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Economia

Adieu: acaba a era do franco francês

Compras só podem ser pagas em euros na França, o terceiro país da UE a tirar sua moeda de circulação. O franco era uma das moedas mais antigas da Europa.

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Comércio não precisa mais separar moedas como nesta banca de jornais em Paris

Com um show de fogos de artifício e ao som da "Ode à Alegria" de Beethoven, que é uma espécie de hino da Europa, a França se despediu do franco no domingo (17). A partir desta segunda-feira, o comércio só aceita euros, com o que a França é o terceiro país a encerrar os pagamentos em moeda nacional.

A Holanda e a Irlanda foram as primeiras. Nos demais países, as duas moedas continuarão sendo aceitas até 28 de fevereiro. Os bancos continuarão trocando cédulas de francos até 30 de junho, e o Banque de France as aceitará até 2012. Assim, os adeptos do franco ainda poderão contemplar por mais alguns meses ou anos as conhecidas feições de Gustave Eiffel, na nota de 200 francos, Paul Cézanne, na de 100, ou Claude Debussy, na de 20 francos.

"Estou comovido, mas não deploro a perda do franco. Afinal, nós trabalhamos duramente pela introdução do euro", disse o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, um dos candidatos a substituir o holandês Wim Duisenberg na presidência do Banco Central Europeu. "Nós todos trabalhamos em conjunto para que saísse tudo perfeito na operação de circulação da moeda européia , disse o ministro francês das Finanças, Laurent Fabius.

Moeda antiga, o franco já salvou a vida de um rei

Pelas últimas pesquisas, 39% dos franceses lamentam a perda do franco, com 641 anos uma das mais antigas moedas européias. A primeira moeda de franco foi cunhada em 1.360, em plena guerra dos cem anos contra a Inglaterra. Com moedas equivalentes a 13,2 toneladas de ouro foi pago o resgate do rei francês João II, o Bom. Essa é a origem do nome da moeda francesa, pois franco significa livre. Por maior que fosse a nostalgia, porém, no cotidiano acabou imperando o que era mais prático e, nos últimos dias, 95% das contas foram pagas em euros. Provavelmente porque, na França, era difícil fazer cálculos rápidos, com um euro valendo 6,5595 francos. Tanto é que os comerciantes, ao contrário da Alemanha e outros países, mantiveram duas caixas paralelas desde janeiro, por achar muito complicado programar uma única a receber francos e dar troco em euros.

Segundo o BC francês, contudo, um terço das cédulas de francos ainda não foi trocado, o que equivale a 10,9 bilhões de euros ou US$ 9,5 bilhões. Se tudo isso ficar esquecido nas casas de particulares ou turistas estrangeiros, a Fazenda é que sairá lucrando. O jornal Le Monde calculou que esse "dinheiro esquecido", nos países da União Monetária, pode chegar a 40 bilhões de euros. Isso corresponde a 10% dos francos que estavam em circulação.

Saudosistas querem monumento ao franco "Para mim, é um capítulo da história que chega ao fim", diz Olivier Bidout, dono de uma gráfica no norte da França. Bidout e seus amigos resolveram fazer algo para que o franco fique gravado para sempre na memória de seus conterrâneos. Ele quer construir um monumento ao franco e um museu, numa rua a ser rebatizada de "Rue de Franc" e tudo isso numa cidade da Normandie que já tem o franco no seu nome: Franqueville Saint Pierre.

Já para o ministro alemão das Finanças, Hans Eichel, não há "saudade do marco" na Alemanha, onde a moeda nacional circula no comércio até o fim do mês. "Mas eu não acredito que os alemães simplesmente venham a esquecer o marco", disse o ministro em entrevista ao jornal francês Le Figaro. "Os alemães sempre acharam que o marco era uma boa moeda. Mas entenderam que o seu futuro está na unificação da Europa, da qual o euro é o símbolo", ressaltou.