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Alemanha

Agentes de fronteira da Stasi tinham ordens para matar fugitivos

Documento da polícia secreta da Alemanha Oriental mostra que agentes não deveriam hesitar em utilizar armas de fogo contra fugitivos mesmo que entre eles houvesse crianças.

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Revelação ocorre às vésperas do 46º aniversário de construção do Muro de Berlim

Um documento tornado público neste final de semana mostra que agentes de fronteira da Stasi, a polícia secreta da antiga Alemanha Oriental, tinham ordens de atirar para matar contra fugitivos do regime comunista alemão. O documento foi encontrado na semana passada nos arquivos regionais da cidade de Magdeburg e tem data de 1º de outubro de 1973.

"Não hesite em utilizar armas de fogo mesmo que a fuga pela fronteira ocorra ao lado de mulheres e crianças, o que traidores já utilizaram com freqüência", está escrito no documento, que é dirigido a agentes da Stasi que agiam incógnitos entre guardas da fronteira na região de Magdeburg e tinham por missão identificar soldados que estivessem dispostos a fugir.

Em muitos casos, as tentativas de fuga aconteciam com a família. Historiadores calculam que mais de 2,8 mil soldados tenham desertado e fugido para a Alemanha Ocidental. Já o número de pessoas que foram mortas durante tentativas de fuga é impreciso e varia entre 270 e 780.

A revelação da existência do documento foi feita pelo jornal Magdeburger Volksstimme e ocorreu às vésperas do aniversário de 46 anos da construção do Muro de Berlim, na próxima segunda-feira, dia 13 de agosto.

Controvérsia

O achado provocou controvérsias na imprensa alemã. No sábado, um porta-voz do escritório responsável pela administração dos arquivos da Stasi, Andreas Schulze, confirmou a informação do jornal e apresentou o documento como sendo a primeira prova de que havia uma ordem do governo da Alemanha Oriental para matar fugitivos.

Após vários relatos na imprensa de que um texto praticamente igual já havia sido tornado público em 1997, numa antologia publicada pelo historiador Matthias Judt, os responsáveis pelos arquivos da Stasi reconheceram neste domingo que a descoberta de Magdeburg não é inédita.

"Mas o documento é muito importante porque a existência de ordens para matar continua sendo negada pelas autoridades responsáveis do antigo regime", reiterou Marianne Birthler, que administra os arquivos da Stasi. Além disso, o texto de 1997 é desconhecido por muitos especialistas e pela opinião pública.

Schulze disse que, até o momento, a decisão de atirar para matar contra fugitivos era vista como a última medida para evitar a fuga. A legislação para fronteiras da Alemanha Oriental afirmava que tiros são a "medida extrema de emprego da violência" para evitar fugas. Segundo os documentos até então encontrados, os guardas deveriam sempre abordar ou avisar os fugitivos. "Eles deveriam, por exemplo, mandar o fugitivo ficar parado ou dar tiros para o alto."

Com a revelação do novo documento, historiadores e políticos vieram a público para exigir que a Promotoria Pública de Magdeburg inicie um processo para apurar responsabilidades. "A ordem encontrada é um licença para matar", afirmou o diretor do memorial às vítimas da Stasi, Hubertus Knabe. (as)

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