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Economia

Aftosa e gripe aviária preocupam exportadores brasileiros

Empresas que participam da Anuga, na Alemanha, temem que especulações sobre doenças afetem exportações. Abiec tranqüiliza importadores, mas não descarta medidas da União Européia contra carne brasileira.

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Pratini de Moraes não descarta 'parada nas exportações de carne'

As notícias sobre o foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e o avanço da gripe aviária na Europa preocupam os exportadores brasileiros de carne e frango presentes na Anuga, que termina nesta quarta-feira (12/10), em Colônia, na Alemanha.

"Os concorrentes do Brasil podem explorar as especulações que envolvem o caso da febre aftosa, como já aconteceu no passado", teme o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Marcus Vinícius Pratini de Moraes. "Ainda bem que os importadores conhecem o Brasil e sabem que o combate à doença é levado a sério", disse em entrevista à DW-WORLD.

O último foco de aftosa no país, registrado há um ano, no Amazonas, resultou em um embargo de cinco meses imposto pela Rússia ao Brasil. Nesta terça-feira (11/10), o governo russo impôs um embargo temporário às importações de carne, leite e produtos derivados, vindos do Mato Grosso do Sul, informou a agência de notícias russa RIA-Novosti, no final da tarde na Europa.

O governo brasileiro confirmou nesta segunda-feira (10/10) a doença em 140 animais no Mato Grosso do Sul. Segundo Moraes, 24 horas após a confirmação, todas as medidas já foram tomadas "para evitar que esse foco restrito se alastre. Todos os 582 animais da propriedade atingida foram sacrificados e a área foi isolada num raio de 25 quilômetros para investigação epidemiológica. Somos profissionais em lidar com isso e queremos garantir alimento seguro aos consumidores."

O Ministério da Agricultura comunicou a ocorrência da doença à OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) em Paris, ao Panaftosa (Centro Pan-Americano de Febre Aftosa), às nações vizinhas e aos países e blocos econômicos com os quais o Brasil mantém intercâmbio comercial, entre eles a União Européia. Moraes não descarta que possa ocorrer "uma parada nas importações de carnes brasileiras pela UE, mas até agora não há nenhuma sanção".

O Brasil tem um rebanho de 195 milhões de bovinos, o equivalente a 19% do rebanho mundial. As 300 indústrias do setor pecuário processam 8,6 milhões de toneladas de carne por ano (16,4% do volume mundial). Vinte por cento da carne (1,9 milhão de toneladas) são exportados para 153 países. Nos últimos 11 meses, as exportações do setor renderam 3,1 bilhões de dólares.

Barreiras tarifárias

Anuga - beef

Carne brasileira na Anuga 1005

"Poderíamos produzir o dobro, se as barreiras tarifárias para a exportação não fossem tão altas. Na UE, chegam a 176%, enquanto o Brasil cobra taxas de importação de, no máximo, 30% sobre artigos de luxo", afirmou Moraes.

Ele ressaltou que 90% da área usada para a criação de gado são livres de febre aftosa e 100% da carne exportada é controlada de acordo com as normas sanitárias internacionais. "Não há nenhuma justificativa técnica para que outros países deixem de comprar carne brasileira. Temos uma política de fiscalização e informação transparente e os importadores sabem disso."

O governo brasileiro pretende erradicar completamente a febre aftosa no país até 2008, uma meta a ser atingida na América do Sul dois anos mais tarde. "Não há como o Brasil ficar livre de aftosa, se os vizinhos, como Paraguai e Argentina, continuarem com o problema", explicou. O último foco da doença no Mato Grosso do Sul, em 1999, teve sua origem na Argentina. "Desta vez, pode ter sido gado contrabandeado do Paraguai, embora não se possa comprovar isso", disse.

Leia a seguir: Frangos e outros produtos brasileiros na Anuga

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