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Alemanha

Alemã em Comissão da ONU defende política de migração moderna

A Comissão das Nações Unidas sobre Migração Internacional pesquisou os riscos e as chances dos movimentos migratórios. A DW-WORLD entrevistou Rita Süssmuth, ex-presidente do Parlamento alemão e membro da Comissão.

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Rita Süssmuth, ex-presidente do Parlamente alemão, participou da Comissão Global da ONU sobre Migração Internacional

DW-WORLD: Por ocasião da Conferência sobre Migração, a Comissão Global da ONU apresentou, nesta quarta-feira (31/05), em Berlim, seu relatório sobre o assunto. A senhora afirma que a migração é um fenômeno global, que demanda soluções também globais. Quais são os maiores desafios para a comunidade internacional neste sentido?

Rita Süssmuth: A migração que atinge os atuais 200 milhões de migrantes registrados é predominantemente forçada, ou seja, as pessoas não gostariam de abandonar seus países, mas são forçadas a fazer isso, principalmente devido à miséria, guerra ou violência política. Precisamos, tomando como base os direitos humanos, nos distanciar da migração forçada e nos aproximar mais de uma idéia de migração espontânea e legal, para que possamos garantir às pessoas uma vida segura e digna.

As diferentes expectativas, tanto por parte do refugiado como por parte do país que o recebe, são um segundo problema. Os migrantes querem uma vida mais digna e segura. Entre os países que os acolhem, existem aqueles que têm grande demanda de imigrantes para seu mercado de trabalho. E também aqueles que, como a Alemanha, possuem alta taxa de desemprego, um fator que conteve de forma decisiva a imigração nos últimos dez anos. Por este motivo, aumenta a migração ilegal.

E o terceiro desafio é o problema demográfico. Enquanto algumas regiões do mundo têm excesso populacional, existem outras, cuja população está minguando e envelhecendo, principalmente na Europa. Atualmente, a maioria dos países possui problemas demográficos.

A proposta de solução deve proporcionar uma situação de ganho tanto para os países que enviam como para os países que recebem migrantes. E é por isto que o relatório da Comissão Global enfatiza a relação entre desenvolvimento e migração.

No relatório, a senhora apresenta propostas para melhor direcionamento e organização da migração internacional. A senhora aconselha urgentemente que se dê apoio aos efeitos positivos da migração. Quais são exatamente estes efeitos?

Os principais efeitos positivos estão no potencial humano, ou seja, nas próprias pessoas. Na Alemanha, discutimos muito pouco sobre a contribuição que os migrantes trouxeram não somente para o bem-estar econômico, mas também nos aspectos sociais e culturais. Vejamos o aspecto econômico: A Alemanha errou em trazer para o país, entre 1956 e 1973, milhões de trabalhadores que, em sua maioria, não tinham formação profissional e possuíam baixa escolaridade. Entretanto, esquecemos de comentar até que ponto estes trabalhadores preencheram a drástica falta de mão-de-obra no nosso país.

Observemos a situação atual: os colhedores de aspargos, os ajudantes na colheita de morangos. Ou demos uma olhadinha no setor de cuidado de idosos e doentes. O senhor não imagina o que aconteceria nos hospitais ou mesmo em casa, se não dispuséssemos do trabalho dos migrantes. Sem falar da Economia e da Ciência. Os imigrantes trabalham até nos mais altos escalões.

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