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Mundo

Afeganistão pode ser modelo para o Iraque

Ministro alemão do Exterior, Joschka Fischer, aponta o processo de reconstrução do Afeganistão como modelo para o Iraque e exige mais tropas estrangeiras para garantir as primeiras eleições livres afegãs.

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Ministro Joschka Fischer visita soldados alemães em Cunduz

Ao contrário dos problemas dos Estados Unidos como potência de ocupação no Iraque, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, atestou in loco o processo de reconstrução do Afeganistão como um exemplo a ser seguido. "Isto aqui não é ocupação, é cooperação, é ajuda para a estabilização, é uma tarefa da ONU", disse o político alemão em visita ao país nesta terça-feira (20). Com vistas ao Iraque, ele afirmou que "nunca é tarde demais para aprender". Todas as esperanças no Iraque estariam centradas no ex-encarregado especial da ONU, Lakhdar Brahimi, "que já prestou grandes serviços no Afeganistão".

Brahimi foi o encarregado da ONU no Afeganistão até janeiro passado e, segundo Fischer, conseguiu estabelecer um consenso político no país. Os dois se encontraram em Paris no último domingo e ambos se pronunciaram a favor de um papel central da ONU na mudança do poder em Bagdá, onde os EUA pretenderm transferir o poder a um governo provisório em primeiro de julho. O gabinete alemão defende um papel maior da ONU no Iraque, desde o início do conflito naquele país.

Mais tropas e equipes - Depois de conversar com o presidente Hamid Karzai, em Cabul, Fischer apelou à comunidade internacional para enviar mais tropas para as províncias afegãs, a fim de garantir as primeiras eleições livres no país. Ele espera também que outros países sigam o exemplo da Alemanha e enviem equipes de reconstrução ao Afeganistão. Para o ministro alemão, trata-se de garantir a segurança no país, sem transmitir aos afegãos o sentimento de que as forças estrangeiras seriam de ocupação. O presidente Karzai disse esperar que até as eleições sejam registrados de oito a nove milhões de eleitores. Até agora só foram registrados dois milhões.

Antes de encontrar o presidente afegão em Cabul, Fischer visitou a equipe de reconstrução integrada por 230 soldados alemães estacionados na província de Cunduz. A função deles é garantir a segurança de quase 400 civis na região, sendo a maioria proveniente da Baviera e do Hessen. A comunidade internacional aposta nestas equipes de reconstrução, e a Otan planeja instalar outras cinco nos próximos meses, a fim de formar uma ilha de estabilidade.

Ópio, talibãs e Al Qaeda – O ministro alemão disse ao governador de Cunduz, Mohammed Omar, que o Afeganistão pode confiar na Alemanha, que estaria disposta a um engajamento a longo prazo. Sobre o problema do plantio de papoula, matéria-prima do ópio, o governador Omar disse que o mais importante é mostrar uma alternativa com a qual os agricultores possam contar. Cerca de 80% da produção mundial de ópio em 2003 foi proveniente do Afeganistão.

Além do narcotráfico, as grandes ameaças à estabilidade no Afeganistão e à realização das primeiras eleições democráticas planejadas para setembro são talibãs dispersos, combatentes da Al Qaeda, os chamados lordes de guerra e suas milícias. Estas deverão ser desarmadas completamente, de maneira progressiva, até meados de 2005. Para isto o governo afegão elaborou um plano com a ajuda do Japão e este assunto também foi tema da conversa do ministro Fischer com o presidente Karzai.

Os distúrbios em Herat e Faryab nas últimas semanas mostraram o papel importante que essas milícias ainda desempenham e quanto elas prejudicam a reconstrução do Afeganistão. O seu desarmamento é uma condição básica para a realização de eleições livres. Remanescentes do regime radial islâmico Talibã, destituído pela guerra liderada pelos Estados Unidos, ameaçaram de morte as mulheres afegãs, caso elas participem das eleições. Os eleitores masculinos também não teriam suas vidas garantidas nos pleitos para a Presidência e o Parlamento, dizem as centenas de panfletos distribuídos inclusive na capital Cabul.

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