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Mundo

Agências de espionagem e máquinas de busca se aliam contra pedofilia

Serviços de inteligência dos EUA e Reino Unido se unem a Microsoft e Google para combater pornografia infantil na internet. Analistas creem que medida é mais que polimento de imagem e pode ajudar a coibir crimes.

É uma aliança de pesos pesados, unindo forças para caçar pedófilos: os gigantes da internet Microsoft e Google, assim como os serviços de inteligência GCHQ, do Reino Unido, e NSA, dos EUA, pretendem cooperar no combate à pornografia infantil na rede.

Eles atacam a questão de dois flancos: as empresas de internet anunciaram que vão filtrar, em seus mecanismos de busca Bing e Google, 100 mil expressões típicas com as quais internautas procuram conteúdos de pornografia infantil. De início, a lista negra será apenas em inglês, mas em breve existirá em 150 línguas. As páginas procuradas serão bloqueadas e um aviso informará que o conteúdo delas é ilegal.

Os serviços secretos, por sua vez, vasculharão os cantos mais remotos e escondidos da internet, a assim chamada darknet, à procura dos criminosos e suas vítimas, visando interditar as atividades ilegais.

Combate com argumentos comerciais

Com frequência, essas atividades ilegais ocorrem em páginas protegidas, inacessíveis a usuários comuns. Ou os fóruns da darknet servem apenas para produtores e compradores fazerem contatos e trocar informações. O comércio de fotos e vídeos de pornografia infantil é, depois, realizado de forma clássica, em algum beco discreto.

Por isso, o especialista em internet Sandro Gaycken, da Universidade Livre de Berlim, considera o envolvimento de agências de inteligência uma boa ideia. "Serviços como o GCHQ são capazes de se infiltrar nesses meios e monitorá-los. É um trabalho clássico de espionagem."

Gaycken considera também positivo o envolvimento das máquinas de busca da Google e da Microsoft. "Com isso, o mercado de massa para os produtores entra em colapso. Eles passam, então, a só poder vender seus produtos em pequenos círculos de iniciados. Isso torna o negócio menos atraente." O especialista calcula que os fornecedores de pornografia infantil possam sofrer perdas de até 30%. Com métodos mais sofisticados, o efeito pode ser ainda maior, acrescenta.

Já os críticos argumentam que a filtragem de palavras-chave não ajuda muito, pois a maioria das atividades criminosas ocorre na darknet. O assessor do governo britânico para assuntos de segurança infantil, John Carr, rebate esse argumento, destacando a importância de se interceptar os usuários o mais cedo possível.

"As pessoas começam essa viagem na área aberta, e só quando se aprofundam mais e mais no tema é que acabam parando no lado escuro da internet." Ele espera que, com as medidas anunciadas, a Microsoft e a Google consigam deter os usuários tão precocemente que eles sequer entrem nos cantos escuros e perigosos da internet.

Ação para melhorar a imagem

Após as revelações dos últimos meses sobre as ações de espionagem das agências de inteligência e sobre como as empresas de internet estariam envolvidas, uma cooperação contra a pornografia infantil parece ser uma tentativa de polir a imagem dessas companhias e instituições.

Gaycken diz compreender tal suspeita, mas não a considera pertinente. A iniciativa já estava planejada há algum tempo, argumenta, portanto não pode ser entendida como resposta às acusações recentes.

O comissário de polícia Felix Piechota, da comissão de investigação sobre pornografia infantil da Baixa Saxônia, também vê o envolvimento de agências de inteligência e empresas de internet como um apoio oportuno a seu próprio trabalho. Só em seu estado, os investigadores registraram, em 2011, mais de mil processos por delitos de pornografia envolvendo crianças e adolescentes. "Toda ajuda é bem-vinda", acentua.

Costuma-se dizer que os criminosos estão sempre um passo à frente da polícia. Segundo o comissário, isso não se aplica à caça aos criminosos de pornografia infantil. "Estamos investigando proativamente e observando em que fóruns as pessoas conversam sobre esses temas e onde fotos são trocadas. Ninguém pode realmente ter certeza de estar se movendo numa área onde a polícia não esteja presente." Seguindo essa lógica, Piechota acredita que a simples presença dos serviços secretos possa ter um efeito dissuasor adicional.

Direitos dos cidadãos

As máquinas de busca supostamente só deveriam fazer o que seu nome propõe: buscar coisas na internet e torná-las acessíveis aos usuários. Na opinião de Gaycken, se os operadores agora filtrarem resultados e até encaminharem informações sobre os usuários a terceiros, não vai durar muito tempo até que se levantem as primeiras vozes, denunciando a medida como censura e violação dos direitos civis.

No entanto, sobretudo no contexto em questão, o especialista em segurança da informação considera tal argumentação histérica e despropositada: é preciso ver a situação na perspectiva correta, sublinha. "Pode-se controlar conhecimento e opiniões na internet – embora não se deva fazer isso, é claro, numa sociedade livre. Mas uma outra coisa é controlar produtos. E pornografia infantil não tem nada a ver com conhecimento e opinião, é um produto ilegal, que pode e deve ser controlado, monitorado e também filtrado, com todo o rigor."

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