasileiro na mostra ao ar livre foi castigada por uma chuva impiedosa, que afugentou a maior parte dos cerca de 200 espectadores que foram ao bosque Braunshardter Tännchen ver o evento, cuja entrada é franca.

Mas nem isso serviu para abalar o ânimo dos incansáveis produtores do Filmfest. Afinal, não há motivos para reclamar quando uma mostra com o perfil da apresentada em Weiterstadt consegue completar 30 anos de existência, sem abrir mão de seus princípios fundamentais de não ceder ao comercialismo da indústria cinematográfica.

A contracultura no país tropical

Sexo, Orégano e Rock'n'Roll conta a história das alucinadas bravatas da geração flower power numa terra periférica chamada Brasil. Dirigido pelo gaúcho Otto Guerra, velho admirador de Angeli, o filme não corre o menor risco de ser incompreendido pelas platéias internacionais.

Wood & Stock

Um quarteto muito rock’n roll

A temática da geração dos sixties permanece viva no imaginário europeu, ainda que a humanidade tenha se tornado muito mais materialista do que na década de 1960 e lemas como o sexo livre e o pacifismo estejam soterrados pela proliferação da aids e as guerras da era Bush.

"É interessante observar que ídolos da contracultura como Jimi Hendrix, Robert Crumb e Janis Joplin também tenham se popularizado num país como o Brasil. O cosmopolitismo está mesmo em toda parte e isso não é de hoje", comentou o cinéfilo Werner Buxbaum.

As tiradas hilárias dos personagens Rê Bordosa, Meia-Oito, Nanico, Lady Jane e Rhalah Rikota arrancaram gargalhadas do público, ainda que as legendas fossem em inglês. Embalados pelo rock tupiniquim de uma trilha-sonora que tinha de Novos Baianos a Rita Lee, passando por Tom Zé, Arnaldo Batista e Júpiter Maçã, os espectadores resitiram até o final da exibição, às 2h45 deste sábado, como quem saboreia a rara oportunidade de ver na Alemanha o que a animação brasileira vem produzindo.

"Se eles soubessem que as vozes dos personagens Rê Bordosa e Profeta Raulzito foram feitos por gente como Rita Lee e Tom Zé, nossos eternos tropicalistas, o barato seria ainda maior", afirmou o paulistano Caio de Albuquerque, um dos poucos brasileiros presentes.

Andreas Heidenreich

Andreas Heidenreich (e) com Tiago Guerra

Nem Angeli nem Guerra puderam participar da exibição em Weiterstadt. "Infelizmente, os dois tiveram que ficar no Brasil por causa da mostra Anima Mundi. Mas o sobrinho de Otto, Tiago Guerra, que também trabalhou na produção do filme e vive hoje em Paris, vem para o nosso festival", contou Andreas Heidenreich, assessor de imprensa do evento.

Um festival diferente

A primeira edição do Open Air Filmfest Weiterstadt se deu em 1977. Na ocasião, apenas três espectadores abriram mão do sol radiante que fazia lá fora para se enfurnar na escura sala de projeção. Foi aí que os organizadores deram a guinada radical. "Se o público não vem até nós, nós iremos até ele." Munidos de uma estrutura precária, com o projetor montado num microônibus e uma tela tão pequena quanto artesanal, os idealistas do festival partiram para o bosque Braunshardter Tännchen.

O evento começou a dar o que falar pela originalidade de seus criadores e pela programação, que abria espaço para a exibição de filmes em super 8 e em 16 milímetros, formatos já menosprezados na época. Cientes de que sempre haverá cineasta querendo mostrar suas obras e público ávido por novos filmes, os organizadores perceberam logo o potencial do Filmfest.

Começaram exibindo a película Pink Floyd em Pompéia, atraíram a cumplicidade de diretores que engatinhavam na carreira cinematográfica e, em pouco tempo, o festival foi ganhando notável estatura.

Vieram os primeiros curta-metragens de outros países, o tamanho da tela foi aumentando, houve a adesão do Hessische Filmförderung (entidade de incentivo à produção cinematográfica no Estado de Hessen) na concessão de verbas e pessoas de outras regiões vieram para assistir aos filmes. Mesmo assim, ainda hoje o festival enfrenta dificuldades financeiras.

Referência internacional

O Open Air Filmfest conta em sua 30° edição com filmes de 39 países, num evento que dura quatro dias. Além da mostra ao ar livre, há também o Circuszelt, uma tenda circense onde são apresentados desde filmes infantis a videos musicais produzidos na região e curta-metragens.

Fora da lona, DJ's e bandas alternativas tocam nos intervalos dos filmes, tudo num esquema simples, mas bem eficiente. Em dias de bom tempo, o festival consegue reunir mais de mil espectadores, sendo hoje uma referência no mundo inteiro como vitrine da produção emergente.

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