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Mundo

Afeganistão: procuram-se alternativas ao tráfico de drogas

Realiza-se em Berlim a terceira conferência internacional sobre o Afeganistão. Em discussão: investimentos privados e ajuda internacional para a reconstrução e para a substituição dos cultivos de papoula.

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Presidente afegão Karsai com ministra Wieczorek

O Afeganistão pode contar com ajuda internacional para a reconstrução no valor de 9 bilhões de dólares (7,37 bilhões de euros). A estimativa foi manifestada pela ministra alemã da Cooperação Econômica, Heidemarie Wieczorek-Zeul, em vista da conferência internacional de credores, em Berlim. O presidente afegão, Hamid Karsai, que conversou com o chanceler federal, Gerhard Schröder, conclamou a iniciativa privada internacional a investir no país destruído após mais de 20 anos de guerras.

Depois de dizer que seus conterrâneos não querem ser eternamente pobres, Karsai informou que a nova constituição garante proteção à propriedade privada. Em conversa com jornalistas, ele admitiu erros do governo no combate à produção de drogas. É preciso corrigi-los, disse Karsai, que citou ainda a burocracia e a corrupção como graves problemas.

Uvas em vez de ópio

Em uma conferência de investidores, com a participação de 250 pessoas de 20 países, nesta terça-feira (30), o presidente afegão citou a aeronáutica, a construção civil, transportes, telecomunicações e energia como setores que mais precisariam de investimentos. Ele vê chances de seu país voltar a exportar frutas, nozes e frutas secas. A expectativa é de uma taxa anual de crescimento de 9% nos próximos dez anos.

Mohnfeld in Afghanistan Männer

Plantação de papoulas, as belas flores das quais se extrai ópio e que servem para o fabrico de heroína

A ministra alemã Wieczorek-Zeul conclamou a um combate decidido contra o plantio de papoulas, flores que servem para o fabrico de ópio e heroína. Para isso, a população precisa de alternativas e de novas perspectivas econômicas. Estão em cogitação uvas passas, açafrão ou outros condimentos.

Os talibãs que governaram o Afeganistão até 2001 financiaram suas milícias islâmicas radicais em 90% através dos impostos cobrados sobre a produção e o tráfico de entorpecentes. Especialistas estimam que a metade do PIB (Produto Interno Bruto) do país ainda seja proveniente do tráfico de drogas.

Ajuda e investimentos

"Se investirmos no Afeganistão, estaremos fazendo algo pela nossa própria segurança", observou a ministra alemã. Ela conta com ajuda financeira internacional de 4,5 bilhões de dólares para o Afeganistão no próximo ano. Essa mesma importância o país recebeu de 2002 a 2004. O governo de Cabul deve apresentar um plano de reconstrução, com duração de sete anos. Para implementá-lo, necessita de 25 bilhões de dólares de capital e 3,5 bilhões de dólares para financiar o orçamento.

Afghanistan Konferenz Hamid Karsai und Michael Rogowski

Presidente do Afeganistão com Michael Rogowski (à esquerda), presidente da Federação da Indústria Alemã, em Berlim

Apesar da segurança ainda não estar garantida no país, o presidente da Federação da Indústria Alemã, Michael Rogowski, mostrou-se otimista quanto às chances de investimento no Afeganistão. "Eu tenho certeza de que ali está se abrindo um mercado interessante", disse Rogoswki, que elogiou os esforços de Karsai em criar, em pouco tempo, regras e condições liberais para investimentos estrangeiros.

Terceira conferência na Alemanha

Da conferência na quarta (31) e quinta-feira (01) em Berlim, participam cerca de 700 delegados de 56 países. Eles pretendem definir a ajuda ao Afeganistão para o período posterior às primeiras eleições livres no país, que se realizam em setembro. São esperados na capital alemã o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, e o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, entre outros. O chefe de governo alemão, Gerhard Schröder, discursará na abertura do evento, bem como o presidente Hamid Karsai.

Esta será a terceira conferência sobre o Afeganistão na Alemanha, cujo governo muito se empenhou na reconstrução do país. A primeira foi realizada no final de 2001, em Bonn, logo após a queda do regime talibã. Na ocasião formou-se um governo de transição, sendo elaborado um cronograma até as eleições.

Para a Anistia Internacional, com exceção de Cabul, a situação dos direitos humanos no país continua sendo muito precária.

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