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Brasil

Agenda interna de candidatos afasta interesse brasileiro por eleição alemã

Campanha considerada fria, centrada em temas de interesse apenas dos alemães, e sistema eleitoral complicado deixam imprensa e público brasileiros distantes da disputa entre Angela Merkel e Peer Steinbrück.

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Merkel e Steinbrück tiveram a oportunidade de debater propostas num único debate televisivo

A cerca de uma semana das eleições alemãs, a disputa entre a atual chanceler Angela Merkel e seu opositor, Peer Steinbrück, não conseguiu despertar o interesse nem da população, nem da imprensa brasileira. O grande favoritismo de Merkel ofusca a emoção do duelo e uma campanha tida como pouco atraente – até mesmo para os alemães – não ajuda a atrair a atenção da população do maior país sul-americano.

O debate entre Merkel e Steinbrück, transmitido pela televisão em 1 de setembro, concentrou-se em temas essencialmente de política interna alemã. Entre os tópicos discutidos estavam a falta de vagas em creches, a terceirização da mão de obra, a dívida do Estado alemão e o gerenciamento da crise pelo governo Merkel.

Para especialistas ouvidos pela DW, para ficar mais interessante para o público brasileiro falta uma grande polarização e, talvez, um profundo ponto de discórdia de amplitude internacional entre os dois candidatos. Para boa parte dos eleitores alemães, a diferença nos discursos é mínima, e a disputa, muito calma. Faltaria, também, um debate que envolva grandes questões ideológicas ou temas que dividam a sociedade alemã.

E isso se reflete na cobertura midiática da eleição por veículos de outros países. Além disso, outro fato contribui para a falta de interesse do brasileiro: o sistema eleitoral alemão é pouco compreendido, já que os eleitores no Brasil geralmente elegem seus governantes de forma direta.

Poucos temas internacionais

Para especialistas, temas que giram em torno da integração europeia e da crise do euro poderiam despertar a atenção do brasileiro para o processo eleitoral alemão, pois, mesmo sendo internos, têm grande impacto externo.

Symbolbild EZB Europäische Zentralbank Frankfurt am Main

Crise do euro, que poderia despertar o interesse dos brasileiros, não é um dos principais pontos da disputa entre Merkel e Steinbrück

"Num passado recente era possível ouvir vozes no mundo político brasileiro e na mídia nacional contrários às medidas de austeridade que a figural de Merkel representava – e representa. Mas, agora, a mídia divulga percepções positivas quanto ao futuro da integração europeia", diz Manoela Miklos, professora de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Ou seja, dois temas que poderiam atrair o interesse brasileiro para a disputa eleitoral alemã arrefeceram recentemente e nem tais assuntos parecem mobilizar, hoje, olhos e ouvidos por aqui."

Segundo Christian Lohbauer, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP (GACINT/USP), o interesse brasileiro nas eleições alemãs é bastante limitado. Ele argumenta que, de forma geral, a agenda internacional é um assunto sofisticado e, consequentemente, temas como eleições em países estrangeiros têm pouco apelo para os brasileiros.

"Ainda assim, eleições nos Estados Unidos ou na Argentina, por exemplo, despertam mais interesse do que em países europeus. No caso alemão, as eleições ganham certo destaque em função da importância do país na União Europeia e pela profunda e histórica relação econômica que tem com o Brasil. Mas o interesse fica exclusivo a um grupo restrito de jornalistas, empresários e acadêmicos", diz Lohbauer.

Outro motivo é o fato de que os brasileiros se interessam mais por temas que influenciam diretamente o dia a dia da população. "E elas são questões econômicas e políticas internas, tais como o aumento da inflação, corrupção, tensões entre os Poderes Executivo e Legislativo, entre outros", explica Albene Menezes, professora de história das relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB).

Alemanha, maior parceiro na UE

Maria Luiza Ribeiro Viotti brasilianische Botschafterin

Maria Luiza Viotti, embaixadora do Brasil em Berlim: haverá consultas governamentais entre os dois países no início de 2014

Tanto se Merkel obter o terceiro mandato ou se Steinbrück ganhar o pleito, as relações econômicas e políticas não estarão em xeque em função do resultado do processo eleitoral. Segundo especialistas, as relações bilaterais entre Brasil e Alemanha – consideradas tradicionais e estreitas – estão acima de qualquer partido político ou coalizão que ocupar a chancelaria federal.

Hoje, a Alemanha é o quarto maior parceiro comercial brasileiro – depois de China, Estados Unidos e Argentina – e, portanto, o maior da União Europeia. Eventos como a participação do Brasil como convidado de honra da Feira do Livro de Frankfurt e o Ano da Alemanha no Brasil mostram que a parceria continua forte.

Um dos exemplos é a preparação pelos dois governos de consultas intergovernamentais a serem realizadas no início do ano que vem. O mecanismo, a ser realizado pela primeira vez entre os dois países, vai ter a participação dos respectivos chefes de Estado e ministros, simbolizando a subida de mais um degrau da parceria estratégica entre os dois países e impulsionando projetos em diversas áreas.

"Estamos trabalhando para promover um joint venture entre pequenas e médias empresas dos dois países em áreas como energia renovável [eólica e solar, por exemplo] e de ciência e tecnologia – áreas em que a Alemanha tem grande experiência e onde há demanda no Brasil", diz a embaixadora do Brasil em Berlim, Maria Luiza Viotti. "Há sempre oportunidades mutuamente vantajosas e é isto que queremos promover."

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