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Mundo

Afeganistão um ano após a Conferência de Petersberg

Em novembro de 2001, a ONU promoveu em Petersberg, Alemanha, a conferência sobre o futuro do Afeganistão. O acordo resultante deste encontro abriu caminho para o restabelecimento da paz e a reconstrução do país islâmico.

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Ainda há muito o que fazer no Afeganistão

Nesta segunda-feira (02/12), representantes das Nações Unidas, dos países doadores e do Afeganistão estarão novamente reunidos em Petersberg, nos subúrbios de Bonn. O objetivo é fazer um balanço da situação do Afeganistão um ano após a assinatura do acordo em prol da reconstrução e do retorno da estabilidade no país.

Em 2001, os participantes da Conferência de Petersberg ansiavam pelo retorno imediato da paz e apostavam na rápida mudança do Afeganistão em uma moderna e estável nação. Eles não imaginavam, entretanto, que a tarefa seria bem mais complexa do que a simples garantia de ajuda econômica para a reconstrução do país.

Na ocasião, os países doadores anunciaram que destinariam cerca de 2 bilhões de dólares para tais projetos. Na prática, apenas uma ínfima quantia, em torno de 90 milhões de dólares, chegou até agora às mãos do governo afegão. Isso resultou no arquivamento de alguns projetos ambiciosos.

Por outro lado, Cabul sabe que os países ocidentais não quebraram suas promessas. Ocorre que grande parte do dinheiro está atrelada a projetos de responsabilidade de diferentes organizações internacionais que no último ano voltaram a intensificar suas atividades no Afeganistão. A canalização direta da verba para o governo afegão poderia significar um atraso ainda maior nas reformas ou até mesmo o uso do dinheiro para outros fins.

Dependência involuntária

Além da questão finaceira, outro problema que não pode ser ignorado, e que provavelmente ainda irá perdurar por um bom tempo, é a centralização do poder em Cabul. Fora da capital, o governo ainda depende dos tradicionais líderes regionais para a realização de um trabalho conjunto nas províncias, sem contar com os senhores de guerra que por diversas vezes levaram o país à ruína.

Esse sistema não é nenhuma novidade no Afeganistão e seria um tanto audacioso, para não dizer revolucionário, se o presidente Hamid Karsai resolvesse fazer uma mudança drástica. Tal intenção estaria de antemão fadada ao fracasso, uma vez que seu governo é composto por diferentes etnias com forte representação da antiga Aliança do Norte.

Com este perfil, é fácil entender que todos os representantes das diversas etnias, religiões e grupos de interesse façam de tudo para não perder o poder e a influência no Afeganistão.

Reconhecer a realidade

Os países e organizações que realmente desejam ajudar o Afeganistão devem tirar da cabeça a idéia de que o país se tornará uma nação moderna. Para isto a religião e a tradição já estão muito arraigadas no povo. Além disso, o estilo de vida ocidental, quando muito, poderia ser assimilado pela burguesia de Cabul, mas jamais pela população mais simples.

A expansão da autoridade do governo para todo o país, ou pelo menos para as regiões de maior relevância, é um encargo primordial para um futuro próximo, que depende, porém, da construção de estradas.

Exército e pacifismo

Mais premente é a garantia mínima de segurança no país. Quanto mais rápido os senhores de guerra perderem o poder e os líderes de províncias forem reduzidos, tanto melhor. Esta missão exige que o governo central tenha um exército eficiente e adequado, o que atualmente não é o caso.

A exigência feita repetida vezes por Cabul de que as Tropas Internacionais de Assistência de Segurança (ISAF) assumam esta tarefa e se espalhem pelo país, não resultará na solução do problema. A ISAF estaria assumindo uma responsabilidade de alçada exclusiva do governo. As tropas internacionais não devem e nem estão em condições de garantir a paz e a segurança em situações extremas.

Já a formação e o equipamento do exército afegão precisam ser feitos com a ajuda internacional. O mesmo vale para a organização da polícia, afinal, o Afeganistão anseia ser pacificado por seu próprio povo.

Caminhos próprios

Quanto à população, ela necessita ter uma oferta mínima de qualidade de vida, caso contrário a disposição para colaborar com o processo de mudança no Afeganistão será bastante limitada. É preciso ainda fazer de tudo para interromper a nova onda de evasão do país, que carece de meios convencionais para se manter sem ajuda externa.

Um exemplo clássico é o plantio de papoulas para a produção de ópio. A comunidade internacional volta e meia estimula os afegãos a se dedicarem a outro tipo de plantio. Todavia, enquanto os agricultores não puderem sobreviver com outro cultivo, eles continuarão mantendo os antigos costumes.