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Mundo

Afeganistão terá Exército próprio

Embora sem resultados extraordinários, a conferência sobre o Afeganistão, realizada na Alemanha, representou alguns passos para a reconstrução daquele país, arrasado pelos talibãs como pelos "libertadores".

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Presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e ministro alemão do Exterior, Joschka Fischer, em Petersberg

O mais importante resultado da segunda conferência no castelo de Petersberg foi: o Afeganistão terá finalmente suas próprias Forças Armadas. Segundo decreto assinado nesta segunda-feira pelo presidente Hamid Karzai, no futuro 70 mil soldados se encarregarão da segurança na região de Hindukush, divididos em quatro tropas e um comando central, sediado na capital Cabul. Quantos às milícias dos senhores de guerra e líderes locais, Karzai pretende desarmá-las no prazo de um ano: até então, elas terão que entregar pelo menos o armamento pesado.

Iniciador da conferência de Petersberg, o ministro alemão do Exterior, Joschka Fischer, louvou a resolução do presidente afegão: "Esse Exército nacional é importante, não só para garantir a segurança no Afeganistão, mas também para a coesão e a integridade territorial. Para nós, o fato de o presidente Karzai haver assinado este decreto hoje, aqui em Petersberg, representa um sinal especial e significativo".

Contudo, não é por acaso que Hamid Karzai anunciou sua resolução bem longe da pátria: em partes do Afeganistão, e mesmo dentro do governo multiétnico, seus planos poderão encontrar resistência. Afinal, com as armas, os senhores de guerra terão também que abdicar de boa parcela de seu poder. Ainda não está claro como decorrerá na prática o processo de desarmamento: só se sabe que ela não será tarefa da Tropa Internacional de Segurança (ISAF).

Narcotráfico e terrorismo

Karzai agradeceu à comunidade internacional, e em especial à Alemanha, o apoio à reconstrução de seu país. Como a maioria dos oradores que se manifestaram durante a conferência, ele acentuou que já se alcançou muito, porém que há ainda mais a ser feito em prol da estabilidade afegã. A segurança continua sendo o maior problema, afirmou o presidente, cuja área de influência mal ultrapassa as fronteiras da capital Cabul.

O líder afegão aproveitou a coletiva de imprensa para anunciar uma ofensiva contra o cultivo do ópio em seu país. "Acreditamos que o dinheiro das drogas, o terrorismo e o extremismo estejam intimamente interligados. Não haverá paz duradoura no Afeganistão, enquanto não se houver erradicado completamente as drogas, seu tráfico e plantio. Nesse aspecto, precisamos de apoio internacional."

O ópio continua sendo a principal fonte de lucros naquele país asiático. Em decorrência da interdição de cultivo por parte dos talibãs, a colheita de 1999 caiu para 185 toneladas. Para este ano, contudo, há cálculos de que alcançará novamente as três mil toneladas. Isso constitui também um problema de segurança, já que numerosos senhores de guerra financiam seus exércitos particulares através das drogas.

A comunidade internacional declarou-se pronta a ajudar o Afeganistão a enfrentar mais este problema. Ao mesmo tempo, durante a conferência nas cercanias de Bonn. apelou-se repetidamente à responsabilidade própria. Dentro desse espírito, o chanceler federal alemão, Gerhard Schröder, pediu ao governo de Karzai que combata energicamente todos os que procuram, mais uma vez, banir as mulheres das universidades e escolas afegãs.

Pequenas vitórias

A imprensa européia analisou com reserva os resultados da conferência. O Thüringer Allgemeine lembrou que, em si, a presença física de Karzai em Petersberg já é uma vitória considerável: não só ele, como seu mandato, conseguiram sobreviver um ano. Em 2001 ele só pudera participar do encontro dos maiores grupos étnicos de seu país pelo telefone, recorda o jornal alemão. Ainda assim, no momento ele é pouco mais do que um prefeito de Cabul, e isso graças à proteção da ISAF: do lado de fora os clãs e comandantes orquestram a guerra civil.

O francês La Croix enfatiza que, após a queda do regime talibã, o Afeganistão haveria sucumbido à anarquia, sem a ajuda dos países que o "libertaram": "É mais importante ajudar Cabul do que esmagar Grosny ou bombardear Bagdá. O Afeganistão é um bom exemplo da necessidade de encontrar-se um bom método e de empregá-lo com força de vontade e flexibilidade", conclui o periódico parisiense.

Já o Frankfurter Allgemeine Zeitung afirma que "terrorismo e lutas de clãs (também no novo Exército?) só terão fim com o avanço da recuperação econômica e, com ela, uma nova ordem política". Porém, segundo esse importante jornal alemão, as poucas horas em Petersberg não bastaram para fazer um balanço da situação, nem para refletir sobre o futuro daquele país no sul da Ásia.

Futebol ao invés de tortura

Pessimismo à parte, no Afeganistão acumulam-se os sinais visíveis de recuperação e abertura: os estádios – que , durante o regime talibã, serviram a execuções, tortura e amputações em público – voltarão em breve a ser palco para... jogos de futebol. Em parte graças a uma forte injeção financeira do Ocidente, uma liga formada por 12 times dará a partida ao renascimento de uma cultura esportiva totalmente aniquilada.

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