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Cultura

Alemães à procura de uma nova pátria no Brasil

O Instituto Cultural Brasileiro na Alemanha exibe a exposição "O Brasil não é longe daqui - Alemães do Hunsrück e outras regiões à procura de uma nova pátria".

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Tradição de avô a neto - o cartaz da exposição

A exposição itinerante "O Brasil não é longe daqui" tem Karen Lisboa como curadora e é uma verdadeira lição da história da imigração alemã, que completa 180 anos em 2004.Organizada pelo Instituto Cultural Brasileiro na Alemanha (Icbra), em Berlim, ela consiste em painéis explicativos e reproduções de fotografias que traçam um panorama da emigração alemã para o Brasil. Vindos do Hunsrück e de outras regiões, os alemães cruzaram o Atlântico em busca de uma nova pátria e de melhores condições de vida.

Reisepass Müller Ausstellung Brasilien ist nicht weit von hier - Deutsche Einwanderung

Passaporte de um imigrante com o sobrenome Müller, tão comum na Alemanha como Silva no Brasil

Os documentos e fotografias foram obtidos através de várias pessoas e junto a instituições alemãs e brasileiras, como o Museu Histórico de Bremerhaven, cidade portuária no norte da Alemanha, o Arquivo Histórico do Estado do Espírito Santo, a Sociedade Blumenau e o Memorial do Imigrante em São Paulo.

A imigração em filmes

Os visitantes também podem assistir três filmes ligados à temática: o documentário dos tempos do cinema mudo (1920) "Surgimento de uma colônia alemã no Brasil", que descreve em imagens e legendas as várias etapas, desde a chegada à região da futura colônia, o desmatamento e a construção das primeiras casas até a lavoura.

"Como se o tempo tivesse parado", de Gernot Schley, mostra o cotidiano de uma família de agricultores descedentes de pomeranos que se fixaram no sul do Brasil no século 19. E como são transmitidas de geração a geração as tradições de cultivo do solo, criação de animais e elaboração dos alimentos. O terceiro é "Jacobina", de Wolf Gauer e Jorge Bodansky, de 1978, um filme histórico sobre a seita religiosa dos "Muckers" fundada por Jakobine Maurer por volta de 1870 no Rio Grande do Sul.

Brasil queria população e mão-de-obra

Uma política de imigração só surgiu no Brasil a partir da independência em 1822, embora antes disso suíços tivessem fundado Nova Friburgo (RJ) e alemães a colônia Leopoldina, na Bahia. Importante na vinda de alemães ao Brasil foi o papel da Imperatriz Leopoldina, que era da poderosa dinastia dos Habsburg.

O Brasil tinha basicamente dois interesses na imigração: povoar regiões de pouca densidade demográfica, a fim de firmar as fronteiras. A idéia era também que a criação de pequenas propriedades e estruturas tipicamente familiares dessem impulso ao mercado interno. Por outro lado, os latifundiários precisavam de mão-de-obra sobretudo para a lavoura do café e após a abolição da escravidão (1850).

As várias ondas de imigração

Zwischendeck Ausstellung Brasilien ist nicht weit von hier - Deutsche Einwanderung

A travessia nos navios dos séculos 19 e mesmo no começo do século 20 era uma aventura com desfecho incerto

Como não houve um registro sistemático das autoridades brasileiras, só há estimativas do número dos imigrantes alemães. Elas variam de 235 mil a 280 mil no período de 1824 a 1940. Até meados do século 19, a maioria dos imigrantes era procedente do sudoeste da Alemanha. Por volta de 1820 houve uma grande onda de emigração do Hunsrück, do Sarre e do Palatinado. Foram 4800 hunsrüquianos ao Brasil entre 1824 e 1829.

Em São Leopoldo e arredores ainda hoje em dia se encontra descendentes desses colonos que falam o dialeto dessa região. Mas o alemão falado pelos colonos também sofreu a influência das palavras novas do português, resultando numa curiosa simbiose, como documenta a exposição, através de uma lista de termos alemães emprestados do português. "Baderne", por exemplo, a nossa baderna, usado em vez de Unordnung, como manda o alemão não bagunçado.

Os pioneiros e sua contribuição

A partir de 1850 aumentou a emigração do norte e do leste da Alemanha. Grandes ondas migratórias houve em 1870, 1890 e, sobretudo, entre 1920 e 1930. No entanto, a emigração alemã não chegou a ser numericamente tão representativa quanto a portuguesa, espanhola ou italiana. Seu significado, porém, foi grande, pois coube-lhes o trabalho pioneiro de desbravarem sozinhos o sul do Brasil e estabelecer as primeiras lavouras, até que os demais chegassem, a partir de 1870.

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