Ajuda à autoajuda reduz dependência tecnológica | Energia solar na Argentina | DW | 24.01.2011
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Energia solar na Argentina

Ajuda à autoajuda reduz dependência tecnológica

O aproveitamento de energias renováveis também avança nos países em desenvolvimento. Em princípio, a tecnologia vinha da Europa. Hoje, é cada vez mais comum que ela seja produzida nos países que a consomem.

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Placas solares em telhado de escola na Argentina

Se os moradores de Puna, um planalto desértico no noroeste da Argentina, têm algo em abundância, é o sol. Na região árida, a quilômetros de altitude, o ar é rarefeito e os raios solares são intensos. Por ano, cada metro quadrado recebe mais de 2.200 quilowatts-hora, energia equivalente ao consumo médio anual de duas pessoas.

As condições para o uso de energia solar na região são ideais. Pelo menos teoricamente, já que, localizada nos Andes, Puna é uma região de difícil acesso, e por isso não há rede de energia elétrica.

Mas, aos poucos, os lugarejos estão sendo equipados com tecnologia solar. Isto não só fornece a energia necessária, mas gera também empregos na região pobre. Produção, montagem e manutenção dos aparelhos são possíveis, em grande parte, graças a empresas locais.

Solarkocher in Argentinien

Cozinhar com energia solar

Aparelhos feitos localmente são mais acessíveis

O know how vem da Alemanha e é transmitido aos trabalhadores pela fundação EcoAndina. Assim, eles mesmos podem construir muitas peças dos aparelhos solares, como por exemplo espelhos para fogareiros solares. Não é preciso importar mais nada.

Outras peças, como lâminas e tanques de água, vêm da capital Buenos Aires, e os geradores de água quente são montados em Puna. Esta "ajuda para a autoajuda" deve criar uma pequena indústria local, que será essencial para que os projetos funcionem, explica Heiner Kleine-Hering, da EcoAndina. "A produção no local é muito mais barata do que as importações, de forma que mais pessoas podem adquirir os aparelhos".

A ideia vai além: uma empresa de Chubut, a centenas de quilômetros dali, copiou os planos de Puna, diz Kleine-Hering. Lá também se fabricam aparelhos solares.

Elektriker bei der Arbeit in Indien

Na Índia, os próprios moradores fazem a manutenção

Na Índia, organizações de ajuda mostram como funciona a produção local. A organização eclesiástica Misereor, em conjunto com a organização indiana Laya, leva lâmpadas solares a vilas remotas. Estas lâmpadas são feitas 100% no local. Outra empresa local produz os componentes técnicos para pequenas usinas hidrelétricas, que abastecem as vilas da região com energia.

"Nós fazemos questão de que os aparelhos sejam desenvolvidos localmente porque é uma tecnologia menos complexa do que na Europa", explica Kesuma Saddak, da Misereor. Os consertos não exigem especialistas estrangeiros. Depois de dois ou três cursos, os próprios moradores podem assumir a manutenção.

África aprende sobre regionalidade

Também na África, as organizações de ajuda e as empresas querem trabalhar regionalmente, mas não é simples. Lá, a tecnologia ainda vem do exterior. As organizações de ajuda criticam isto: "Antes de tudo, o importante é a transferência do know how, e não do material", diz Klemens Schwarzer, da Solar Global, uma associação sem fins lucrativos que promoveu diferentes projetos para o desenvolvimento da energia solar na África. Ainda que moradores e operários locais sempre participem dos projetos, a tecnologia vem normalmente da Europa ou da Ásia.

"A produção local de equipamentos para o aproveitamento de energias renováveis seria desejável, mas até o momento existem pouquíssimas empresas que os fabricam", explica Barbara Wagner, da Atmosfair, organização que financia uma usina de biogás para um hospital em Burkina Fasso. Como não há alternativas locais, a tecnologia vem da Índia.

Techniker bringt Solarzellen an

Instalação de pequenas usinas solares na África

A falta de uma indústria produtiva é um problema também para firmas especializadas em energias renováveis. A Madison Solar Engineering produz geradores fotovoltaicos no Zimbábue. A empresa faz montagem e instalação no local, mas os componentes vêm da Europa, dos EUA ou até mesmo da Índia. A importação é desgastante e onerosa, comenta o diretor Andreas Knerr. Ele criou a empresa em 2005 para "dar uma chance à energia solar", diz.

Em todo o mundo, existe um engajamento pela produção local de instalações para o aproveitamento de energias renováveis. Porém, as organizações que apoiam este desenvolvimento concordam num ponto: para se obter sucesso no Zimbábue ou em outros países africanos, assim como na Argentina ou na Índia, é preciso impulsionar a ajuda à autoajuda.

Autora: Janine Rabe (tm)

Revisão: Roselaine Wandscheer