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Economia

Adoção do euro ainda enfrenta ceticismo na Letônia

Governo tenta convencer população de que se tornar o 18º Estado da zona de moeda única será vantajoso, mas maioria mostra resistência e teme que adesão possa fazer com que se repita em seu país a crise de outros membros.

Já é oficial: a partir da virada do ano, os letões terão aos poucos que esquecer o lats e começar a pensar em euro. Na última terça-feira (09/07), a Letônia se tornou o 18º membro da zona de moeda única – num passo tratado como histórico pelo governo, mas ainda visto com desconfiança pela maioria no país.

A adoção do euro ainda é largamente impopular a Letônia. As últimas pesquisas, realizadas em junho, apontam que menos de 40% dos letões se dizem favoráveis à entrada na zona de moeda única. Muitos temem o aumento dos preços no país, como aconteceu em outros novos membros do bloco.

"Para mim, é como se eu abandonasse a minha pátria, a bandeira nacional e outros símbolos", diz Ieva Dabolina, designer e poetisa de 44 anos, em referência às notas de lats, que para muitos estão entre as mais bonitas do mundo.

Abbildung Euromünze Lettland lettische Münze

Foto de uma moeda de 1 euro da Letônia

O ministro das Finanças, Andris Vilks, lembra que ao entrar para a União Europeia, em 1° de maio de 2004, o país já havia sido decidido também a adesão à zona do euro. Desde 2005, afirma, o lats está acoplado ao euro. "Após aderir à UE e à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), restava somente a introdução do euro", disse Vilks à Deutsche Welle.

A Letônia é, depois da Estônia, o segundo país do Báltico a trocar a moeda local pelo euro. O outro Estado da região, a Lituânia, espera seguir os passos dos vizinhos até 2015 – o que deve selar o atual ciclo de expansão da zona de moeda única.

"A Letônia é um dos quatro países – incluindo Estônia, Finlândia e Luxemburgo – que atualmente atendem a todos os critérios do Tratado de Maastricht", diz Vilks, membro do Partido da Unidade, que lidera a coalizão de centro-direita à frente do governo da Letônia.

Segundo relatório do Banco Central Europeu (BCE), o déficit orçamentário letão corresponde a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). A taxa média de inflação girou, no ano passado, em torno de 1,3%, bem abaixo do valor de referência de 2,7%. Em 2012, o endividamento estatal foi de 40,7%, também muito menor que os 60% permitidos.

A Letônia se associa à zona do euro como um país de grande disciplina fiscal, diz Vilks. Para o ministro, uma moeda forte regional seria essencial, já que melhora o clima de investimentos e a liquidez do país.

A adesão ao euro é vista de forma positiva sobretudo pela geração jovem e pelos letões com uma renda maior. Inese Klimovica, de 32 anos, é gerente de exportações de uma firma da capital, Riga, especializada no design de velas. Recentemente, recebeu até um prêmio pelo grande potencial exportador.

Inese Klimovica

Inese Klimovica está ansiosa pela chegada da nova moeda

"O Japão é um dos nossos maiores mercados de exportação, e os japoneses pagam nossas contas em euro", explica Inese. "Pessoalmente, eu sou a favor do euro. Vivemos no século 21. Viajar também vai ficar muito mais fácil.”

Sua empresa também exporta para outros países da UE e para Suíça e Coreia do Sul. Além disso, está tentando entrar no mercado russo, onde também se paga com o euro. A partir de 2014, quando a moeda europeia for introduzida oficialmente, Inese diz que economizará com o câmbio. Atualmente, dez empregados recebem o salário em lats e também os custos de produção são contabilizados na moeda letã.

Para governo, economia está preparada

Mas nem todos compartilham uma ideia positiva em relação ao euro. "Obviamente, a decisão de aderir à zona do euro – como antigamente por ocasião da entrada na União Europeia – é uma religião na Letônia", afirma Janis Urbanovics, líder da bancada parlamentar do partido de oposição Centro da Harmonia.

Urbanovics e o outro partido de oposição no Parlamento, a União Verde e de Camponeses, são da opinião que a Letônia deveria ter postergado a introdução do euro. Ele aponta para a Polônia, país-membro da UE onde "se discute quando o euro será introduzido, enquanto o interesse pelo euro continua o mesmo."

A Letônia se prepara para evitar se tornar uma nova Grécia, ou seja, um peso para a zona do euro. No final de 2008 e ao longo de 2009, o país sofreu a pior recessão da União Europeia, devido a um déficit orçamentário descontrolado. O maior banco do país, o Parex, foi estatizado.

Ieva Dabolina

Ieva Dabolina participou de campanha contra o euro

Em 2008, a Letônia recebeu 7,5 bilhões de euros em ajuda financeira internacional, montou um pacote de austeridade econômica – e se recuperou. Hoje, a economia letã é a que mais cresce na União Europeia e, por esse motivo, Vilks diz não ter nenhuma preocupação com o seu país: "Para os bancos, a Letônia possui agora uma estrutura regulatória mais rigorosa. E o Parlamento aprovou um acordo de estabilidade orçamentária."

Morten Hansen, diretor do Departamento de Economia da Stockholm School of Economics em Riga, diz que a Letônia aprendeu uma lição com o passado. Mas, apesar de muita coisa ter sido feita desde 2005, ele diz que ainda é preciso realizar reformas estruturais, como melhorias nos setores de educação e assistência social, nas áreas de política regional e no mercado de trabalho.

Lija Strasuna, economista-chefe do Swedbank, tenta minimizar as preocupações com uma possível inflação. Segundo ela, um aumento de preços devido somente ao euro não deverá acontecer. "Mas se a economia continuar crescendo dessa forma, e as pessoas continuarem a gastar dinheiro, de fato, os preços vão subir", alerta.

A atual crise econômica talvez tenha enfraquecido os argumentos para a adesão ao euro – os letões também estão assistindo à luta de alguns países do sul da Europa pertencentes à zona de moeda única para não afundar. Por outro lado, o governo está determinado a espalhar sua atitude positiva pela sociedade: na virada do ano, todo o país deve fazer eventos para celebrar as vantagens da zona do euro e os benefícios da moeda comum.

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