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Mundo

Acusado de matar opositor russo teria confessado sob tortura

Segundo ativista de direitos humanos, o ex-policial checheno tem hematomas pelo corpo e teria sido forçado a admitir ter assassinado político Boris Nemtsov, opositor de Putin.

O principal suspeito do assassinato de Boris Nemtsov, um dos líderes da oposição na Rússia, tem sinais de tortura pelo corpo e teria sido obrigado a confessar a autoria do crime. A afirmação foi feita nesta quarta-feira (11/03) pelo ativista de direitos humanos Andrei Babushkin, após visitar Zaur Dadaev em uma prisão em Moscou.

Crítico ferrenho do presidente Vladimir Putin, Nemtsov foi morto com quatro tiros na noite de 27 de fevereiro a poucos metros do Kremlin, enquanto caminhava para casa. O crime chamou a atenção internacional e levou Putin a prometer buscar e punir os culpados.

Segundo Babushkin, Dadaev tem hematomas por todo o corpo, resultado de tortura, e foi forçado a confessar o crime, mais tarde, durante depoimento ao comitê de investigação.

Ao todo, cinco pessoas foram detidas por suspeita de ligação com o assassinato – além do ex-policial checheno, também estão presos seus primos Anzor e Shagid Gubashev, além de Ramsat Bakhayev e Tamerlan Eskerkhanov. Apenas Dadaev e Anzor Gubashev respondem formalmente pelo crime.

Investigadores não confirmaram nem negaram as acusações feitas por Babushkin, integrante de uma comissão russa de direitos humanos que funciona como órgão consultivo de Putin. No entanto, eles criticaram Babushkin por violação de sigilo ao tornar públicos seus comentários.

"Tais ações podem ser consideradas uma interferência nas investigações", afirmou o comitê de investigação russo por meio de nota, ressaltando tratar-se não apenas de uma "violação das regras de visita, mas também da lei russa".

Segundo um juiz, Dadaev foi o único a confessar o assassinato, embora no tribunal ele tenha negado a acusação. Ex-vice-comandante de uma unidade policial chechena, ele afirma ter sido levado por policiais no dia 5 de março, quando chegava à república autônoma russa da Inguchétia, na região do Cáucaso Norte. O também ex-policial checheno Rustam Yusupo o acompanhava no momento.

A jornalista Eva Merkacheva, integrante do grupo que visitou a prisão, escreveu no jornal Moskovsky Komsomolets que Dadaev disse ter ficado dois dias com um saco na cabeça. "Eles gritavam o tempo todo: 'Você matou o Nemtsov?' E eu dizia: 'Não'", contou o suspeito, segundo a jornalista.

Os investigadores disseram ao preso que seu amigo Yusupov seria solto se ele confessasse o crime: "Então eu concordei. Pensei que eles o salvariam e que eu seria levado a Moscou com vida."

Na região russa do Cáucaso Norte ocorrem frequentemente atentados. Uma das teorias das autoridades russas relaciona o assassinato de Nemtsov ao extremismo islâmico.

MSB/ap/rtr

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