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Cultura

Adeus, melancolia

Diretores, atores e distribuidores discutem no Fórum de Mídia de Colônia o lugar destinado ao cinema alemão nas telas norte-americanas.

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Filmes alemães: perspectivas na terra de Hollywood?

Consta que o coração do cinema pulsa em Hollywood. Canções de amor, comédias de adolescentes ou desenhos animados multicoloridos – o mainstream da sétima arte made in USA já chegou há muito às salas européias. Se o blockbuster de Spielberg & cia. torna-se automaticamente um sucesso de público na Europa, trilhar o caminho oposto não é exatamente uma tarefa fácil.

Sucessos ligeiros e hilários

Tom Tykwer

Tom Tykwer, diretor de «Corra, Lola, Corra»

Os filmes da "Velha Europa" são tidos nos Estados Unidos como pretensiosos. Algo mais para cinéfilos inveterados que para uma noite aconchegante recheada de pipocas. Os filmes alemães, então, são os que mais encontram dificuldades. Espremidos entre ligeiras produções francesas e enérgicos filmes italianos, a imagem do cinema alemão ainda continua aliada a uma certa melancolia. O que talvez seja a razão da mísera parcela de 0,15% do mercado norte-americano ocupada pelos filmes alemães. O que significa meros 2,2 milhões de espectadores ao ano.

Apesar dos pesares, há indícios de que as coisas podem mudar. Isso desde o estrondoso sucesso alcançado por Corra, Lola, Corra, de Tom Tykwer, no país. Com seus cortes rápidos e uma história cômico-absurda, o longa provou que o cinema alemão não se resume automaticamente a um árduo trabalho intelectual, mas pode também dispor de roteiros ligeiros e hilários. Caso semelhante ocorreu com a comédia Adeus, Lênin, de Wolfgang Becker, que foi sucesso absoluto de público nos EUA, tendo ultrapassado os quatro milhões de dólares de bilheteria.

Tendência do futuro?

Filmszene The Day After Tomorrow

Cena de «O Dia Depois de Amanhã», do alemão Roland Emmerich

"Espero que essa prosperidade do cinema alemão no mercado norte-americano continue, pois histórias contadas através de um viés europeu interessam também aos espectadores no exterior", comenta Michael Schmid-Ospach, diretor da Fundação de Fomento ao Cinema do Estado da Renânia do Norte-Vestfália.

Da Alemanha não vêm apenas diretores hollywoodianos como Wolfgang Petersen e Roland Emmerich, por exemplo, que ocupam lugares na lista dos dez mais vistos nos EUA com Tróia e O Dia Depois de Amanhã. Também a comédia de costumes Simplesmente Martha, de Sandra Nettelbeck, foi vista por um número duas vezes maior de pessoas nos EUA que na própria Alemanha.

Afinal, trata-se de uma tendência que aponta para o futuro ou apenas de um fenômeno efêmero de moda? Fato é que existem diferenças gritantes entre os orçamentos de filmes europeus e norte-americanos. Em média, um filme alemão custa tanto quanto uma pequena produção independente nos EUA.

Enquanto na Alemanha dá-se grande importância ao nome do diretor, do outro lado do Atlântico são as estrelas as responsáveis pelo sucesso de uma produção. O diretor só recebe o sinal verde do estúdio quando os atores famosos dão o sim. "Pois um ator classe A como Tom Cruise é responsável pelo fato de que cem milhões de dólares sejam liberados ou não para um filme", diz o ator e diretor alemão Til Schweiger.

Pulo enorme

Nirgendwo in Afrika

«Sem Lugar na África», da alemã Caroline Link

"O fator decisivo é muitas vezes um festival, acredita Michael Weber, diretor da distribuidora Bavaria Film International, responsável pela venda de filmes como Adeus, Lênin para os EUA. Nos grandes festivais são dados os primeiros passos em direção a um sucesso posterior", diz Weber, convicto de que principalmente a nomeação para o Oscar significa um enorme pulo financeiro para qualquer filme. O que pôde ser visto, por exemplo, no caso de Sem Lugar na África, de Caroline Link, que levou a estatueta de melhor longa estrangeiro em 2003.

Em vez de render entre um a dois milhões de bilheteria, o filme de Link, vencedor do Oscar, acabou trazendo seis milhões de dólares para os caixas norte-americanos. Embora o prêmio não tenha sido o único responsável pelo sucesso do filme fora do país. Além deste, uma intensa campanha publicitária nos EUA despertou o interesse dos americanos pelo drama passado no exílio que é Sem Lugar na África.

Marketing é tudo

Nichola Ellis, especialista norte-americana em relações públicas, sugere aos cineastas alemães que aprendam as lições de know-how de marketing com seus colegas de Hollywood. Idéias publicitárias sui generis, que ficam guardadas na memória, contribuem para que o filme seja sempre relembrado, trilhando assim o caminho do sucesso.

No entanto, isso não costuma funcionar muito bem na Velha Europa. Os cineastas europeus estão acostumados a primeiro verificar quanto de verba eles têm em caixa, para então desenvolver as estratégias de marketing. "Os americanos pensam diferente. Eles planejam primeiro uma campanha publicitária promissora e só aí calculam quanto de dinheiro vão precisar para financiá-la", resume Ellis.

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